Jump to ratings and reviews
Rate this book

Crimes à Moda Antiga

Rate this book
Crimes emblemáticos ocorridos no Brasil do início do século XX pela verve única de Valêncio Xavier

Um dos nomes mais importantes da literatura experimental brasileira, Valêncio Xavier produziu obras singulares onde texto e imagem se completam para criar documentos literários enraizados no factual e abraçados pela sua verve ficcional. Xavier trilhou um caminho probatório distinto que encontrava nas esquinas da vida e nas próprias experiências a verdadeira matéria-prima para sua literatura. O grotesco da alma humana, associado ao tom sensacionalista e especulativo do jornalismo policial do início do século XX, reverberou e deu uma identidade eterna à obra de Xavier. Fatos, colagens, documentos, revistas, jornais, fotos e ilustrações transformaram sua forma de contar história em documento vivo.

É com muito orgulho que a DarkSide® Books apresenta Crimes à Moda Antiga, que reúne oito dos seus contos verdade em que o autor reconstrói — em seu estilo insólito e inimitável —crimes cometidos no país no início do século passado. Todos baseados em histórias reais, eles exigiram do autor pesquisas no Arquivo Oficial e na Biblioteca Pública de São Paulo e Curitiba, e contam com ilustrações feitas por seu sobrinho, Sergio Niculitcheff, e pelo próprio Valêncio em uma das histórias, que ajudam a compor uma narrativa desconcertante, incômoda, mas não menos instigante.

“Todos os livros de Valêncio Xavier têm como fio da meada essa abordagem pouco reconfortante da morte e das perversidades do sexo, numa potencialização superlativa de sua similaridade autoral com o universo da obra de Dalton Trevisan, outro autor cuja poética igualmente está fundada nos descalabros do convívio social entre anônimos”, afirma o escritor Joca Terron no Posfácio do livro.

Crimes à Moda Antiga recupera algumas das mais emblemáticas histórias criminais do início do século passado que aconteceram em São Paulo — como os crimes de Rocca e Carletto, o crime da Galeria Cristal, dois dos mais conhecidos crimes da mala, além de apresentar as atrocidades de Febrônio, um serial killer com delírios religiosos — e traz também um caso acontecido em Curitiba, cidade onde o autor se estabeleceu e viveu a maior parte da sua vida.

“Publicadas originalmente em 1978 e 1979 na revista Atenção, de Curitiba, as narrativas misturam o tom sensacionalista dos cinedocumentários e das reportagens de rádio, recuperando na maior parte casos ocorridos numa São Paulo ainda estagiária da sua corrente condição de metrópole refém dos muros eletrificados e da ultraviolência do crime organizado”, acrescenta Terron.

Os crimes são motivados por diversos fatores, geralmente banais, como a cobiça dos ladrões, a honra ferida de um marido traído ou o ciúme. O texto de Valêncio se aproxima do relato jornalístico, e intercala momentos factuais com depoimentos das vítimas, relatórios policiais e demais informações que ajudam a compor a época, as cenas dos crimes e seus desdobramentos, mas também abraçados pela ficção.

Crimes à Moda Antiga inaugura a publicação do trabalho do autor na DarkSide® Books e vai fazer com o que o leitor reviva momentos marcantes da nossa história criminal através do olhar único e perspicaz de Valêncio Xavier.

Valêncio Xavier Niculitcheff nasceu em São Paulo, em 1933. Mudou-se para Curitiba as 21 anos, de onde nunca mais saiu. Dedicou-se à escrita e ao cinema, trabalhando para jornais ao mesmo tempo que escrevia roteiros e dirigia filmes. Fundou a Cinemateca de Curitiba e trabalhou em museus e espaços culturais. Um dos nomes mais reconhecidos da literatura experimental brasileira, escreveu grande número de narrativas em jornais e revistas, como Nicolau, Revista da USP e o caderno Mais!, da Folha de S. Paulo. Entre suas publicações, destacam-se O Mez da Grippe (Companhia das Letras, 1998; Arte & Letra, 2020), Meu 7º Dia (Ciência do Acidente, 1998), Minha Mãe Morrendo e o Menino Mentindo (Companhia das Letras, 2001), Rremembranças da menina de rua morta nua e outros livros (Companhia das Letras, 2006) e os contos “Minha História Dele” (Ficções, n. 1, 1998) e “Meu Nome é José”, na coletânea A Alegria (Publifolha, 2002). Também traduziu, com Maria Helena Arrigucci, Conversa na Sicília (Cosac Naify, 2002), de Elio Vittorini. Atuou como consultor de imagem em cinema, roteirista e diretor de tv. Como cineasta, recebeu o prêmio de Melhor Filme de Ficção na IX Jornada Brasileira de Curta-Metragem, por Caro Signore Feline. Dirigiu, entre outros, O Pão Negro — Um Episódio da Colônia Cecília e Os 11 de Curitiba, Todos Nós. Faleceu em 2008.

“Valêncio é o autor que me atingiu mais profundamente.” — Lourenço Mutarelli

“Valêncio Xavier definitivamente nos tira da cadeira. Ao trazer para a ficção elementos biográficos e acontecimentos documentados, reorganizados por um narrador não confiável, Valêncio põe em discussão as verdades e mentiras da representação e mesmo da própria realidade.” — Lígia de Amorim Neves

160 pages, Hardcover

First published January 1, 2004

2 people are currently reading
20 people want to read

About the author

Valêncio Xavier

10 books6 followers
Nasceu em São Paulo, em 1933. Foi colaborador dos jornais Gazeta do Povo, de Curitiba, e Folha de S. Paulo. Também trabalhou na realização de filmes, vídeos e programas de televisão. O mez da grippe e outros livros ganhou o Jabuti de melhor produção editorial em 1999. Morreu em dezembro de 2008.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
5 (16%)
4 stars
9 (30%)
3 stars
11 (36%)
2 stars
4 (13%)
1 star
1 (3%)
Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Isaac Magalhães.
32 reviews1 follower
July 10, 2025
Valêncio Xavier é mestre.

Os contos documentais sobre crimes do início do século XX têm uma linguagem muito particular — e, se hoje parecem "fáceis" de reproduzir em vídeos e podcast truecrime, é porque, lá atrás, ainda nos anos 70, Xavier já havia mostrado os caminhos de como se fazer.

Os textos, sempre acompanhados de imagens e colagens de outras mídias — jornais, rádio, e principalmente o cinema — fazem com que o leitor, de alguma forma, se transporte para um Brasil que, sem nenhuma nostalgia, se revela repleto de crimes bárbaros, violência e brutalidade.
Profile Image for Jose Fernando.
42 reviews
October 12, 2025
Fazia um tempo que eu queria ler, achei interessante apesar de ter tido um pouco de dificuldade em como era estruturado no início
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.