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Pequenas Hemorragias

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Em Pequenas hemorragias, Moacir Fio apresenta doze histórias explorando as profundezas da memória, os limites da realidade e as marcas deixadas pelos mais diversos tipos de horror. A infância e a perda são revisitadas através de caminhos de sonhos, decepções, desejos e traumas, onde as fronteiras do fantástico parecem sempre borradas pela brutalidade do cotidiano. Desde o primeiro até o último conto, este é um livro que estabelece um universo baseado em suspeitas, com identidade e sanidade repetidamente postas à prova diante de um destino sempre em movimento, impermanente como o título de uma das narrativas. Entre despojos e hemorragias, canções e últimos discos, cada conto deste livro é um ferimento por cicatrizar.


“Um policial a encontrou descontrolada, vagando pelas tumbas. Imaginei-a rindo entre cruzes e estátuas de anjos infantis, dançando com as mãos cobertas de sangue, uivando pra lua, arrancando as próprias roupas. Mas a realidade é sempre pior.”

184 pages, Paperback

Published November 1, 2023

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About the author

Moacir Fio

29 books23 followers
Moacir Fio é escritor, pesquisador e editor da revista Escambanáutica.

É autor de "Pequenas hemorragias" (Patuá, 2023) e coautor de "Roteiro Falado" (Escambau, 2023).

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Benjamim Franco.
Author 2 books3 followers
January 4, 2024
Doze contos angustiantes, entre o horror e o insólito.

O assustador não é o sangue ou a violência, e sim, o ser humano e a realidade. Os personagens tem uma constante: são sufocados pelas circunstâncias, e tem motivos para duvidar da própria capacidade de discernimento. Seja pelos traumas, pelas diferentes formas de trabalho e relacionamentos e as formas em que se misturam, ou pelo cansaço. São pessoas exaustas, perdidas, e verossímeis mesmo quando lidam com bichos impossíveis, coaches meméticas, e dívidas de oferendas.

O livro tem toques de humor sardônico, o que não alivia o peso nem por um momento: pessoas traumatizadas imitam o Crazy Frog e inventam mães, memes esquecidos viram terapeutas inclassificáveis, e os arcos parabólicos de pregações bizarras jamais são concluídos. Os comentários sobre as relações sociais, trabalho e política são sutis, de ironia finíssima. Esta é a primeira obra que leio na qual aparece a pandemia do COVID, e que mostra efeitos além da tristeza de um isolamento idílico e reflexivo. Além disso, os cenários, especialmente a cidade de Fortaleza, foram uma grata novidade para mim.

