Mirou no romance falso, acertou nos sentimentos verdadeiros…
“Manual da Química Imperfeita” é o segundo livro da série “Herdeiros do Hóquei”, dando continuidade a premissa de um romance entre um jogador com laços com o esporte através da família e uma personagem unida a ele por algum clichê.
Escrito por Hellen R. P., aqui temos Killian, o atual capitão dos Lynx Michigan, de pavio curto e irmão mais novo do jogador de hóquei que abalou a todos ao falecer no grande momento de sua carreira e Candice, a estudante de teatro, ex-patinadora e irmã mais nova do goleiro do time de Kill.
A perda do irmão o deixou arrasado e pior, agressivo dentro do ringue, o que precisava diminuir, ainda mais agora assumindo a posição de capitão no lugar de Connor. Já ela viu seu sonho escapar e achou no teatro o bote salva-vidas, um recomeço, junto a outros desejos, como o de fazer parte da fraternidade que sua mãe e avô participaram. Até então, Gus era a única coisa que os ligava, como melhor amigo dele e irmão mais velho dela. Mas a solução para o problema de ambos acabou sendo o que os uniria, começando com o teatro em comum e arrematando com um mal entendido confirmado por Candy, no desespero de ser aceita. E é aí que a principal trope do livro toma forma, com um namoro falso sendo iniciado da forma mais clichê – com o melhor amigo do irmão mais velho, a quem ela insiste que detesta e ele não esconde desde o início para nós que não corresponde a esses sentimentos.
Não disse nada sobre os outros.
Conhecer mais do Kill foi divertidíssimo demais, porque ele foi fácil se tratando dos próprios sentimentos, apesar de fazer o tipo que se fecha para os outros. Se para todos há uma máscara que cobre boa parte do que sente, em sua narração não esconde o que Candy o faz sentir e é gostoso demais acompanhar esse desenvolvimento, porque passa a não ser sobre aflorar um sentimento da parte dele, mas sobre se permitir e aprender a se abrir, consequentemente, a encontrar o ponto de paz que o faz abrir mão da agressividade e encarar fantasmas que o perseguiam desde a perda do irmão.
Já a Candice, ainda que eu também tenha gostado de ter lido os capítulos na visão dela, não se compara aos do Kill. O desenvolvimento dela foi legal de acompanhar, mas tenho uma ressalva sobre uma cena pela forma com que ela reagiu. Não irei pôr a mão no fogo sobre como reagiria porque a gente só sabe estando na pele, mas não dá para não me questionar se não foi exagero da parte dela, visto que aquilo não desmentia nada, na verdade, acho que declarava ainda mais verdadeiro o sentimento que ele tem por ela.
Mas deixa eu parar por aqui nos comentários sobre isso, porque não queremos dar spoiler para ninguém.
Ainda assim, gostei de conhecer mais da Candy e de quão forte ela é para não só continuar após sentir um sonho escapar, como ainda acreditar em novos sonhos e novos lugares para se pertencer.
Quanto aos outros personagens, Gus aqui teve um momento que me decepcionou um pouquinho, mas eu entendo ele interpretar esse papel, como irmão mais velho e cercado de todo tipo de homem dentro daquele time e fraternidade. É instintivo, provavelmente. Mas a Kira foi tipo zero defeitos, eu a amei ainda mais.
Alice e Ava, Connor e Finn não tiveram muito o que supor durante o desenvolvimento da história, mas é fato que o epílogo me fez simpatizar com o Connor.
Uma coisa que é fácil de perceber nessa série, mesmo após a leitura do segundo livro é que você dificilmente vai ter facilidade em escolher seu jogador favorito ou “namorada do jogador” favorita (aspas porque sabemos que elas são muito mais que isso, mas vamos resumir assim para facilitar). Os garotos podem ter o hóquei em comum, mas suas diferenças vão além da posição no ringue - até porque, Connor e Finnick dividem a mesma. Se por um lado todos tem se mostrado cadelinhas de suas namoradas (e sim, não estou sendo imparcial nesse comentário, mas será só nesse mesmo), por outro cada um é a sua maneira ou que dificulta saber de quem se gosta mais. Já as garotas, são diferentes em tudo, com pontos ainda menores em comum e cada uma te conquista por um detalhe.
Mas todos os oito juntos formam um grupo leal, divertido e que nos deixa com vontade de fazer parte. No meu caso, só sem contato com o gelo, porque não quero me espatifar no chão.
Ps: Essa resenha foi escrita dias depois da finalização do livro, sendo assim, já havia avançado o suficiente para ter concluído o terceiro e por isso não me aprofundei tanto, especialmente sobre os personagens, porque tentei ser imparcial, contando apenas o que me lembro de sentir durante a leitura desse único livro.
Ps²: a nota oficialmente é 4,5.