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A Utopia Urbana

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Esta obra é uma tentativa de aplicação do método antropológico ao estudo do meio urbano, e baseia-se em pesquisas no bairro carioca de Copacabana. Procura mostrar como vivem os moradores de um prédio de apartamentos do tipo conjugado, depois de realizar o sonho de morar naquele bairro 'de qualquer maneira'.

118 pages, Paperback

First published January 1, 1979

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About the author

Gilberto Velho

15 books4 followers
Gilberto Cardoso Alves Velho foi um antropólogo brasileiro, pioneiro da Antropologia Urbana no país.

Graduado em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968). Mestre em Antropologia Social também pela UFRJ (1970). Especializou-se em Antropologia Urbana e das Sociedades Complexas na Universidade do Texas, em Austin (1971). Doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (1975).

Atuou nas áreas de Antropologia Urbana, Antropologia das Sociedades Complexas e Teoria Antropológica. Além de vários cargos acadêmicos, como coordenador do PPGAS do Museu Nacional e chefe de Departamento de Antropologia, foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia - ABA (1982-84), presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais - ANPOCS (1994-96) e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (1991-93).

Foi membro do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (1983-93), tendo sido relator do primeiro tombamento de terreiro de candomblé realizado no Brasil - Casa Branca, em Salvador. Foi também membro do Conselho Federal de Cultura (1987-88).

Em 2000 tornou-se membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (2000) e com a Comenda da Ordem de Rio Branco (1999). Foi colaborador e professor visitante em várias universidades brasileiras e estrangeiras.

Orientou cerca de 100 dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Até sua morte, era professor titular e decano do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Pedro.
41 reviews2 followers
March 19, 2024
As entrevistas são muito interessantes. Entendi melhor como o fenômeno do ideal de jovem urbano não é nada recente.
25 reviews1 follower
June 6, 2025
En este libro Gilberto Vehlo abre un campo de posibilidad de estudio para la antropologia, la de estudiar "lo urbano" desde con una metodología etnográfica. Quizá este hito no seria tan importante si la disciplina no fuese la hija mas rara de la Ciencia. He allí la paradoja del exotismo y tradicionalismo de sus temas y poblaciones-nativos-objetos de estudio (aborígenes, islas desiertas desconocidas para la modernidad, brujería, rituales nativos, bla). Gilberto estudia el edificio donde vive, un monstruo de 450 residentes ubicado en Copacabana (Rio de Janeiro), combina estadísticas y encuestas con observaciones participantes y chusmerio. Su objetivo es estudiar las aspiraciones de irse a a vivir a Copacabana como un proyecto de vida feliz y trabajo. Me hubiese gustado que ponga mas foco en la publicidad de los 50 y 60 que incentivaban el turismo y como sostienen la expectativa de un paraíso rodeado de basura. En fin, tal vez sirva para entender la gentrificación de Palermo y el avance de frontera de Cafe de autor

suena esta canción https://open.spotify.com/track/3lSLbn...
Profile Image for Legosi.
305 reviews2 followers
September 27, 2025
Utopia
nome feminino
1. Estado ou lugar ideal, caracterizado pela perfeita harmonia e felicidade entre as pessoas
2. Descrição de uma sociedade imaginária (futura), perfeita, equilibrada e na qual as políticas se orientam totalmente pelo bem-estar da população
3. Plano ou projeto muito difícil ou impossível de realizar; quimera, sonho; fantasia

Etimologia
Do grego: ou + topos

O tema central deste livro é basicamente a construção social de Copacabana como um símbolo de status, mobilidade social e estilo de vida na metrópole carioca das décadas de 1960/70. Tendo um tom investigativo, a partir de uma perspectiva antropológica, analisa as representações, sistemas de classificação e a “ideologia” dos moradores do bairro, em particular os residentes do Edifício Estrela. Como um bom trabalho antropológico, utiliza da metodologia de trabalho de campo com observação participante e entrevistas, focando no discurso dos indivíduos como realidade central de análise. É uma abordagem interdisciplinar e uma adaptação dos métodos da Antropologia ao contexto urbano complexo. O livro é dividido em quatro pedaços/capítulos: o bairro, o prédio, os outros moradores do bairro, ideologia e imagem da sociedade, além dos anexos com o que sobrou das entrevistas e outros materiais do autor.

