Três grandes nomes numa obra monumental: «O escritor italiano Antonio Tabucchi chamou-lhe “o poema mais importante do século XX”. A grandeza pode ser difícil de quantificar, mas “Tabacaria” é seguramente um dos mais admirados poemas de Fernando Pessoa e da língua portuguesa em geral. Isto é verdade pela sua inquietante universalidade. “Tabacaria” é sobre a nossa derrota individual e desilusão, mas também sobre o triunfo da imaginação e do sentimento humano. Este poema fala por nós todos. Ensina-nos quem somos.» Richard Zenith
Álvaro de Campos was born in Tavira on October 15th 1890 at 1.30 pm. He had a normal high school education; and was later sent to Scotland to study Engineering, first mechanical, then naval. A holiday trip to the East resulted in the Opiário. An uncle from the Beiras region of Portugal, who was a priest, taught him Latin. Vaguely Jewish-Portuguese, pale olive skin, straight hair, usually side parted, wore a monocle.
In his letter, source for this text, to Adolfo Casais Monteiro, dated Janeiro 13th 1935, Fernando Pessoa writes on the birth of heteronomy as Campos, "when I felt a sudden impulse to write and didn’t know what of", he then adds "suddenly and moving in opposite direction to Ricardo Reis, a different character impetuously emerged. In a flash, at the typewriter, free of interruption or revision, Alvaro Campos' Triumphal Ode was born — the Ode of this name and the man of the man he was."
A little further he clarifies: "When Orpheu was published, I needed something, at the last minute, to achieve the number of pages. Sá-Carneiro therefore suggested I wrote and "old" poem by Álvaro de Campos written before meeting Caeiro and being influenced by him. I therefore wrote Opiário, where I tried to apply all of Alvaro de Campos’ latent tendencies by which he would later come to be known for, but omitting any trace of contact from his master Caeiro. It was one of the hardest poems I have ever written, due to the double effort of depersonalization that I had to develop. But, oh well, I think it came out alright, a budding Álvaro…"
This poem was written by Fernando Pessoa under the heteronym Alvaro de Campos in 1928. It challenges and disconcerts, open to reality - a street and a tobacconist that the poet observes from his attic - and an inner world made of questions and flashes, with sometimes brutal lucidity. If Pessoa, under an assumed name, expresses his pessimism, if he admits his feeling of failure, not without irony, if he perhaps even questions the power of words and, therefore, of poetry to which he devotes his existence, “Tabacaria” remains an elusive and sometimes sparkling work.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?), E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. Sigo o fumo como uma rota própria, E gozo, num momento sensitivo e competente, A libertação de todas as especulações E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira E continuo fumando. Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Versão ilustrada e bilingue deste magnífico poema de Álvaro de Campos (Pessoa). Edição muito bonita com desenhos muito interessantes. Como em qualquer versão bilingue de um poema, algo se perde nas malhas da tradução.
Volto sempre a Fernando Pessoa com enorme prazer. Desta vez, pelas palavras e desenhos de Álvaro de Campos e Pedro Sousa Pereira, respectivamente.
Trata-se de uma edição lindíssima do poema “Tabacaria”. Em versão bilíngue, traduzido para o inglês por Richard Zenith, especialista de Fernando Pessoa. Este livro de capa dura é uma verdadeira obra-prima. Para além do poema fabuloso, um dos meus preferidos, conta com a beleza das ilustrações que traduzem o sentido das palavras e com o entendimento e a paixão de Zenith tão bem explanados no posfácio.
Não vou esmiuçar o sentido do poema. Cada um terá o seu. Prefiro recomendar a sua leitura e de preferência nesta edição para quem não é viciado neste género literário. Os desenhos e a explicação de Zenith completam e explicam os diversos e contraditórios estados de alma do sujeito poético que da janela do seu quarto observa e analisa a tabacaria, a rua, a vida, mergulhando numa rotina movida pela solidão, angústia e pessimismo. A negação do “eu” é uma constante ao longo do poema que inicia com os tão conhecidos quatro versos
“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
"E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. Escravos cardíacos das estrelas, Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; Mas acordamos e ele é opaco, Levantamo-nos e ele é alheio, Saímos de casa e ele é a terra inteira, Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido."
"Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas, (...)"
"Fiz de mim o que não soube, E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido."
"Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra, Sempre o impossível tão estúpido como o real, Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra."
"Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. Não, não creio em mim. Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? Não, nem em mim..."
“I'm nothing. I will never be anything. I can't even wish to be anything. Aside from that, I carry within me all the dreams of the world.”
“Cardiac slaves of the stars, We've conquered the whole world before getting out of bed, But we wake and the world is opaque, We get up and the world looks strange, We step outside, and it is the entire earth, Plus Solar System, and the Milky Way, and the Undefined.”
“After that, the street where the signboard was will die, And so will the language in which the verses were written. Then the spinning planet where all this happened will die. In other satellites of other systems, something like people Will continue making things like verses and living under things like signboards,
Always one thing against another,”
“But a man entered the Tobacco Shop (to buy tobacco?). And the plausible reality of it suddenly falls on me. I half-rise, full of energy, convinced, human, And about to try writing these verses where I say the opposite.”
Saudades de reler Pessoa e a sua (nossa) Tabacaria. Estamos lá, todos os homens e mulheres. Os sonhos, as dúvidas e incertezas, o desânimo, a curiosidade, a metafísica nas mais simples coisas. Lisboa está lá. O poema Português que se faz Mundo. A constante insatisfação de que nada basta. Nunca nada bastará. No entanto, "à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
[...]
Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. O dominó que vesti era errado. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
[..]
Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada. Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, Vejo os cães que também existem, E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, E tudo isto é estrangeiro, como tudo.”
The poem deserves a 5 star rating, yet I had to settle for 3 because of the biased and reductionist afterword by Anthony John Lappin, which concludes that Tabacaria “may take its place amongst the great early-twentieth-century poetry in praise of drug taking.” That single line alone deserves a one star rating. To reduce one of the most profound existential poems to such a shallow interpretation is a distortion that empties it of its force. How disheartening that this passed through the hands of editors and still made it to print, a line that trivializes the poem and diminishes its depth.
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"No soy nada. Nunca seré nada. No puedo querer ser nada. Aparte eso, tengo en mí todos los sueños del mundo".
Esto tiene tanto peso... Muestra un "yo" vacío sin espacio para el deseo, frente a una visión totalmente opuesta de expansión absoluta del mismo yo inexistente pero desbordado ahora por el mundo, literalmente en cuatro versos Pessoa enfrenta el todo y la nada de una forma espectacular
(Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
A poesia de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa ilustrada por belos desenhos do Mário Linhares. Gosto muito da ideia da janela que observa a rua e a cidade. Boa encadernação e excelente oferta para amigos estrangeiros, numa edição bilingue e de introdução ao Universo Pessoa.
"Gênio? Neste momento Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu, E a história não marcará, quem sabe?, nem um, Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras."
fernando pessoa, serás eternamente o maior génio que já existiu. amt
"Meu coração é um balde despejado. Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco A mim mesmo e não encontro nada. Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, Vejo os cães que também existem, E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, E tudo isto é estrangeiro, como tudo."
One of those books it's a pleasure to own, of an author that speaks volumes about everyday existence, contemplation and boredom; Pessoa will never grow old. Beautiful edition too, with English translation, which is a marvel to read as well.
" Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!"
A poem about the dread of being and the unavoidable reality of the absence of hope. For a guy who's not the biggest fan of poetry, I was starstruck at how deep this poem made me feel.