"A maioria das pessoas parece ter, pelo menos, uma pseudociência de estimação. Ficaremos satisfeitos, nestes casos, em plantar no mínimo uma semente de ceticismo que leve o leitor a será?” “Energias curativas, bolinhas de açúcar mágicas, terapias que invocam os antepassados e maluquices inventadas sobre o poder avassalador dos desejos inconscientes operam, todas, sob ‘leis de tapete voador’. Podem render boas metáforas, boa literatura, boa retórica, mas assim como a Odisseia não prova que os deuses do Olimpo existem, uma história bem contada não é necessariamente uma história real.” “Buscamos oferecer uma vacina para o pensamento mágico, um manual para reconhecer mercadores de ilusões e identificar soluções mágicas. Esperamos assim poupar a saúde, o bem-estar e o bolso do leitor.” A ciência é limitada pela nossa capacidade de ver, interrogar e interpretar a natureza. Pseudociências são limitadas apenas pela imaginação, vaidade e, não raro, ganância de seus promotores. Por isso, seu poder de sedução é enorme. E isso, segundo Natalia Pasternak e Carlos Orsi, pode ter consequências perigosas. Os autores abordam os 12 temas e mostram como e por que não passam pelo crivo da ciê Astrologia, Homeopatia, Acupuntura e MTC, Curas naturais, Curas energéticas, Modismos de dieta, Psicanálise e psicomodismos, Paranormalidade, Discos voadores, Pseudoarqueologia , Antroposofia e Poder quântico.
"Quando as pessoas achavam que a Terra era plana, elas estavam erradas. Quando as pessoas achavam que a Terra era esférica, elas estavam erradas. Mas se você que achar que a Terra é esférica e tão errado quando achar que a Terra é plana, então seu ponto de vista está mais errado do que os outros dois juntos."
Livro bom e necessário. Um tapa na cara de quem ainda acredita em bobagens como pseudociências.
Apesar de toda a treta em torno desse livro, sua tese central é simples: algumas atividades não têm os seus efeitos comprovados cientificamente e por isso não temos como saber se funcionam. Claro que os autores exageram como retórica para provar seu ponto, a começar pelo título, mas a ideia fez todo sentido pra mim. Se o objetivo era levar o leitor a questionar os tratamentos, o objetivo foi cumprido.
Livros assim geralmente têm a tese exposta no primeiro capítulo e os demais são exemplos que comprovam o que foi dito no começo. Aqui, cada capítulo é a aplicação da tese a um tratamento diferente. Li apenas os capítulos que me interessavam. Foram eles: astrologia, homeopatia, modismos de dieta e psicanálise (e psicomodismos). Em todos os casos, há críticas interessantes aos métodos e exemplos de estudos que mostram fragilidades desses assuntos como ciência.
O livro é irregular. Alguns capítulos são muito bons, como os da astrologia e da homeopatia, enquanto outros parecem muito superficiais, como o da acupuntura, que abandonei no meio. Ainda assim, valeu a pena ter lido.
Uma última observação sobre a revolta que a obra gerou nos defensores da psicanálise. Vi com interesse as respostas dos defensores, mas sinceramente não vi nada muito consistente. A ver como a história evolui.
Extremamente cirúrgico! Mas com linguagem não tão acessível, o que pode gerar má interpretação do que é dito. Todos são livres para usarem a pseudociência que quiser. Mas todos precisam saber que é pseudociência.
Comecei a ler esse livro de curiosidade devido ao burburinho que ele causou junto a psicanalistas que se sentiram ofendidos em verem a psicanálise em pé de igualdade a tantas pseudociências. Já convivi com diversos psicanalistas e esse livro me chamou atenção porque sempre tive uma pulga atrás da orelha com a psicanálise. Então, a leitura foi iniciada com o objetivo de entender melhor sobre psicanálise, mas acabei me deixando levar pela leitura que me surpreendeu desde o primeiro capítulo com uma explicação bastante abrangente sobre efeito placebo, passando pela homeopatia com uma riqueza de detalhes que, apesar de achar que conhecia sobre, me encantou acompanhar o raciocínio de toda a explicação e sustentação que os autores trouxeram. E isso se repetiu em vários outros capítulos de forma que eu até me esqueci que peguei o livro para ler sobre a psicanálise.
