No Recife dos anos 1990, essa é a história de duas viúvas, vizinhas e inimigas, cujos maridos mataram um ao outro em um grotesco duelo sem sentido. Fragmentos de memória (e também de invenção) da narradora (que reescreve fatos que testemunhou na infância) revelam ao leitor as personagens, que poderiam comungar suas dores, mas decidem enfrentá-las com vingança. "O ódio entre Margarete e Guiomar era genuíno, tão explicável e entendível que não havia lados ou partidos entre os moradores da vila. Ninguém torcia por uma, ou por outra. Alguns talvez torcessem contra as duas, e sigilosamente desejassem que sumissem, aliviando-os de presenças tão pesadas." Em linguagem fluente, sóbria, em vários momentos poética e com passagens bem-humoradas, As viúvas passam bem - livro finalista do Prémio Leya, de Portugal - é um romance sobre a beleza frágil do amor. Trata também dos movimentos da vida e do sempre possível recomeço.
Sabe quando começa uma confusão na rua e você corre pra janela pra escutar? Esse livro é isso, começa com uma grande fofoca sobre a guerra entre duas viúvas, sendo contada do ponto de vista de uma vizinha com o plus de se passar no Recife.
fé nas malucas (sinto que a história teve um desandar do meio pro final e fiquei com um ponto de interrogação enorme na cabeça quando li a última página)
[audiobook] ouvir no carro me dava a sensação de estar com alguém fofocando no banco do passageiro. a história não vai pra muito lugar e tem uns capítulos meio desconexos, principalmente no fim senti saudade de um clímax. o sotaque de pernambuco da narradora deixou tudo melhor
Um livro muito interessante no geral, mas achei que fosse focar mais nas viúvas. Me senti impaciente em diversos momentos onde qualquer personagem que passava tinha sua história contada, e não de forma resumida, mas detalhada. Ainda que não focasse na inimizade entre elas, desejei que não houvesse tantas pontas soltas; fiquei com essa impressão. Que me interessa a história do vizinho do fulano de tal que fez tal coisa na infância e blá blá blá? Não acrescenta em nada. Mesmo assim, a escrita dela é boa e muito bem feita, li e me entreti mesmo sobre os personagens nos quais estava desinteressada, no entanto. Fiquei me perguntando como é que ela sabia de tantas minuciosidades sobre os pensamentos de uma pessoa com quem ela sequer teve contato. Mas vou relevar em nome da literatura kkkkkkk. Legal, a ideia e o livro como um todo.
o livro começa muito bem, nas no meio do caminho se perde um pouco com tantos paralelos pra dar conta da vida de personagens que vão pingando aqui e ali. mas, de modo geral, foi uma boa leitura. ouvi o audiobook e a narração é muito boa! gostei das protagonistas e confesso que fiquei na expectativa do maior clichê possível: elas virarem amigas. não aconteceu, mas acho que foi melhor assim de qualquer forma. vale a leitura!
É um daqueles livros com pegada bem cotidiana, onde nada muito grande acontece, mas a escrita é bem fluida, envolve o suficiente para você ter curiosidade de entender os impactos da morte de dois homens para essas mulheres.
4,5* gostei muito desse livro, da forma como a autora escolheu contar essa história (literalmente uma pessoa contando a história). Tem algumas reflexões muito boas e uma perspectiva diferente das que eu to acostumada sobre luto. Deu pra ver que as duas mulheres estavam quase se auxiliando nesse processo, mesmo com o ódio mútuo. Tenho muito a elaborar sobre, mas talvez seja mais sobre minhas experiências individuais e como esse livro me atravessou, de todo jeito, vou deixar aqui esses dois quotes que me fizeram chorar.
"Parecerá um pesadelo, mas é só a vida que não lhe da o direito de um grande amor. Você viu morrer seu primeiro amor de menina, viu morrer seu primeiro amor de mulher e verá se desfazer qualquer amor que tente seu. Silencie e aceite"
"Nunca mais terei ninguém porque descobri ao longo desses anos de solidão que não são poucos os que passam a vida sem provar do doce sabor do amor verdadeiro, ao qual fui merecedora de conhecer, e isso já é muito"
é um livro cruel porque é um livro verdadeiro. essa é a melhor parte.
A estrutura da história espelhou perfeitamente a jornada emocional das viúvas. Dá pra sentir a distância (mas também o impacto) entre o dia da tragédia e o resto da vida das personagens.
