Mayk é um rapper que atua como guia em um sistema de compartilhamento neural chamado R.E.A.L, onde os usuários são transportados para uma projeção baseada em seus subconscientes.
Neste mundo distópico, onde a tecnologia permite que indivíduos compartilhem uma experiência terapêutica por meio da música, a missão do MC é se conectar com seus ouvintes através da rima, ajudando-os a encarar seus desafios, vencer seus medos e sonhar com um futuro melhor. Aventure-se por essa verdadeira viagem e sinta o poder da música.
Bicho.... acho que de primeira eu queria falar sobre como é bom, como pessoa racializada, poder ver e experimentar do universo de outra pessoa também racializada de uma forma tão sensível. Ainda que todas as histórias sejam -em partes- muito tristes, a tristeza aqui não vem "sozinha". Ela vem acompanhada de tanta sensibilidade e cuidado que tudo acaba sendo mais fácil de carregar.
A narrativa em si e o universo são MUITO interessantes! A progressão de leitura e entendimento é bem fluída, então o tempo e as páginas vão passando de uma forma muito natural. Os desenhos, os personagens, tudo me pareceu muito bem pensado, estruturado, trabalhado e desenvolvido com muito carinho. Eu li a versão física, então poder tocar as páginas e ver de perto mesmo todos os detalhes desse universo foi muito importante. Não sei se a versão pra Kindle tem os depoimentos e etc, mas eles foram muito importantes pra que eu pudesse entender não só o trabalho por trás da história, mas também o que tava passando pela mente dos dois quando tavam desenvolvendo ela.
Como eu já comentei, como pessoa racializada, às vezes é difícil encontrar obras onde o nosso "sofrimento" não tá sendo deliberadamente abusado e explorado. Mas aqui foi muito importante pra mim enxergar como tudo foi tratado com carinho e muito cuidado. Eu sou fã de hqs, então já é meio caminho andado, mas tudo nessa me agradou bastante e deixou com vontade de ver mais sobre esse universo e o trabalho do Mayk e do DJ.
Esta graphic novel demonstra a força literária brasileira em uma de suas mais instigantes expressões, os quadrinhos. O texto orgânico e cortante de Rashid, aliado ao traço inconfundível de Guilherme Match (autor e ilustrador da ótima graphic novel "Kophee"), criam uma atmosfera propícia ao mergulho de uma sentada só. O tipo de obra, inclusive, que tem o mérito de convidar o leitor a outras artes para além dos limites de suas páginas. Rashid e Match compreendem como poucos que por trás da palavra lida em silêncio há sempre a música da oralidade de cada língua.