Sou fã de Tennessee Williams. Decidi ler este livro tanto por causa do meu gosto por Teatro como pelo autor, e conta com 4 peças de teatro diferentes: "O Zoo de Vidro", "Doce Pássaro da Juventude", "A Noite da Iguana" e "Vieux Carré".
Desde logo, adorei, sem qualquer esforço, "O Zoo de Vidro". Diria que foi a peça que mais gostei do autor - gostei especialmente da personagem de Tom Wingfield. Podia ser eu. Podia. Li muitas análises desta peça e podia escrever todo um texto a analisar todos os seus simbolismos. Adoraria fazê-lo, mas o post ficaria demasiado grande e confuso. Precisava de ter toda uma secção só para esta peça...
Não liguei muito a "Doce Pássaro da Juventude" - estava bem conseguida, e gostei da temática do ator falhado ou a cair no esquecimento, mas não me lembro de ter tido grandes sentimentos durante a leitura.
Apesar de a experiência de leitura destas duas primeiras peças ter sido boa, demorei algum tempo a acabar este livro e o processo de leitura não foi de todo linear: comecei em junho, ia continuando, mas em julho parei. E estive parada meses até pensar que não queria deixar um livro de Tennessee Williams na pilha de livros a continuar (que é um eufemismo para desistência). Então, agora em outubro, decidi pôr fim a essa inércia e continuei até ao fim... e realmente foi a escolha certa.
A razão pela qual não continuei a leitura de forma contínua foi o facto de ter chegado a meio de "A Noite da Iguana" e não ter sabido lidar com o diálogo das personagens, loucas e absorvidas em si mesmas. Não gostei de Shannon nem de Maxine. Não gostei do facto de a ação ser parada. No entanto, quando retomei a leitura após ter dedicado tempo a outros livros, verifiquei que o melhor da peça vem no fim: vem com a presença da própria Iguana, capturada contra a sua vontade e atada ao alpendre com uma corda, a tentar em vão escapar. Com a presença da Iguana, Shannon, o reverendo ateu e moralmente questionável, tem um momento de bondade: "como Deus não pode fazer pelos homens o que é necessário, têm de ser os homens a agir como se fossem Deus" - por isso, solta a Iguana, que logo desaparece. Quando entendi o simbolismo da Iguana, passei a adorar a peça e vi o quão brilhante era o seu autor... A peça provocou sentimentos fortes, começou com repúdio pelas personagens e acabou com luz - a isso se chama evolução. Pensei em como todos nós, e não só aquelas personagens, nos encontramos todos presos contra a nossa vontade, e como imaginar a libertação é possível.
A seguir a "A Noite da Iguana", li "Vieux Carré" e senti que estava a ver um filme. Adorei mesmo, muito mais do que pensaria adorar, já que não é dos trabalhos mais conhecidos do autor. Adorei a decadência retratada na pensão barata e adorei a força de Jane. Adorei a personagem do Escritor, em luta contra si mesmo. Adorei.
E sobretudo pensei que nunca me esquecerei da Iguana... a melhor personagem de todas, que me ensinou a dar segundas oportunidades.