Os autores deste livro estiveram durante semanas no olho do furacão. A comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP trouxe-os para a ribalta. Foram vítimas de julgamentos sumários na comunicação social e no Parlamento. Mas como não aceitam ser reduzidos ao que foi dito publicamente acerca deles e recusam a prudência tática do silêncio escreveram este livro como forma de prestarem contas sobre as decisões políticas em que estiveram envolvidos. Admitem que o debate em torno da intervenção pública na TAP talvez seja uma causa perdida. Vencidos, mas não convencidos, apresentam aqui factos, argumentos e reflexões em torno de um processo que tem tudo para se tornar um caso de estudo.
Este livro é, por isso, um contributo valioso e um convite sério para uma discussão sobre o modo de governar. Nele, Hugo Mendes e Frederico Pinheiro não fogem à controvérsia e desmontam, em defesa da honra, equívocos e atropelos da mais feroz controvérsia política do momento. Um documento essencial para o esclarecimento e o debate, contra o simplismo dos veredictos sumários que dominam o espaço público.
Uma análise interessante e bem escrita da posição dos autores sobre a manutenção da TAP na esfera pública. Ainda que em diversos momentos o livro se cole à defesa dos dois intervenientes no processo da companhia, pareceu-me na maioria do texto uma abordagem séria, honesta e bem construída.
O tema é interessante para mim; admito que assim não seja para muitos. No início, esperava ver abordada a história do SIS. Os autores cedo esclarecem não ser matéria para este texto. Contudo, o interesse com que fui lendo o livro, quase me fez esquecer essa pequena desilusão.
Um livro que também é um workshop sobre o posicionamento político na gestão das empresas, o público e o privado e o papel da ideologia em toda a acção política.
O livro, como o Hugo e Frederico afirmaram na apresentação e no início de um dos capítulos, não é só sobre a TAP e os acontecimentos no pós-pandemia: é um livro de "politics of public policy" - política das políticas públicas. Usa a TAP como pano de fundo (e naturalmente dão a sua visão/lado da história), mas serve essencialmente como guia de como acreditam que devem ser conduzidas as políticas públicas. O livro está bastante bem escrito, o que torna a sua leitura muito agradável e célere.
The book has ups and downs: although often supported with cross references to other authors, like Daniel Kahneman, it seems to be written as a defensive approach to the facts that led to TAP CPI and some of the episodes that happen there. It provides a good perspective of the struggles of public companies management in Portugal, public investment and, obviously, politics.
Independentemente do que se possa pensar sobre o processo em si, que foi amplamente escrutinado, este livro permite-nos conhecer o outro lado das decisões, a defesa da política em que os autores estiveram envolvidos, bem fundamentadas e com análise histórica da decisão e de algum contraditório.
Mas principalmente permite-nos perceber, para além das decisões que se tomam, os vários fatores que estão em cima da mesa numa qualquer tomada de decisão governamental, bem longe da simplicidade que nos querem fazer crer.