Para além da riqueza de detalhes e o cuidado em referenciar boa parte do que é dito, as histórias escritas pelos autores me chamaram bastante atenção sobre como algumas pseudociências não possuem realmente qualquer sustentação na realidade. Enquanto algumas possuem um registro histórico que a acompanha, como é o caso da astrologia, outras foram simplesmente inventadas para fins de propaganda geopolítica, que é o da Medicina Tradicional Chinesa.
Acredito importante ressaltar que eu venho de um background de ceticismo muito grande na minha trajetória de quase 10 anos divulgando ciência e estudando sobre ciência e ainda assim me surpreendi em diversos trechos por novidades ou pela qualidade na qual os autores conseguiram transmitir uma quantidade gigantesca de informações de maneira agradável ao leitor. Pra mim, esse livro foi uma surpresa muito positiva e fiquei muito satisfeito de terminá-lo, vale realmente a leitura.
Por fim, deixo a minha crítica que inclusive me impediu de dar 5 estrelas para esse livro. A meu ver, o nome e toda a estratégia de divulgação do livro não foi, até o momento, a melhor. Esse livro tem uma qualidade admirável, porém, o seu título "Que bobagem!" e o subtítulo "Pseudociências e outros absurdos que não merecem ser levados a sério" afastam leitores não especialistas, ou seja, é um livro que tem pouco poder de penetração no grande público e apenas "prega para convertidos". Apenas pessoas com um nível de instrução mais alto e que entendem o que são pseudociências se sentirão atraídas por essa leitura. E eu falo isso porque me encaixo perfeitamente nesse público, uma pessoa que trabalha cotidianamente com divulgação científica e tem quase como uso diário a palavra "pseudociência", enquanto na minha casa meus familiares viram a capa desse livro e nem sequer entenderam muito bem do se tratavam (todos com ensino superior, mas de áreas diversas). Portanto, sinto que esse livro merece ainda uma edição que possa conversar com um público mais abrangente, aquele distante da academia e longe de ser especialista em qualquer área científica e que, muitas vezes, é o público que mais sofre com todo o charlatanismo provenientes de várias dessas pseudociências. Para isso, torço também por uma reestruturação na escrita interna do livro que merece uma linguagem ainda mais acessível de maneira menos combativa e mais empática em alguns trechos.
Penso que perdi tempo precioso e dinheiro com tal leitura.... Há décadas , eu e minha família (incluindo dois gatos) utilizamos acupuntura e homeopatia com pleno sucesso. Já fiz psicanálise , fiz dietas diversas com nutricionistas , usei reiki e aprendi bastante sobre astrologia. Obviamente , não esperava eu que tal livro , de capa tão cética , viesse a referendar e ratificar tais realidades , mas ao menos que a dita cientista o tivesse escrito de maneira mais isenta e menos preconceituosa ,talvez com curiosidade de investigar outras verdades , que não as dela. Nas 300 páginas , senti que faltou qualquer humildade intelectual : adotando um tom cínico e jocoso prá lá de tendencioso , a autora vai zombando de práticas terapêuticas e também não -terapêuticas , jogando “aspas” debochadas em tudo , cheia de dogmas materialistas. Daí segue atirando para todos os lados atingindo médicos , psicólogos , nutricionistas e mesmo outros cientistas. A abertura de cada capítulo tem a célebre foto de Albert Einstein mostrando a língua e daí joga umas definições rasas e de forma super antiética atribui aos profissionais coisas como “vaidade , ganância ,imaginação” entre outras desqualificações . Então vai jogando no mesmo saco , discos voadores , curas pela pureza da natureza , paranormalidade. Parece imersa num nevoeiro sem enxergar um palmo à frente do nariz mas desferindo golpes.... A narrativa soa ranheta , caduca , antipática , como partindo de alguém que só resmunga e reclama , distribuindo bengaladas.... Ela parece esquecer que o público-alvo são BRASILEIROS . Temos mente aberta e livre para interagir com temas não -materialistas , entende-los e senti-los , sem aquele ceticismo obtuso que distorce o bom senso humano. Ela definitivamente não parece uma de nós. O que (e quanto) estará ganhando com isso? Que bobagem eu ter lido este livro. Mas exaltando algo que realmente importa : estou lendo um livro incrível , na contramão do dela , “A CIÊNCIA DA VIDA APÓS A MORTE”, de Alexander Moreira-Almeida , Marianna de Abreu Costa e Humberto Schubert Coelho (Editora Springer 2023) . Dois médicos psiquiatras e um filósofo expõem evidências científicas que corroboram com esta sobrevivência (A bibliografia tem 318 referências!) Recomendo demais a leitura. Assim é que se faz ciência!