Gostei muito do livro! A capa é belíssima! A briga entre as viúvas Margarete e Guiomar, que dura anos, outrora fora motivo de interesse no bairro, mas, com os passar dos anos, virou apenas algo com que as pessoas se acostumaram e deixaram de se importar. Elas moram uma de frente a outra em um prédio em Recife. Seus maridos se mataram mutuamente pela mais absoluta besteira e levaram consigo a alegria de viver de ambas; agora vivem para atormentar a viúva da frente: desvio de jornal, corte de energia, acender fogo na janela... só quando deixam adormecida a necessidade de vingança é que sentem um pouco de leveza na vida. Guiomar decide pedalar e em seu caminho encontra Fred, após pedir para consertar o varal da cortina dele. Margarete começa a fazer teatro e se relaciona com um rapaz mais novo e gay, apoiado pela mãe, desde que não tenha o trejeito na rua. Nessas saídas com o grupo de teatro, descobre o segredo que pode afetar de vez a rival: o marido dela tinha uma amante. Quando a mãe do jovem recebe uma carta misteriosa, sem remetente, revelando que ele demonstra ser gay na rua e a vizinhança vai comentar, o jovem decide se mudar. Margarete então desfere seu golpe de crueldade: conta a Guiomar sobre a traição. Então descobrimos que o marido a traía, mas jamais pensou em se separar da esposa, em um ato de lealdade por algo que ela fez anos atrás, quando ele atropelou e matou uma jovem e Guiomar assumiu o comando do que ele deveria fazer. Há um momento de catarse em que a viúva volta para a família e a continuação das desavenças entre as mulheres nos anos seguintes. Uma mulher, que na época tinha 13 anos, relembra a história das viúvas quando se vê em pé em frente ao caixão do marido.
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Mais um livro extremamente rápido que me deixa com vontade de saber mais sobre os personagens. Toda a estrutura da escrita permite que o leitor se veja no meio de uma fofoca de vizinhos que trazem mais e mais detalhes durante a narrativa.
Em alguns momentos me peguei perdida entre as informações e as pequenas histórias que foram acrescentadas à principal, o que só fortaleceu a sensação de estar ouvindo de uma 3a pessoa todo o bafafá, numa mistura de vai e vem muito tipicamente brasileira.
Talvez não seja uma leitura agradável para leitores que buscam uma grande jornada, mas pode se tornar um queridinho para aqueles que procuram um livro rápido que entretém e permite uma breve reflexão sobre ódio, dor e vida cotidiana.
(audiolivro) no começo gostei MUITO da história de ódio entre duas mulheres. o ponto de vista da vizinha criança também me interessou. pena que depois que os caminhos das viúvas se separou o livro perde força. muitos personagens sendo apresentados e pouca ação na narrativa.
minha nota não é para o livro em si mas mais pra minha experiência, não consegui me conectar infelizmente :( ouvi o audiobook mas eu tava distraída com mta coisa na cabeça então não foi uma boa. talvez eu dê uma chance no futuro pra melhorar essa nota
Não acontece grandes coisas, é um livro sobre o cotidiano (o que não é uma crítica ruim). O livro começou bem pra mim, mas depois teve tantos personagens e um aprofundamento enorme nas vidas deles que achei meio desnecessário e fez perder o interesse no livro.
Me interessa muito enredos que se passam nas “minhas terras”; no caso do livro, em Recife/PE.
A premissa também me pareceu mt instigante: dois casais, vizinhos no prédio, os homens se matam em um briga por conflitos banais de convivência, e as viúvas fazem disso um palco para seguir se mal tratando.
Senti que ficou faltando peças e, por outro lado, algumas sobraram. Por exemplo, não entendi o porquê de um capítulo sobre o primo Manoel. Também achei que algumas coisas não fizeram diferença na história. Toda a questão da religião de Sônia me pareceu apenas enfeite… senti falta de algum impacto significativo no enredo. Gostei da relação de Margarete com Elias, mas senti falta de um desfecho maior entre eles.. enfim.
Ambientado no Recife de 1990, o livro narra a vida de duas viúvas que enfrentam o luto e o ódio que nutrem uma pela outra. Apesar de curto, achei que em determinado momento a história se torna cansativa. A leitura melhora quando passam a ser narradas as histórias dos personagens secundários, que, por sinal, são bem mais interessantes.
Gostei do livro, mas confesso que esperava outra coisa. Fico feliz pela Guiomar!