A prosa é poética sem deixar de ser clara, o que é útil na hora de lidar com personagens que podem ser traídos pelos próprios sentidos e expectativas. A atmosfera é pesada, densa, cheia de mistérios que é melhor jamais serem resolvidos. Meus contos preferidos foram O último disco de Wendy O. Williams, que deve ser um tesouro para quem conhece a cena musical de Fortaleza, Amigo morto, que é o conto de abertura, que fala sobre as repercussões de um "acidente" evitável, e Rainha Naja, talvez a personagem mais marcante do livro. Uma das melhores leituras de 2023 para mim!
Profile Image for Lucas Mota.
Author 8 books137 followers
February 9, 2024
É interessante começar essa resenha dizendo que livros de terror/horror em geral não são pra mim. Não é o tipo de literatura que costuma falar comigo. Eu entendo sua importância e seus méritos apesar de tudo isso.
Pequenas hemorragias é um livro de contos que tem a proposta de trabalhar a desorientação como conceito-chave por trás das histórias. Então não é exatamente um livro que busca dar medo, muito embora isso possa acontecer.
Não sou a pessoa mais indicada pra avaliar se isso seria uma novidade dentro do gênero ou se já faz parte de um estilo consolidado, mas posso dizer que pra mim soou como pura novidade. Nunca havia lido nada parecido com isso em termos de terror/horror. A prosa de Moacir é muito madura, há um domínio muito grande da estética textual escolhida, principalmente na condução de diálogos. Os contos também apostam no sutil, no subtexto. Não são raras as histórias onde o final não é exatamente uma explicação ou encerramento de um ciclo narrativo, muitas vezes o contexto todo é necessário para que a gente se aprofunde em suas ideias e temas. Pra todos os efeitos, é um livro desafiador, para leitores que gostam de histórias sutis e que podem vir a exigir um pouco mais de atenção do que a média para que sejam sentidas.
Dentro dos 12 contos apresentados temos vários que são muito bons e exemplificam tudo o que descrevi até aqui, mas existem dois que para mim estão acima dos outros. "A canção de Ari" e "O último disco de Wendy O. Williams".
O primeiro trabalha o desespero do trauma e da injuustiça de uma forma muito interessante, conduzindo a narrativa em um cenário tão desolador que só o "Brasil profundo" poderia sediar. O segundo aposta na cena underground/punk de Fortaleza, muito depois do movimento ter perdido o impacto cultural que ganhou nas décadas de 70 e 80, restando apenas resquícios e misturas, tanto nas ideias quanto no gênero musical. Bandas alternativas e experimentais e uma ideologia que parece ter se diluído com muitas outras coisas com o passar dos anos. Estes dois contos são bons exemplos de como o insólito é tratado em todo o livro, algumas vezes sendo apresentado como algo dúbio, outras como inexistente e ainda outras como de forma mais escancarada e sem margem para dúvidas. Nesse sentido, o recado de Moacir é bem claro: não existe só uma forma de se fazer terror/horror, e o medo é apenas um dos sentimentos que podem ser explorados dentro desses gêneros.
Acima de tudo, este é um livro sobre possibilidades.
Profile Image for Luísa Montenegro.
3 reviews3 followers
January 8, 2024
Os contos de “Pequenas hemorragias” são um soco no estômago. Moacir Fio é mestre em criar ambientações que são, ao mesmo tempo, vívidas e sombrias; personagens profundos e cheios de idiossincrasias; histórias que causam estranhamento e fascínio. É como olhar uma ferida aberta: pulsante, vermelha, impossível de desviar os olhos. Dentre os contos, destaco “O último disco de Wendy O. Williams”, “Rainha Naja”, “Despojos” e “Em silêncio passageiro”, meus favoritos (pela temática, porque o livro é bastante sólido; todos os contos são igualmente bem escritos e trabalhados – o que é incomum para um livro de contos, de autor estreante ou consagrado). “Pequenas hemorragias” é um exemplar do que temos de melhor em horror social. Recomendo a leitura!
Profile Image for Nilo Nobre.
1 review
December 28, 2023
Esse é um livro que merece ser lido várias vezes só pra prestar atenção em como o autor consegue jogar a gente dentro do cenário. É uma leitura muito imersiva.

Além disso, é muito maneiro ver nossos cenários numas histórias viajadas assim. Eu li Lugar Nenhum do Neil Gaiman, A Canção do Cuco da Frances Hardinge e um conto que se passa em Recife e são três narrativas sobre o mundo "abaixo" da cidade aí o conto que dá nome ao livro nos mostra esse mundo inferior e maluco sob a cidade de Fortaleza. Achei muito maneiro.

Personagens muito humanos e que nos fazem sangrar junto, ou torcer para que sangrem mais.
Profile Image for Vitória Vozniak.
Author 10 books21 followers
Read
June 23, 2024
"a inocência é tão somente uma dor que atrasa"
Um livro de estreia que mostra que Moacir sabe do que escreve.
Comecei lendo "pequenas hemorragias" como um livro de terror, mas logo soltei dessa mão e vagueei livre pelas histórias. Meus contos favoritos são Canção de Ari, Projeto de Fim de Mundo e Impermanências. Todos os contos aqui têm personagens com vozes próprias, mas que ainda se conversam. Fiquei com um gostinho de futuro livro de poesia.
Profile Image for Lygia Amador.
17 reviews
December 6, 2023
Comprei o livro na FLIP deste ano (a FLIP do caos) e pude trocar algumas palavras com o autor (muito gentil e simpático). A primeira vez que o li foi na revista Suprassuma, com o conto "Um Ajuste de Ponteiros", que adorei, e, desde então, a cada história que leio dele, percebo um crescimento. Neste livro, sinto que ele chegou no ápice. Como a sinopse promete, são doze histórias com diferentes níveis de horror e violência, mas todas de algum modo perturbadoras, inquietantes, instigantes. Mesmo quando está narrando uma simples viagem de ônibus (no último conto do livro, o excepcional "Em silêncio passageiro"), o autor consegue passar uma angústia que não se sabe de onde vem, como se houvesse uma sombra permanente e, dentro dessa sombra, a certeza de uma monstruosidade.

