A partir de depoimentos de ex-criminosos que tiveram a vida transformada pelo contato com a religião, o autor desconstrói estigmas associados às novas denominações evangélicas e mostra como o crescimento desses grupos responde a anseios profundos de uma população exposta a todo tipo de violência.
Bruno Paes Manso holds a PhD in Political Science from the University of Sao Paulo (2012), an MA in Political Science from the University of Sao Paulo (2003), a BA in economics from the Faculty of Economics and Business of the University of Sao Paulo (1993), and a BA in journalism from the Pontifical Catholic University (1996).
A Fé e o Fuzil tem o mérito de humanizar e mostrar a complexidade da população religiosa no Brasil por meio de histórias de pessoas comuns. O autor é bem honesto em tentar entender o grupo que estudou e analisa de perto, mistura-se aos analisados, o que nesse caso específico foi um mérito.
A análise da evolução dos evangélicos no país é boa. A transição para a entrada nos círculos de poder também faz sentido. O retrato do descaso e violência com as populações periféricas e a relação é outro acerto. Só achei que a obra derrapa em explicar a relação de causa e efeito entre uma coisa e outra. Saí da leitura sem entender se de fato religião e crime se fomentam ou simplesmente são duas realidades que coexistem na parte mais desprotegida da sociedade.
O final da obra é bem confuso. O autor meio que abandona a religião e fala praticamente só de crime, requentando um pouco trechos e teses de suas outras obras sobre milícias e PCC. Pra piorar, termina com uma viagem nonsense sobre sustentabilidade, citando best sellers como o livro Sapiens . Fiquei com a impressão de que ele foi escrevendo o que tinha apurado em suas pesquisas e não tinha como colar tudo isso.
Excelente livro como todos os dele. Mas mais uma vez acho q ele peca no final, quando começa a focar no PCC. Ele acaba fugindo do tema da religiao e ai no ultimo capitulo tenta amarrar tudo, mas fica meio forçado. Mesmo assim esperando ansiosamente pelo proximo livro
Queria muito ter gostado do livro, mas não. Ele começa bem mostrando o desenvolvimento das igrejas pentecostais assim como o desenvolvimento de faccoes criminais e parece que vai tracar um paralelo entre elas, mas se perde e não consegue. Tem alguns personagens fortes mal explorados na narrativa. Começa a descambar quando mostra víeis político , fala sobre sustentabilidade, o livro homo sapiens , suas teses e a Marielle . Enfim, acabou perdendo a credibilidade do que apresentou no começo . Não recomendo.
Não achei tão bom quanto os dois primeiros livros do autor publicados pela Todavia porque a relação entre as igrejas evangélicas brasileiras e o crime organizado anunciada no título não me pareceu estar no centro do panorama caótico que ele traçou aqui. É claro que tudo é relevante e extremamente significativo pra entender a sociopolítica nacional, mas não saí me achando uma especialista no assunto como ele conseguiu me fazer achar com o do PCC e o das milícias. Talvez isso seja bom, na verdade. É uma ótima leitura, de toda forma.
De los mejores libros que leí este año, sin ninguna duda. Paes Manso hace un análisis sociológico construido a base de experiencias personales, a base de un estudio de campo dónde se logra integrar mezclar y conocer a detalle la violencia y la religión en Sao Paulo.
Auténtico caballo, altamente recomendado para cualquier paulistano y brasileño.
achei super interessante o livro pois ele trata dos acontecimentos a partir da inserção direta em sua total realidade, de uma conexão real e até profunda entre e o autor e seus “personagens”. o que me fez respeitar e tomar gosto pela obra, surge pelo fato dela não ser produzida para demonizar ou ridicularizar os fiéis, que por décadas foram feitos de chacota pelo grande público, e hoje são capazes de ditar os rumos do país.
a fé e o fuzil, se volta para a história, para buscar os acontecimentos passados do nosso Brasil, temendo ser possível, entendermos como que essas duas instituições se originaram, estabeleceram-se e prosperaram dentro dos ciclos periféricos, e logo após o surgimento da nova república, foram expostos aos olhos de todos os filhos da pátria amada.
A busca pela prosperidade a qualquer custo, em meio ao caos das grandes cidades brasileiras. O êxodo rural e as aglomerações urbanas em torno de oportunidades de emprego numa sociedade competitiva e cruel para quem não tem nada, são atores relevantes nesse cenário. Muda-se a estrutura econômica, aprofunda-se o desmonte do Estado, transforma-se também a superestrutura ideológica. A igreja em tempos de capitalismo tardio precisa ser diferente. Não há mais guerra fria ou polos divergentes que viabilizem uma guinada esquerdista de uma teologia da libertação. A fé precisa ser lucrativa. Jesus deixa de ser o primeiro Comunista da história pra ser o primeiro Coach da história. Também o crime se torna uma empresa. Em uma sociedade mediada exclusivamente pelo poder econômico, ambas instituições muitas vezes se encontram no mercado. Como o antigo brocardo latino: "pecunia non olet", o dinheiro não fede, independente da origem O mérito principal do autor é o de amoralizar a questão da religião e fugir dos estereótipos fáceis. O crente neopentecostal não é um ser sem agência ou cabeça própria, mas ator da própria vida, colaborador e beneficiário de um projeto mais amplo e útil no âmbito individual. Reportagem necessária para quem quer conhecer/refletir sobre o nosso futuro: que passará certamente pelos dois elementos que intitulam o livro. Elementos de uma mesma sociedade, nem sempre juntos, mas muitas vezes unidos, em alguma medida. Estado, religião, partido político, economia, crime, mercado, transporte alternativo, futebol: são algumas das facetas pelas quais o tema se desenvolve. Tem um podcast sobre o livro: a edição de 16/09/23 do "Ilustríssima Conversa".