Achei a premissa interessante, e a forma de escrever da autora muito envolvente, parece mesmo que estamos “ouvindo uma fofoca”. Porém, senti falta de saber mais sobre as viúvas em questão, pois senti que a história vai se desenrolando pra muito fora das experiências delas, e focando em explicar a vida de pessoas que ou não fazem sentido, ou mesmo que façam, não precisam de um grande desenvolvimento assim. Como a história é curta, queria ter visto mais da Margarete e Guiomar, das desavenças, mesmo que sutis entre elas, gostaria de ver como cada uma lidou com o luto com o passar do tempo e como uma perda tão grande e drástica assim, afeta as pessoas. Pra mim a ideia pareceu muito boa, mas com pouco tempo pra ser executada pelo numero de páginas, e pelo foco em outros enredos, empobreceram um pouco o brilho da história que eu queria saber. Mas no geral eu fiquei entretida, gostei. Recomendo.
Guiomar e Margarete eram apenas vizinhas até que uma tragédia as une. Seus maridos, em um ato impensado, matam um ao outro. E deixam para trás um rastro de ódio e ressentimento que vai sendo alimentado pelas viúvas.
Os embates entre ambas é conhecido na vila onde moram e ninguém toma partido de nenhuma delas. Há um respeito pelo que passaram e um entendimento de que isso faz parte do luto que vivenciam. Até mesmo a narradora, que era uma adolescente quando tudo aconteceu, busca não julgar as mulheres.
Através deste olhar, vamos vendo desenrolar a história das duas mulheres para além do ódio e daquilo que perderam.
Foi a minha única felicidade do dia de hoje que fiquei sem luz e tinha acabo de baixar ele no meu kindle
honestamente não entendi as avaliações dos usuários com notas baixas mas vamos lá
AMO livros que parecem fofoca de cidade pequena, amei a escrita sim foi excelente, ótima ambientação, senti a narração muito linear sem nenhum desvio nenhum devaneio e a última página amarrou ela tão bem a história da guiomar de certa forma porém como se tivesse dado certo, com seus pensamentos e receios publicados em livro(s).
Adorei o livro e desdobramentos da história. Gostei que não pintou nenhuma das protagonistas como santas e que conseguimos ver tanto os lados bonitos quanto os feios das personalidades de cada uma. Realmente parece uma grande fofoca, mas no fim senti falta de um desfecho maior (o que faz sentido dado que a narrativa foi escrita por alguém que era criança na época e que depois se afastou do Recife).
Amei esse livro! Narrado por uma menina no início da adolescência, ele conta a história de duas viúvas icônicas do bairro. Tudo é contado como se fosse uma fofoca das boa. A leitura é leve, divertida e viciante. Devorei! E o final é lindíssimo. Fiquei feliz demais de ser uma autora brasileira. Já quero ler mais dela. Se você é das fofocas, que nem eu, a satisfação com esta leitura está garantida!!
Talvez um 4,2? Gostei da narrativa, da prosa, da história, do andar da carruagem, das personagens e suas construções, do retrato de Recife e sua vida cotidiana, do terreiro. Não gostei tanto da escolha do narrador, das explicações do narrador, e não fez tanto sentido que o narrador tivesse tantos dados e informações que foram passadas, e não gostei do final.
gostei bastante da escrita e da forma com que a narrativa foi desenvolvida. o que me incomodou foi o mesmo que outras resenhas também citaram: alguns momentos parecem desconexos da história principal, com foco na vida de outros personagens que não acrescentam muita coisa ao desenrolar e simplesmente não são mais citados depois. apesar disso, super vale a leitura!
“Foi por algo entre o desejo de ser dali e a segurança de não pertencer.”
“tememos a morte porque ela representa nossa derrota. Nada é mais simbólico da desgraça humana do que a finitude. Essa trava limitadora que nos torna frágeis, nos freia ou nos empurra, nos levanta ou nos derruba e que recomeça a cada manhã. O medo de morrer enche igrejas, define relacionamentos, empregos, opiniões, pensamentos. Não pensar na morte é libertador. (…) O que digo é que nossa motivação sempre foi e sempre continuará sendo a morte, o desejo ou o medo dela. Não há remédio.”
Uma narrativa fluida, muito marcada pelo sofrimento e por um desejo de vingança sem sentido mas plenamente justificado pela dor. Embora sem muita ação, é uma leitura que nos prende e fascina, talvez por lidar com o cotidiano, com coisas simples do dia-a-dia. Muito bom.