É difícil escolher histórias favoritas num livro tão equilibrado, mas destaco:
- Amigo morto. É o conto de abertura e já mostra uma habilidade de escrita absurda. São quatro personagens envolvidos em um acontecimento terrível na infância deles, e vamos acompanhando fragmentos de suas histórias em locais e datas diferentes.
- Diáspora. Esse conto me deixou arrasada. É triste e pesado, com gatilhos que só depois de uma boa reflexão a gente percebe o motivo. O tal "bicho" me deixou aterrorizada.
- Rainha Naja. Pra mim, é o melhor conto do livro. Sou mãe de um menino de cinco anos, e doeu me ver tão representada na protagonista, que se vê entre o amor pela filha e o absoluto cansaço. Também achei interessante como o autor sobre mostrar o "outro lado" com a personagem da Rainha Naja, uma coach (provavelmente) traumatizada pela exploração da mãe.
- Despojos. Mesmo não sendo exatamente sobre a pandemia, é o melhor conto sobre a pandemia que já li, simples assim.
- Pequenas hemorragias. O conto-título é também o mais visceral e perturbador do livro. O conto começa indo pra um lado, depois vai pro outro e termina fechando maravilhosamente o círculo da história. O final é uma pérola: "Há feridas que não deixam cicatrizes e nada contam, feridas que desaparecem e deixam a pele pronta pra sangrar de novo. Crimes perfeitos."
Profile Image for Bruno Vial.
2 reviews
January 8, 2024
A vida não tem explicações, ela acontece. E acredito que isso seja algo muito difícil de se transmitir na literatura, especialmente em uma época que é preciso mastigar e justificar tudo, explicitar na escrita o que se deseja colocar e, com isso, quase eliminar múltiplas camadas que uma história pode ter.
Os contos do Moacir não se explicam, eles acontecem.
Tive a sorte de poder ver alguns desses contos antes, tê-los lido a mais tempo. E acredito que isso fez toda a diferença para entender as diferentes nuances que eles trazem agora nessa releitura. Há uma visceralidade angustiante em todos, uma sensação de que algo escapa, mas que está ali na espreita. São histórias que mostram falhas, medos, ansiedades, angústias, remorsos, trazidas com críticas fortes no subtexto e uma construção rica de personagens e cenários que, ao mesmo tempo que não força uma ideia de brasilidade, é muito próxima da nossa própria construção social.
Impossível não se relacionar com a obsessão por Debbie Ridarce em "O Último Disco de Wendy O. Williams" (meu conto favorito, devo dizer) ou não ser absorvido diante da história da Moeda do Lobo em "Amigo Morto" em sua crítica ao sistema. São narrativas que nos impelem sem precisar de preâmbulos, de digressões, pois como todas as boas histórias, elas são o que são.
Sobra sempre uma última pergunta que não precisa de resposta, que nos deixa pensando e ruminando sobre os porquês, investigando as diversas camadas e motivações, fazendo uma imersão que vai muito além da mera leitura.
Em especial, gosto muito da construção das personagens e dos nomes escolhidos. As contradições que elas têm, a forma como se desenvolvem, os traços apresentados em níveis de complexidade me chamam muito a atenção.
Foi uma excelente leitura para iniciar o ano e espero ter mais histórias do Moacir para ler em breve. Recomendo muito a leitura.
Profile Image for Sorry Entertainer.
13 reviews1 follower
November 20, 2024
Doze contos angustiantes, entre o horror e o insólito.

O assustador não é o sangue ou a violência, e sim, o ser humano e a realidade. Os personagens tem uma constante: são sufocados pelas circunstâncias, e tem motivos para duvidar da própria capacidade de discernimento. Seja pelos traumas, pelas diferentes formas de trabalho e relacionamentos e as formas em que se misturam, ou pelo cansaço. São pessoas exaustas, perdidas, e verossímeis mesmo quando lidam com bichos impossíveis, coaches meméticas, e dívidas de oferendas.