Bastante falho. Tem um início promissor, falando de experiências e diálogos de décadas com assassinos confessos. Depois ele entra no aspecto do crescimento da violência, do aspecto de entusiasmo sobre a Rota e outras polícias que matavam bandidos sem consequências, e a espiral de violência que advém daí. Mas aí ele cita centenas de nomes que não ressoam com o leitor, especialmente os não-paulistas. Entra também no aspecto da participação da Igreja Católica nos anos da ditadura (uma digressão bastante extensa).
Gostaria de saber mais sobre a razão pela qual tantas pessoas se sentem atraídas pela "metanoia", que não essas histórias de superação que estão em todas essas igrejas. São ex-drogrados, ladrões, assassino (como Guilherme de Pádua) que vão lá e agora dizem que são outras pessoas porque aceitaram Jesus. Porque essa narrativa é tão aceita e crível? E aqueles crentes que foram decentes a vida toda, não terão "metanoias" para contar com orgulho?
Passa a narrar com competência o crescimento do pentecostalismo no Brasil e neopentecostalismo (o que nunca foi segredo, nem como suas causas), fala do ataque dessas Igrejas às religões afro-brasileiras, e então cita algumas passagens bíblicas que "justificam" a atuação de "traficantes protestantes", com sua permissão para usar armas - na Bíblia - e suas preferências pele teor vingativo do Deuterônimo (o que os aproxima de Israel). Mas o exato cerne na questão, o que aproxima a tese dele sobre a fé e o fuzil, e também suas refutações, também não estão lá. Então a impresão é que o livro falou no próprio título.
Livro que traz muita informação sobre o crescimento da religião evangélica neopentecostal no Brasil, especialmente nas periferias das grandes metrópoles, e seu impacto em regiões com altos índices de criminalidade.
Na primeira parte, o autor relata muitas histórias de ex-criminosos que transformaram suas vidas após terem contato com essa religião e como funcionava os processo de conversão, o que achei muito interessante.
Contextualizou o êxodo rural e o impacto cultural que ocorreu no século passado com o aumento de criminalidade, onde pessoas que se afastaram de suas raízes e redes de apoio encontraram um ambiente hostil, desprovido de políticas públicas bem diferente das promessas difundidas pelos meios de comunicação de massa, que começavam a crescer.
Mostrou como especialmente a segunda geração teve que criar uma nova cultura, já que os conhecimentos sobre a terra de seus pais não serviam como instrumento de sobrevivência nas cidades e que o trabalho árduo e sujeição a situações humilhantes muitas vezes não resultavam em melhora de vida e ascensão social.
Descreveu o surgimento do PCC e como evoluiu a criminalidade, especialmente em São Paulo. Entretanto, em algum momento, os dois assuntos, religião e crime, fé e fuzil, parecem ter se separado. Pensei que o autor ia retomar a relação de um e outro, mas o livro acabou tomando um outro rumo, tratando até de meio ambiente e cronologia política.
Essa é minha única crítica ao livro. Parece que houve uma dispersão sobre o assunto. Mesmo assim, o autor traz muita informação interessante para entender por que o Brasil se tornou um dos lugares mais perigosos do mundo e como essa onda de conservadorismo está tomando grande parte da sociedade, se infiltrando no último recôndito de poder que faltava: a política.
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O autor deste livro, por meio de uma cuidadosa análise de referências jornalísticas e conceituais, expõe a impactante influência do poder paralelo. Este fenômeno se manifesta por meio de grupos criminosos dotados de um notável poder bélico, financeiro, institucional e influência comportamental que se fazem presentes em comunidades carentes. Além disso, esses grupos, de maneira surpreendente, passaram a patrocinar entidades religiosas de natureza neopentecostal.
Trata-se de uma obra muito esclarecedora, pois não apenas identifica os protagonistas envolvidos, mas também lança luz sobre os seus métodos de atuação, as estratégias de sobrevivência que empregam e a sua influência determinante sobre os rumos do nosso país, através dos três poderes reconhecidos na estrutura política do Brasil. O livro nos guia por um intricado labirinto de relações, destacando como esses grupos sombrios impactam não apenas comunidades marginalizadas, mas a sociedade como um todo, tornando-o um trabalho fundamental para a compreensão dos desafios enfrentados pelo país.