No capítulo O Bairro somos apresentados à sua transformação histórica: de área de difícil acesso a “paraíso à beira-mar”, impulsionado pela abertura do túnel (1892), pela verticalização e pela forte especulação imobiliária. Como mecanismo de atração, campanhas publicitárias criaram uma “utopia urbana”, um ideal de vida sofisticado e moderno. Porém, o bairro não é homogêneo: existe uma hierarquia interna em que os moradores classificam subáreas (como o Lido, associado à vida noturna, e o Posto 6, considerado área nobre). Surge, assim, um paradoxo: Copacabana é um polo de atração, quase como um segundo “Centro”, mas ao mesmo tempo revela profundas desigualdades. A estrutura de consumo e conforto é sustentada por uma massa de trabalhadores de baixa renda.

No capítulo O Edifício Estrela: Microcosmo da Metrópole, vemos o perfil dos moradores, formado majoritariamente por inquilinos de classe média assalariada (“white-collars”): funcionários públicos, comerciários e bancários, muitos deles migrantes. As condições materiais do prédio são difíceis, com apartamentos minúsculos de 39m² e problemas crônicos de infraestrutura como água e elevadores. Nas dinâmicas sociais, destacam-se o conflito e isolamento, em que a convivência é marcada por tensões, desconfiança e pela máxima “não me meto na vida dos outros”. Também aparece a pressão financeira e das aparências, expressa na lista pública de inadimplentes, um ritual humilhante que evidencia a luta para manter o status. O prédio ainda carrega o estigma de “baixo padrão moral”, funcionando como bode expiatório para tensões internas. Dessa forma, o Estrela personifica o paradoxo de Copacabana: realiza o desejo de status, mas ao custo de condições precárias, solidão e insegurança.

No capítulo das Unidades Mínimas Ideológicas: O Código de Classificação, temos a formulação das categorias-chave que os moradores usam para justificar a escolha por Copacabana e hierarquizar o espaço social. As principais unidades são: comércio, praia, divertimento, vida (vs. “morte” dos subúrbios), facilidades, movimento, moderno. Esse sistema forma um mapa social coerente, no qual Copacabana é o polo positivo. Mudar para o bairro é sinônimo de ascensão social (“melhorar na vida”), mesmo sem mudança real de ocupação ou renda. Dois valores centrais organizam esse código: a busca por animação/vida e o desejo de liberdade/anonimato.

No capítulo Ideologia e Imagem da Sociedade, encontramos a ideia de mobilidade social baseada no esforço individual: “quem trabalha duro consegue”. Existe também um conformismo político, já que as críticas são dirigidas a indivíduos e nunca à estrutura. A visão de poder aparece em duas dimensões: um poder acessível, associado ao consumo e à moradia (mudar de bairro), e um poder inatingível, ligado ao governo e à política. A sociedade é percebida por uma lente espacial, em que os estratos sociais são definidos pelos bairros.

A obra aponta ainda que a Antropologia precisa de flexibilidade para adaptar seus métodos ao meio urbano, evitando tratar grupos como “tribos isoladas”. O foco está nas representações, partindo do discurso e da experiência existencial dos sujeitos como realidade válida. Há também uma crítica a conceitos prévios, como “alienação”, visto como pouco operacional por impor um julgamento externo. O objetivo é compreender a lógica interna do grupo. Por fim, reforça-se a interdisciplinaridade, necessária diante da complexidade do urbano, em diálogo com a Psicologia, a Sociologia e a Ciência Política.

Na conclusão geral, Copacabana funciona como uma “utopia urbana”, um símbolo poderoso que organiza aspirações e hierarquias sociais. O estudo demonstra como o espaço físico se transforma em um código cultural, no qual o endereço é a materialização do sucesso e da identidade social, revelando as conexões entre espaço, cultura e estratificação na vida metropolitana.