O livro tem toques de humor sardônico, o que não alivia o peso nem por um momento: pessoas traumatizadas imitam o Crazy Frog e inventam mães, memes esquecidos viram terapeutas inclassificáveis, e os arcos parabólicos de pregações bizarras jamais são concluídos. Os comentários sobre as relações sociais, trabalho e política são sutis, de ironia finíssima. Esta é a primeira obra que leio na qual aparece a pandemia do COVID, e que mostra efeitos além da tristeza de um isolamento idílico e reflexivo. Além disso, os cenários, especialmente a cidade de Fortaleza, foram uma grata novidade para mim.

A prosa é poética sem deixar de ser clara, o que é útil na hora de lidar com personagens que podem ser traídos pelos pr��prios sentidos e expectativas. A atmosfera é pesada, densa, cheia de mistérios que é melhor jamais serem resolvidos. Meus contos preferidos foram O último disco de Wendy O. Williams, que deve ser um tesouro para quem conhece a cena musical de Fortaleza, Amigo morto, que é o conto de abertura, que fala sobre as repercussões de um "acidente" evitável, e Rainha Naja, talvez a personagem mais marcante do livro. Uma das melhores leituras de 2023 para mim!
Profile Image for Gaby Marques.
96 reviews22 followers
January 16, 2024
Pequenas Hemorragias, de @moacirfio pela @editorapatua, é uma reunião de 12 contos que vão explorar a natureza humana, os limites e as emoções e conexões mais complexas dos personagens que protagonizam essas estórias tão ricamente elaboradas que aguçam a curiosidade do leitor e faz com que a gente devore o livro.

Eu me surpreendi muito com a força dessas narrativas e o quão inteligentes e provocantes elas são. A escrita do Moacir Fio é de uma beleza única e me deixou realmente encantada.

Eu amo contos, como vocês bem sabem, e encontrar esse exemplar maravilhoso do gênero foi uma alegria. Moacir sai muito do lugar-comum e cria narrativas com reviravoltas e rumos inesperados. É de uma criatividade e compromisso com a escrita que impressiona e satisfaz enormemente.

É difícil escolher só um conto favorito, mas acho que "O Último Disco de Wendy O. Williams" foi o conto mais arrebatador pra mim. O cenário é cena pseudoundergraund de Fortaleza com muita música, drogas e uma obsessão que leva a protagonista ao fundo do poço.

São estórias muito marcantes e originais. Eu realmente amei demais o livro e recomendo fortemente a leitura!
1 review
February 29, 2024
Adoro coletânea de contos e o que mais me fisgou nesse livro foi a proximidade da linguagem e dos cenários que se desenvolvem nos contos - a maioria menciona fortaleza ou algum lugar conhecido próximo com uma linguagem bastante reconhecível! Acostumada demais a ler coisas de lugares e pessoas alheias que enquanto lia essas histórias tão palpáveis tive a sensação que iam se assentando de uma forma mais pessoal...e os temas tão familiares também que tudo fica mais ainda assustador: a pandemia e o medo de contaminar a si ou outra pessoa ou de perder alguém querido, a sensação de ter o tempo correndo diante dos seus olhos sem poder fazer nada, memória e esquecimento, ser mulher e maternidade, a sensação de carregar algum fardo de alguma merda que te fizeram ou que você fez na infância/adolescência, arrependimento, inveja, indiferença...enfim, esse livro vai te fazer olhar pra dentro de si para refletir e sentir alguma coisa mesmo que o seu coração seja minúsculo e inoperante igual ao do Grinch!