Raso. Li em respeito e admiração ao trabalho durante a pandemia.
Estudo Astrologia a mais de 15 anos. Comecei a estudar com olhar cético de quem passou a vida vendo como bobeira horoscopo de jornal mas achava que deveria ter mais argumentos para poder defender a minha posição.
Astrologia provavelmente tem mais 15mil anos de história. É muito mais que uma crença que astros influenciam a vida da humanidade. É um tentativa de entender o tempo e como definir ciclos. Se hoje usamos calendários, dias da semana e até mesmo horas, temos que agradecer aos astrólogos da antiguidade.
O livro falha porque é uma leitura preconceituosa, jornalística (no sentido pejorativo da palavra) e folclórica de um assunto que a autora não tem domínio, mas arranha a superfície tentando convencer outras pessoas que partilham dos mesmos preconceitos ao replicar achismos e dados aleatórios.
um livro necessário em uma época em que o negacionismo científico cresce a cada dia, nele é dado todo o contexto histórico da criação das pseudociências e como elas não fazem sentido, a escrita é de fácil compreensão e apresenta de forma crua como a falta de informação das pessoas são usadas por pessoas de índole duvidosa para as manipularem e fazer com elas acreditem em métodos sem comprovação científica, recomendo a todos
Como um cético desde a adolescência, não duvidei que iria gostar de um livro que desmonta o pensamento mágico de maneira tão estruturada. Me pergunto, porém, se o material tem força para furar a bolha cética e chegar em pessoas que ainda estejam dispostas a mudar de ideia. É paradoxal para mim viver em uma era com tanta informação e, ao mesmo tempo, tanta desinformação (e esta ganha em alcance a adoção pela população).
O livro apresenta argumentação coerente e está escrito com valor científico. Para cientistas e acadêmicos, a leitura torna-se especialmente importante para estar em dias com a discussão a respeito do tema.
The book presents coherent arguments and is written with scientific value. For scientists and academics, reading becomes especially important to keep up with discussions on the topic.
Valiosa leitura que provavelmente cutucará algo como tido sério pelo leitor até então.
Penso que poderia ter uma seção maior de referências, mais abrangente, especialmente quando um ponto é ponderado com base em um artigo científico (reforçar com mais artigos, ou meta-estudos, ou ainda livros). Afinal, um dos objetivos do livro é que o leitor pense.
O livro é bom, sim. Para mim não é polêmico. Natália e Orsi seguem a premissa popperiana da ciência, logo, suas conclusões, inclusive sobre a psicanálise, são até óbvias. O livro fica um pouco maçante no final (acho que se rearranjassem os capítulos, melhoraria), mas, no final, é muito bom.
Nesse passeio pelas “pseudociências” podemos compreender e talvez até moldar uma semente de ceticismo nas “certezas” do dia a dia, vale a leitura e a reflexão dos últimos tempos…
Vale a pena a leitura. Tem muita informação interessante, mas a perspectiva dos autores é muito limitada pelo critério de avaliação 'científico' adotado, o qual se aplica apenas a algumas matérias e campos da ciência. Quase ridículo pretender analizar a psicanálise por esse critério. As críticas, muitas delas válidas, seriam mais robustas sem a arrogância dos autores e considerar tudo que não passa nos testes como bobagem.
não me surpreendeu, mas certamente é satisfatório e cumpre o que promete. no caso do famigerado capítulo acerca da psicanálise, até achei que não ficou tão completo assim. mas certamente isso se deve em grande parte ao fato de que é um debate com o qual eu estou mais familiarizado, talvez para pessoas que estejam mais familiarizadas com debates acerca de outras práticas/teorias discutidas no livro também acabem apotando a mesma coisa sobre outros capítulos. de qualquer forma penso que os autores entregaram o melhor que podiam dentro de um espaço limitado, já que não era, no meu entendimento, a intenção deles fazer um debate super aprofundado acerca de cada uma daquelas práticas/teorias.