«Meus queridos netos, não vos escrevo estas palavras com a sabedoria da idade, porque tenho 34 anos neste momento em que só vos imagino. Mas se me permitem um conselho, nunca percam a esperança. o ano que aí vem pode vir a ser tão ou mais difícil do que este que agora termina. Mas a avó escolhe a esperança antes do medo. E nesta passagem de ano ninguém vai apanhar-me desprevenida. Estarei concentrada na contagem, sincronizada com um qualquer canal de televisão generalista, com as doze passas na mão à espera da chegada da meia-noite. Talvez até siga os conselhos da vossa bisavó e use roupa interior azul. E, em cada passa, colocarei um desejo. Um deles será poder um dia entregar-vos esta carta em mãos e dizer que tinha razão, que no final venceu a esperança.»
Nasceu em Évora no dia mais quente do ano de 1986. Quando era miúda dizia que queria ser professora de ballet e que não queria ter filhos. Depois cresceu, mudou de ideias, licenciou-se em enfermagem e teve dois filhos em dois anos. Criou a página “a mãe imperfeita” por sentir que era preciso falar abertamente sobre o lado menos romântico da maternidade. E entre fraldas, papas e peças de Lego é isso que vai fazendo. Ou pelo menos tentando.
Este livro fala de tanta coisa importante que é impossível ficar indiferente (desde as situações precárias nos lares de idosos, à importância e valorização do direito ao voto). Deixou-me mesmo a refletir sobre o mundo, e mais especificamente, Portugal.
nem sei como consigo dar 5✨ e ao mesmo tempo aparece me dar 1✨, Confuso eu sei.. mas foram tantos os sentimentos nesse livro que nem sei.
as expectativas eram altas porque o última solidão tinha sido avassalador, este embora tenha tido tanto sobre o que penso e tenho medo de dizer foi ao menos tempo uma confusão de temas (embora MUITO Importantes terem voz no nosso país). foi um alívio quando via as páginas do livro acabar mas ao menos tempo crónica após crónica havia sempre alguma que me despertava tanto interesse e que tanto me dizia. enfim, foi um livro complicado, está lido, e sinceramente precisava de ler e de acreditar que ainda existem pessoas no mundo da enfermagem com força para mudar um pouco!
Este "Tudo o que Ouço é Coração" reúne várias das crónicas que Carmen Garcia escreveu para o Público entre 2019 e 2022, organizadas pela Isabel Alçada. Mais uma vez a Carmen deixa-me maravilhada com o seu poder, o poder de colocar em palavras as suas ideias de uma forma verdadeiramente magistral! E que ideias ela tem! Que grande ser humano ela é! Que excelentes valores transmite! Este livro fala de uma grande panóplia de assuntos. Das relações humanas no geral, dos seus filhos, da sua família, dos direitos dos idosos e dos cuidados a que devem ter direito, das condições dos lares em Portugal, da democracia, do direito ao voto... E de tantos outros temas pertinentes que a Carmen tem abordado ao longo destes anos. Leiam-no porque vale mesmo, mesmo a pena!
Mais um maravilhoso livro de histórias desta narradora magnífica. Escrever com a alma a realidade da vida não é fácil, mas a Cármen fá-lo sem nenhuma dificuldade
Gostava de escrever um comentário digno sobre este livro, que é uma reunião de textos escritos pela autora entre 2019 e 2022, mas acho que o que eu possa escrever seria irrelevante face à relevância do livro.
Sou daqueles leitores que usam mini post-it para marcar as passagens que chamam mais a atenção. Faço-o até nos livros de empréstimo das bibliotecas. Ora, neste em particular, quando cheguei à página 58, era tal a quantidade absurda de papelinhos coloridos agarrados às folhas que desisti do processo. Portanto, sim, recomendo muito a leitura. Uma leitura com tempo. Se me perguntassem, diria dois ou três textos por dia. Acho que mais do que um livro para ler, é um livro para ter e a ele regressar de tempos a tempos.
Carmen Garcia escreve de forma intimista, quase delicada e ao mesmo tempo intensa, apaixonada, impetuosa. Os temas são, na minha opinião, de verdadeira importância, de reflexão essencial. Consciência, carácter e valores. Alguns textos fizeram-me tremer, emoção ao rubro. Já tinha sido assim com A Última Solidão.
Se todos tivéssemos uma Carmen dentro de nós… este mundo seria muito mais justo e feliz! Já tinha lido o outro livro da autora (“A Última Solidão”) e por isso, decidi pegar neste. Apesar de estarem escritos de forma diferente, gostei muito de ler este livro de crónicas. Não há tema que não nos identifiquemos com o que diz e não há tema que já não tenhamos falado com alguém sobre ele. Precisamos de mais Carmens neste país! Adorei e recomendo!