Difícil escolher um favorito então vou destacar os que mais ecoaram na minha cabeça: Canção de Ari, Rainha Naja e Antes havia pássaros.
1 review
December 29, 2023
Pequenas hemorragias, pequenos furos, lamentos, suspiros, mas que, ao final, nos deixam encharcados das dores do mundo. O autor trabalha com narradores interessantes, ácidos, entediados, irônicos, não dados ao diálogo direto dos personagens, mas que se batem tentando "traduzir" os limites porosos da realidade psicológica dos tipos humanos que cria, todos assombrados por alguma espécie de experiência traumática. Não obstante se tratar de personagens e conflitos mais ligados às vivências urbanas de qualquer cidade mediana do mundo, o autor não esquece de dar um toque de brasilidade aos textos, levando-nos até mesmo para uma Fortaleza obscura e fantasmática. Destaco, entre todos, o conto "Projetos de fim do mundo" pelo caráter metaficcional que muito me atrai. Na expectativa dos novos trabalhos do autor!
Profile Image for Mateus Cantele.
Author 9 books3 followers
February 14, 2024
Pequenas Hemorragias é uma antologia de contos de Horror escrita por Moacir Fio. O primeiro ponto a me chamar a atenção nesse livro é a opção por uma prosa simples. A utilização de um vocabulário cotidiano torna cada história um causo interessante contado por um otimo contador de histórias.
Além disso, o ato de cada história ser em forma de relato, faz com que a nossa percepção seja à partir da cabeça dos personagens; Eles nos revelam as coisas aos poucos, como se sangrassem a história. Em pequenas hemorragias.
Se cada hisitória é um sangramento, o fim vem como um torniquete repentino, levando nos a uma tontura imediata pela interrupção do fluxo.
Pequenas Hemorragias é o horror da realidade, do cotidiano. Ele nos faz encarar os problemas de nossa sociedade, nossas feridas, nossas hipocrisias para que assim, possamos estancar a sangria de nossa existência e sociedade.
Profile Image for Rodrigo Lima.
1 review
December 6, 2023
Grande livro pra terminar o ano de leituras. Esse é pra quem gosta de terror psicológico (apesar do título, ou por causa dele, praticamente não há sangue nem mortes escalafobéticas). O autor consegue brincar com as palavras com uma escrita poética e envolvente. Tal hora eu estavaa completamente envolvido numa história sobre um poeta frustrado, que nas mãos de outro escritor poderia se tornar insuportável, mas que achei uma das melhores (o conto em questão é o Impermanências). Muito dificilmente termino um livro gostando de todos os contos (o que menos gostei foi Projeto de fim do mundo, mas acho que vai ser o favorito de muita gente rsrsrs). Recomendo a compra desse e de outros lançamentos recentes da Patuá, que caprichou nesse fim de ano.
Profile Image for Roseli Barros.
14 reviews
January 5, 2024
Uma das melhores coletâneas de contos que li ultimamente, principalmente porque o autor consegue criar personagens muito diferentes uns dos outros ao mesmo tempo que mantém uma linha os unindo, o que não deixa os contos "soltos". Mesmo que o tema central seja a relação entre memória e trauma, cada histporia vai nos tirando o folego de um jeito diferente. Meus contos favoritos são Despojos, que me deixou assustada como há muito tempo não ficava, e o que dá nome ao livro.
Profile Image for Ayrton Silva.
Author 3 books22 followers
February 28, 2024
Queria escrever uma resenha à altura mas não consigo encontrar as palavras certas. Basta dizer que adorei, parecia que estava alucinando em vez de ler. 5 estrelas. Não consigo nem sequer escolher meu conto favorito na coleção, mas gostei demais de "A canção de Ari", "Rainha Naja", e "Antes havia pássaros".
Profile Image for Ricardo Santos.
Author 10 books25 followers
July 12, 2024
No livro de contos Pequenas Hemorragias, o cearense Moacir Fio nos apresenta uma literatura do abalo. É o cotidiano virado pelo avesso. Presente e passado (ainda mais este) com referências a Fortaleza e região. Mas num registro oposto ao estereótipo do nordeste solar, da descontração e da alegria. É um Ceará das sombras, meio punk, dando outros significados às culturas pop e popular. Lembra o que Mariana Enríquez faz com a Argentina, Buenos Aires e arredores. E o surrealismo macabro de David Lynch, que transforma o american way of life de sonho em pesadelo.

Em suas histórias, Moacir cria sua própria atmosfera de angústia, em que real e imaginário se confundem. Memória com alucinação. Não sabemos o que é pior, estar acordado ou continuar adormecido. E sempre abrindo espaço para o bizarro como fendas enigmáticas no Universo vasto.

Viramos as páginas admirados pela destreza do autor em nos envolver com personagens mutáveis e acontecimentos imprevisíveis. Mas não há artifícios forçados ou elementos chocantes gratuitos. É um caos orgânico. Como se o livro desse ao leitor a habilidade de captar realidades justapostas à nossa, outras dimensões, nos fazendo questionar sobre a condição humana, para assim encararmos nossos mais profundos medos como feridas que afloram.
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