Li pra aula de antropologia brasileira, um bom achado!
11 reviews
July 4, 2023
Incrível.

É um texto acadêmico de antropologia e eu não me sinto capaz de julga-lo nesse âmbito: não é minha área de formação e sou muito pouco versado nos textos da área, não passo de um curioso. Mas sinto que posso fazer dois comentários, um sobre o conteúdo e outro sobre a forma.

Conteúdo
O texto é quase que uma transcrição da reação de moradores de Copacabana a pergunta "Quais motivos te trouxeram para Copacabana?". Pergunta mais que válida num momento em que o bairro crescia vertiginosamente e pessoas abandonavam boas casas em bairros mais afastados pra se tornarem moradores de Copacabana. Nasci e cresci em Minas Gerais e hoje moro no Rio de Janeiro, e sim, farei a distinção de que moro no Jardim Botânico. Não conheço cidade em que seu bairro seja tão importante quanto o Rio: seja quando colegas mais ricos ressaltam morarem no Alto Leblon ou quando colegas mais pobres se distinguem por morar em Madureira ou Bonsucesso; seja Noel Rosa afirmando Vila Isabel em contraposição ao bairro de Wilson Batista, seja Emicida reafirmando que Pixinguinha é lá do Catumbi. O bairro aparece tanto pra expressar superioridade na hierarquia social (fato discutido no livro) quanto pertencimento numa luta social (que o livro não discute).

Por serem apresentadas em sua completude, as entrevistas carregam também inúmeros preconceitos: falas machistas, racistas e (aqui me surpreendi um pouco) antissemitas. Por método, o livro não entra no mérito dessas falas, já que se propõe a responder "Quais motivos te trouxeram pra Copacabana?" se valendo apenas do universo de significados dos próprios moradores de Copacabana. De qualquer maneira, como morador, é impossível não me horrorizar com as falas e ao mesmo tempo, identificar os personagens da lida diária - e, principalmente, os filhos e netos desses personagens. O discurso talvez aparente ser mais progressista (lembro de notícias apontando a vitória de Lula contra Bolsonaro na Zona Sul, mas não na Barra), mas ainda parecem operar com as mesmas categorias: o bairro, a roupa da Reserva, o carro blindado, o passaporte europeu.

Na minha experiência pessoal lembro de quando morei alguns meses num Airbnb no Rio cuja dona se dizia contadora de histórias (fazia trabalho voluntário em hospitais infantis) e vivia do aluguel de 2 dos 3 quartos do apartamento que tinha e de uma pensão da família. Certo dia, comemorando o aniversário com as amigas lembro delas comentando sobre como Copacabana piorou quando "começou a chegar gente feia da Zona Norte". Todas nascidas em berço de ouro e, hoje, falidas. Todas, eternamente, moradoras da Zona Sul.

O mesmo assunto já foi abordado algumas vezes em outras mídias: o documentário "Edifício Master", a reportagem "Documento especial - Os pobres vão a praia" ou o episódio "Varela no Rio" da série de vídeos do Ernesto Varela.

Forma
Uma coisa encantadora do texto é a honestidade do autor. Talvez por ser uma dissertação de mestrado e não uma tese de doutorado e o autor não dispor ainda de tantos subterfúgios pra escrita. Mas muitas vezes ele admite não saber ou completar argumentos com achismos e opiniões. Como o autor se mudou pra Copacabana e escrevia ao mesmo tempo da posição de objeto de estudo e de pesquisador essa escrita direta e honesta parece ter sido uma ótima solução pra essa dualidade.
Profile Image for Ronaldo Lima.
168 reviews3 followers
July 3, 2021
Livro muito simples e direto sobre a vida de da população de um prédio em Copacabana. Mas, nessa simplicidade Gilberto Velho consegue encontrar espaço para uma interessante etnografia de um importante espaço do Rio de Janeiro.
Displaying 1 - 5 of 5 reviews

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