Excelent book on the intersect between the Brazilian Christian neo-charismatic movement and the crime world. This is a very bleak book that tells a stoty of a deeply sick country, where many people are so desperate that they try to find salvation on a new christian movement that is just a religious version of neoliberalism. Worst of all it has motated to a kind of neo-fascism with connections to cartels and death squands.
Reading this book, it felt that i was reading a kind of dystopian scifi, but without musch scence.
The book in itself is a great sociological study on the Brazilian society and how the intercet between religion and crime has evolved.
The only problem is the end of the book, where the writer tries to find a solution to the many problems he shows in his book, but it just felt naive and empty.
excelente! o Bruno faz perfis, jornalismo de dados, jornalismo investigativo e de ideias, tudo no mesmo livro. é um baita livro para entender o Brasil hoje, narrando o crescimento dos evangélicos, do crime organizado e como esses dois campos se conversam e confundem nas periferias dos grandes centros urbanos, especialmente São Paulo. como um evangélico da periferia de São Paulo, é legal e especial ver jornalismo de qualidade sendo feito sobre algo que compõe meu universo, mesmo que por um outsider. e, por se posicionar como outsider, o Bruno faz um jornalismo muito mais interessante e valioso do que se estivesse observando seus objetos com um "olhar objetivo de jornalista" que não existe.
Péssimo. Tremendamente desorganizado e desarticulado.
Há relativamente poucos depoimentos (em comparação com os outros livros do autor). Há, entretanto, muitas longas descrições de segunda mão da evolução do cristianismo entre os pobres no Brasil. O panorama histórico tem a profundidade do texto de uma ficha de leitura do ensino fundamental, e o autor mostra ter pouquíssimo estofo em religião e história do Brasil. Melhor pegar a entrada sobre religião no Brasil da Wikipédia a perder tempo lendo esse livro raso. Vai ver foi aí em que o autor se baseou: na corrida para tirar mais um coelho do filão sobre crime, criou essa salsicha rasa, usada, sem nada de novo.
Ganhei esse livro do meu amigo Bruno Terra e, ao contrário do que parece no texto da contracapa, não se trata de uma ode às conversões religiosas de bandidos em cidadãos de bem arrependidos. O livro aborda este tema, mas também a entrada do pentecostalismo na política brasileira, a mistura das igrejas com o crime organizado e muito mais. Tudo isso com um texto jornalístico e direto ao ponto. Extremamente recomendado.
Gostei muito da leitura. Por ser um livro jornalístico, ele não engaja se você não tiver interesse no assunto tratado (felizmente eu me interessei muito). Achava que ele ia abordar mais forte a relação entre crime e religião, mas o autor me pareceu uma pessoa aberta a entender todos os lados da equação, o que foi uma boa surpresa. Super indico, apesar do final triste e nada esperançoso pros brasileiros.
O tema me agrada e o trabalho de pesquisa do Bruno Paes Manso é maravilhoso, mas confesso que senti falta de uma conexão lógica na narrativa que evidenciasse a relação entre o crescimento das religiões evangélicas e o crime. No final do livro, acho que o texto se "perde" e não conclui a evolução dos temas que propõe.
Esse livro contou alguns processos de transformação coletiva de pensamento, novas ordens imaginaaaa que mudaram o comportamento nas cidades brasileiras. Velhas formas de enxergar a vida sendo substituída por outras, por meio de mudança das crenças, dos valores e das regras - p.285
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Livro super interessante, aborda o surgimento das facções e milícias, conta histórias de criminosos que se convertem, mostra o crescimento do número de igrejas evangélicas, traçando um paralelo com conjuntura política...
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A temática é muito interessante, porém senti que se perde na hora de montar uma linha narrativa. A partir de determinado ponto foca muito na mecânica criminosa de SP e parece deixar de lado a relação central com a fé.
O livro é bom, interessante e o assunto que ele aborda é, talvez, a principal chaga do país na atualidade: a influência da(s) religião(oēs) na política brasileira. Pelo menos, uma das principais. No entanto a abordagem é condescendente.
Achei uma leitura interessante, mas esperava que o autor trouxesse uma conclusão sobre a relação entre a religião e a criminalidade, que aparentemente era a proposta do livro.
Bruno detalha a ascensão e o crescimento do poder paralelo baseado na salvação pela religião. É incrível ver o que estava claro e não era visto, entender o que era óbvio e não era entendido.
Para tomar parte da transformação cultural e a implantação de novos códigos éticos nas periferias nos últimos 40 anos - por decorrência resvalando em toda a sociedade brasileira -, este livro se faz de ótima janela de observação. A fé como redenção individual e coletiva, integração social, mas também como projeto de poder político. O crime como único caminho possível - assim ele se impõe - e se assim o é, a criação de códigos de conduta ("procedimento") que reduzem o risco de seus agentes e convidam o Estado a fazer parte de sua estrutura, profissionalizando o negócio.
O livro é muito bom em grande parte, mas serve apenas como relato, pois não faz qualquer conclusão assertiva na relação entre ambos os tópicos. No fim do livro, o autor perde completamente o foco e passa a dissertar sobre as facções criminosas e suas relações com a política, o que já foi abordado em livros anteriores de sua autoria.