O Vampiro foi escrito por John Polidori em 1816, em «duas ou três manhãs ociosas». A obra só seria publicada em Abril de 1819, erradamente sob o nome de Byron, no New Monthly Magazine. Polidori recebeu apenas trinta libras por uma das histórias de horror mais fascinantes de todos os tempos. O Vampiro foi a primeira tentativa conseguida de aglutinar os elementos até então dispersos de vampirismo num género literário específico. Para isso Polidori conjugou o realismo clínico próprio da sua formação com elementos fantásticos a que desde muito novo se mostrou sensível. Polidori foi, por um curto período, médico e amigo de Byron, com quem rompeu de modo tempestuoso. Fragmento de Uma História fazia originalmente parte de uma história que Byron contou em 1816 como contributo para uma sessão de narrativas de fantasmas. Na versão publicada o autor retirou parte dos aspectos «vampirescos» da narrativa original. Não Acordes os Mortos, conto atribuído a Johann Ludwig Tieck, surgiu pela primeira vez em língua inglesa numa antologia de três volumes intitulada Contos e Romances Populares dos Países Nórdicos (1823). Drácula, de Bram Stoker, publicada em 1897, é a mais famosa de todas as histórias de vampiros, devido à atmosfera de pesadelo do sinistro castelo do Conde Drácula na Transilvânia, às deambulações dos mortos vivos e a uma tensão que gela o sangue. Drácula narra a luta de um grupo de homens e uma mulher para destruir o vampiro, cujos caixões são descobertos por Jonathan Harker numa capela em ruínas. Exercendo sobre as mulheres uma irresistível atracção, Drácula possui uma enorme ambição de poder. Publica-se aqui apenas a parte inicial da narrativa (o texto completo sairá, em breve, nesta editora).
Foi uma excelente leitura para quem gosta da evolução da literatura de horror, apesar de falhas na tradução, que não comprometeram a leitura.
Percebi mais problemas na tradução no conto de Polidori. O excerto de Drácula, foi completamente desnecessário, só para fazer volume.
Naturalmente, O Vampiro, de John Polidori, é o grande destaque. Impressiona perceber como um conto de 1819 ajudou a moldar a figura do vampiro aristocrático que mais tarde encontraria a sua expressão máxima em Carmilla e, sobretudo, em Drácula. É uma obra fundamental para compreender a história do género.
A minha maior surpresa, no entanto, foi Não Acordes os Mortos, de Johann Ludwig Tieck. A atmosfera gótica é extraordinária e a forma como aborda o regresso dos mortos e vampirismo torna-o um conto marcante. É fácil perceber porque é considerado uma das obras importantes do primeiro romantismo alemão e um precursor de muitos temas que viriam a ser explorados no horror gótico ao longo do século XIX.
Recomendo esta coletânea a quem queira conhecer o básico das raízes da literatura de vampiros e do horror gótico.
A pretensão de reunir nesta colectânea (as primeiras) histórias de vampiros na literatura, levou-me a criar altas expectativas, que foram defraudadas pelas escolhas dos 3 contos aqui apresentados: o conto do Lorde Byron é uma cópia resumidíssima da história de Polidori, ou então este elaborou melhor a história de Byron. O conto “Não acordes os mortos” de Johann Ludwig Tieck é o único que salva este conjunto de histórias.
E terminar esta colectânea com um excerto do "Drácula", pareceu-me uma forma um pouco forçada de encher páginas, para não dizer chouriços, principalmente quando sabemos que Bram Stoker tem outros contos sobre vampiros.
Esta colectânea de contos não é a melhor, com uma selecção um pouco aquém das minhas expectativas. Dois dos contos eram explorações do mesmo tema, e outro dos quatro era simplesmente um excerto de "Drácula", que eu saltei. O que salva o livro de uma classificação mais baixa é o meu interesse em histórias do género, que supera a falta de qualidade. Só recomendaria a fãs do género, e mesmo esses poderiam arranjar melhor, suspeito.