A História Local desenvolveu-se muito nas últimas quatro décadas [...]. Os historiadores profissionais chamaram-na a si, sem perder a benfazeja feição dos que amam a pátria local, sentimento enraizado de pertença a uma comunidade que se estuda como se pode ou como se sabe. Saber hoje adquirido cada vez mais no ensino superior, caminhando-se para o entrosamento das novas competências com o natural gosto pela investigação do espaço local [...]. A Constituição Política de 1976 modelou o poder local [...] como espaço de intervenção democrática, buscando as origens e o seu desenvolvimento. O reacender dos afectos de que os homens se mostram tão carentes, pode tentar-se, precisamente, pela vivificação de um certo poder local, criador de círculos de sociabilidade através da participação nas coisas públicas. Numa república local não há apenas a gestão camarária, mas a cidade viva, a que constitui, afinal, a república». Considerações prefaciais assumidas no desenvolvimento dos primeiros textos do volume, uma teoria antes de entrar numa localidade, a cidade de Coimbra, na qual se percorrem ruas simbólicas como a dos encantos de Sofia, se adentra nas estruturas sociais e se assiste a conflitos de uma urbe diversa, nomeadamente ao tempo dos cristãos-novos e da adesão da cidade a D. António, rei de Portugal, ao mesmo tempo que se vão encontrando poderes locais como os da Misericórdia, da Câmara e da Universidade nos séculos XVI a XVIII. No horizonte envolvente, uma reflorestação quinhentista. Se Coimbra, cidade, pode ser representada por uma figura feminina de estirpe régia, a Coimbra Universidade, com «coerência e coesão» urbana, é simbolizada pela imagem de um estudante universitário.
ANTÓNIO DE OLIVEIRA nasceu em Mosteiro de Fráguas, concelho de Tondela, em 1931. É licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas (1959) e doutorado em História Moderna (1972), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Nesta instituição iniciou e prosseguiu a carreira académica, sendo actualmente professor catedrático jubilado. Depois do período de formação como assistente, centrou a sua investigação e ensino em problemáticas dos séculos XVI e XVII referentes à economia, demografia, sociedade, cultura e poder político. Desempenhou, entre outros cargos, o de Director do Arquivo da Universidade de Coimbra (1976/80) e fez parte de conselhos científicos sediados em espaços universitários e outras instituições de investigação e cultura como a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, o Instituto Camões e a Escola Superior de Educação de Viseu. Entre os múltiplos trabalhos de índole histórica que publicou encontram- se a dissertação de doutoramento, intitulada A Vida Económica e Social de Coimbra de 1537 a 1640 (Coimbra: Instituto de Estudos Históricos Doutor António de Vasconcelos, 1971-1972, 2 vols., Prémio Nacional de História de 1973); Poder e Oposição Política em Portugal no Período Filipino (1580-1640) (Lisboa: Difel, 1991); Movimentos Sociais e Poder em Portugal no Século XVII (Coimbra: Instituto de História Económica e Social / Faculdade de Letras, 2002); D. Filipe III (Lisboa: Círculo de Leitores / Temas & Debates, 2005 e 2008); Antiquarismo e História. (Coimbra: Palimage, 2013); Capítulos de História de Portugal,(Coimbra: Palimage, 2015, 3 vols.). Faleceu a 1 de Janeiro de 2021.