«Sem querer estar a repetir a fórmula que Magritte usou para a imagem do cachimbo, começo por deixar claro que as recordações que junto neste volume, embora podendo à primeira vista parecê-lo, não representam as memórias das quase quatro décadas que passei na diplomacia e, conjunturalmente, na atividade política. Não excluo que, um dia, possa ir por esse caminho, mas não é o caso deste livro. Aqui apenas se acolhem textos que fui inserindo, entre 2009 e 2022, no meu blogue Duas ou Três Coisas, nos quais registei factos, episódios e retratos retirados daquelas minhas experiências, que entendi poderem oferecer algum interesse de leitura. São o produto de uma escrita solta, ao ritmo rápido da tecla, ao jeito da linguagem despretensiosa que é corrente nas plataformas de comunicação imediata.» Francisco Seixas da Costa
FRANCISCO SEIXAS DA COSTA nasceu em Vila Real, a 28 de janeiro de 1948. É licenciado em Ciências Sociais e Políticas, pela Universidade Técnica de Lisboa. Iniciou a sua carreira diplomática em 1975, tendo inicialmente estado colocado em Oslo (1979-1982), Luanda (1982-1986) e Londres (1990-1994), para além de ter exercido cargos dirigentes no Ministério dos Negócios Estrangeiros. Entre 1995 e 2001, foi Secretário de Estado dos Assuntos Europeus. Nessas funções, foi, nomeadamente, o principal negociador português dos Tratados de Amesterdão (1995-1997) e de Nice (2000), coordenador português da negociação da “Agenda 2000” (quadro financeiro plurianual da UE) (1997-1999), presidente do Acordo de Schengen (1997) e do Conselho de Ministros do Mercado Interno da UE (2000), onde representou Portugal (1995-2001). Foi Representante permanente de Portugal junto das Nações Unidas, em Nova lorque (2001-2002), tendo, nessa qualidade, sido presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia Geral, vice-presidente do ECOSOC e eleito vice-presidente da Assembleia Geral. Chefiou o Conselho Permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), durante a presidência portuguesa da organização (2002), quando Representante permanente de Portugal junto da OSCE, em Viena (2002-2004). Foi embaixador no Brasil (2005-2009) e em França (2009-2013), tendo ocupado simultaneamente o cargo de embaixador não-residente no Mónaco (2010-2013) e de Representante Permanente junto da UNESCO, em Paris (2012-2013.). Desde 2013, é consultor da Fundação Calouste Gulbenkian, administrador não-executivo da Jerónimo Martins SGPS, SA, membro do Conselho Estratégico da Mota-Engil SGPS SA e, desde 2014, administrador não-executivo da Mota-Engil Africa NV. É igualmente membro do Conselho Científico da revista “Política Internacional” (desde 2006), do Conselho Consultivo da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (desde 2010), do Conselho Científico de “Janus - Journal of International Relations” (desde 2010), do Conselho Consultivo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (desde 2014), docente na Universidade Autónoma de Lisboa e colunista do “Diário Económico”. Entre outros cargos exercidos, foi diretor executivo do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa (2013-2014), presidente do Conselho Geral da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (2009-2012) e membro do Conselho Geral de Fundação Cidade de Guimarães (2011-2013). É autor de livros e diversos outros trabalhos sobre relações internacionais e questões de segurança.
Histórias espetaculares de alguém que conheceu vários chefes de estado icónicos da História, que percorreu as grandes cidades do mundo, que cresceu em Vila Real e negociou diplomas difíceis em Nova Iorque. Quem lidou com políticos, diplomatas, acadêmicos, militares e todo o tipo de pessoas imagináveis.
"Bater o pé, quando se tem razão, compensa. E não perder posição para outros é, pelo menos, uma possibilidade de ir empatando o jogo. E quando se empata, não se perde..."
Um livro que nos agarra do princípio ao fim. Seixas da Costa escreve com elegância e relata episódios interessantes da sua carreira diplomática e não só. Gostaria que este livro fosse um prelúdio às suas memórias que devem ser extremamente ricas.