Prato cheio para noveleiros de plantão, biografia do escritor é também retrato da TV brasileira
A vida de Gilberto Braga daria uma tragédias familiares, ascensão social, superações na vida profissional e pessoal. Nesta biografia, que conta não apenas a história de um dos maiores escritores de novela do país, mas também da própria teledramaturgia brasileira, Artur Xexéo e Mauricio Stycer mostram como o Balzac da Globo — comparação justificada pelo fato de fazer do dinheiro, da ambição e da vingança os objetos centrais de suas obras — revolucionou os folhetins, trazendo temas importantes e tratados de forma inédita muitas vezes.
Fruto de extensa pesquisa dos autores, o livro narra toda a vida de a infância com a família na Tijuca, a juventude na Zona Sul do Rio de Janeiro, a paixão pelo cinema, os primeiros trabalhos como professor da Aliança Francesa e crítico de teatro do jornal O Globo, o convite de Daniel Filho para iniciar a carreira na TV, os primeiros casos especiais, todas as novelas e minisséries escritas por ele e as dificuldades pessoais que enfrentou ao longo das décadas, até seu falecimento, em 2021.
Um trabalho completo, que mostra por que o autor merece estar entre os nomes que mudaram a trajetória das novelas no Brasil.
Mauricio Stycer nasceu no Rio de Janeiro em 1961. É repórter e crítico do portal UOL e colunista da Folha de S.Paulo. É autor dos livros ADEUS, CONTROLE REMOTO (Arquipélago, 2016), HISTÓRIA DO LANCE! (Alameda, 2009) e O DIA EM QUE ME TORNEI BOTAFOGUENSE (Panda Books, 2011).
A biografia do Gilberto Braga é um deleite para noveleiros que têm na memória as novelas dos anos 80, 90 e 2000. Com uma narração que equilibra bem os bastidores das obras com a vida pessoal do novelista, o livro esmiuça a mente de Gilberto e seu pioneirismo na escrita e na comunicação com o grande público. É impossível terminar o livro e não ter vontade de rever Vale Tudo ou Celebridade.
Cada livro que a gente lê, é um novo mundo que se abre. É clichê, mas os clichês são clichês por um motivo. Foi assim que me senti lendo a biografia do Gilberto Braga. Como se eu tivesse saindo engrandecida pelo seu tamanho, pela sua cultura, pelo modo que ele traduzia tudo isso no mais clássico dos gêneros do nosso país: a novela. Nem preciso dizer que é um prato cheio para quem cresceu vendo novela e gosta do universo da TV, mas vou além para dizer que é um prato cheio para quem ter orgulho do que a gente produz por aqui. Terminei querendo mais. Mais detalhes sobre os bastidores de cada obra, sentimento, mudança e da personalidade de Gilberto.
O livro é um prato cheio pra entender uma parte do Brasil ao longo de das décadas 70, 80, 90 e o novo século. Leitura obrigatória pra quem gosta de novela, mesmo que não conheça Gilberto Braga.
Antes de tudo há que se reconhecer o trabalho de Mauricio Stycer, ele pegou um projeto já iniciado, mas que infelizmente não pode ser concluído pelas tragedias da vida, mesmo assim, entregou um livro excelente, bem escrito, documentado e esmerado. Com relação ao livro em si, não sou noveleiro, aliás nunca assisti novelas de Gilberto Braga, mas não sou cego e vejo as circunstâncias que me cercam e sei que o dramaturgo tem prestígio e importância. O livro revela que o biografado é uma pessoa brilhante em seu ofício, mas é também muito humano, pois como todos, tinha vários medos, receios e um gênio bem peculiar; teve ainda grandes fracassos na carreira o que não o impediu de ser um dos maiores roteiristas de novela do país.
Realmente ele foi o MAIS MAIS, o maioral, mereceu cada centavo e cada gota de sucesso é muito mais. Além disso, que texto dos autores, simplesmente uma viagem deliciosa pelo século 20 e 21 e sua cena cultural e artística brasileira. Não me surpreendia e deliciava tanto como uma biografia assim desde a biografia de Fernanda Montenegro. Enfim, grandes nomes da nossa cultura tem o dom de impactar.
Achei que “o Balzac da Globo” era um título exagerado, achei errado.