Cinco anos após o incêndio no Ninho do Urubu que vitimou dez garotos e continua sem responsabilização, a premiada jornalista Daniela Arbex lança livro emocionante com informações inéditas sobre o que ocorreu naquela madrugada
2019. O mesmo ano que entraria para a história do Flamengo como um dos mais gloriosos — o time principal foi campeão do Campeonato Carioca, do Brasileirão e da Taça Libertadores da América — foi também o mais triste de todos. Em 8 de fevereiro, uma tragédia sem precedentes no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do clube, fez toda a nação amanhecer de luto. Vinte e quatro atletas da base que se reapresentaram ao clube após o fim das férias foram surpreendidos por um grande incêndio enquanto dormiam. As chamas, iniciadas pouco depois das cinco da manhã, alcançaram todos os quartos em menos de dois minutos. Os garotos, que se viram encurralados pelo fogo, lutaram até as últimas forças por suas vidas. A tragédia vitimou dez meninos entre 14 e 16 anos e colocou fim ao sonho de se tornarem ídolos no país do futebol.
Daniela Arbex, premiada jornalista investigativa, se lançou em uma extensa apuração para reconstituir o que de fato aconteceu naquela madrugada. Ao reunir laudos técnicos, trocas de mensagens e e-mails, dados e relatos até então não divulgados, além de entrevistas feitas com todas as famílias dos dez jovens, sobreviventes, profissionais da perícia criminal e do IML, Arbex conseguiu montar um quadro completo e elucidativo da trajetória dos atletas, do caminho das chamas — que atingiram temperatura superior a 600 graus Celsius — e das consequências na vida de pessoas que se viram envolvidas em uma tragédia anunciada. Com estrutura inadequada — apenas uma porta de saída — e materiais que não demonstraram ter propriedades antichama, o contêiner-dormitório do Flamengo transformou-se em armadilha fatal.
Longe do ninho é um relato extremamente forte, humano e sensível sobre a morte de meninos que estavam muito distantes de casa e da proteção de seus pais. A obra reverencia a memória dos que se foram e o esforço dos atletas que sobreviveram. Apesar do trauma e do sofrimento que enfrentaram, eles encontraram no valor da amizade a coragem de que precisavam para seguir rolando a bola por si e pelos irmãos de ideal, aos quais passaram a chamar de “Nossos 10”.
Com informações exclusivas, este livro-reportagem é peça fundamental para a compreensão do caso. Mais do que é uma voz potente contra o esquecimento que nega a história.
Daniela Arbex trabalha há 22 anos como repórter especial do jornal Tribuna de Minas. Suas investigações resultaram em mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, entre eles três Essos, o IPYS de melhor investigação da América Latina e o Knight Internacional. Estreou na literatura com Holocausto brasileiro e em seguida lançou Cova 312, com os quais ganhou dois prêmios Jabuti. Recentemente, virou documentarista e seu filme Holocausto brasileiro ganhou as telas da HBO em 40 países. Daniela mora em Minas Gerais.
Acho que já posso me chamar de um fã da Daniela Arbex, tendo lido pelo menos 4 livros dela e alguns materiais audiovisuais que foram baseados nas suas obras.
É mais um ótimo livro jornalístico da Daniela, com bastante sensibilidade e tato na conversa com as famílias e nos relatos de todo o ocorrido. É emocionante, ainda mais pra quem sempre gostou de futebol como eu e nunca teve a chance de tentar seguir pras peneiras por problemas de saúde.
É de uma sensibilidade ímpar, ainda mais por ser um tema tão recente e envolvendo crianças. Não acho que em nenhum momento desrespeitou os familiares ou as vítimas. Achei uma investigação robusta, mas sendo bem franco, não me marcou tanto quanto outros livros, como Arrastados ou Holocausto Brasileiro. De todos os livros dela que li até agora, esse seria a que eu daria a menor nota - um 4/5, ao invés de um 5/5.
Recomendo muito a leitura. Devorei esse livro rapidamente.
É muito triste pensar nesses meninos e suas famílias. O sonho de ser jogador de futebol é muito cruel, mas nada comparado a isso aqui e a tudo que o Flamengo causou antes e depois do incêndio.
Esse é um livraço sob vários aspectos. O caso é tratado em profundidade, com detalhes do alojamento, da vida e histórico familiar dos garotos, das relações de amizade entre eles e como cada um chegou ao dia do incêndio. O dia da tragédia é explicado com riqueza de detalhes de forma justa. O pós-tragédia também é contado com profundidade suficiente para dar ideia dos destinos das famílias e dos jogadores que sobreviveram.
A escrita é muito boa. A leitura flui bem. A autora consegue entregar um prazer na leitura ao mesmo tempo que dá peso ao horror que foi o incêndio no Ninho do Urubu.
O relato é feito dum lugar de empatia com os meninos e as famílias. Dá pra sentir que a Daniela Arbex entrou por completo no caso e nos colocou lá também.
Eu tinha lido Holocausto Brasileiro e me marcou muito. Longe do ninho teve o mesmo efeito e por isso vou colocar o de Brumadinho na lista.
essa é a coisa mais triste que eu já li. acho que nunca tinha tido contato com uma sensação tão desconfortante quanto a que tive lendo esse livro. Daniela Arbex tem o dom de transcrever em palavras as tragédias que dificilmente conseguem sair do lugar de dor perpétua.
chorei muito, de soluçar e ainda me encontro chorando escrevendo essa resenha. mais do que a tristeza, esse livro me fez pensar, principalmente, na morte. e que lugar inabitavel ela é. me pego pensando na minha familia e no meu irmão de 16 anos, meus pais estão envelhecendo e meu irmão crescendo a medida em que me distancio deles para construir a minha vida e lendo Longe do Ninho percebi o quão fadada ao destino estamos. não existe nada que nos proteja da morte.
"Debaixo daqueles escombros havia o futuro. E ninguém está preparado para enterrar o futuro"
eu mal consigo falar sobre a tragédia em si do livro e toda as inadimplências que custaram vidas tão jovens, que simbolizavam uma possibilidade de ascensão social e chance de visibilidade em uma comunidade esquecida. é besteira fazer essa comparação, mas nós já somos sobreviventes de algo e assim como os meninos que receberam esse título, é um amadurecimento da noite para o dia. e não há nada que possa nos devolver a inocência e felicidade que um dia já foi nossa. é uma dor gigantesca que acabou me amedrontando ainda mais.
"Tinha que 'abrir' lugar na minha rotina para outras vivências, desabitar-me para ser habitada pelo outro [...] Afinal, se uma história não é contadam é como se ela não tivesse existido"
Segundo livro da escritora e jornalista Daniela Arbex que leio, o primeiro foi o seu sucesso "Holocausto Brasileiro" que conta a história de maus tratos, descasos e morte do Hospital Colônia de Barbacena.
O livro me serviu mais para conhecer a história dos 10 garotos que morreram no incêndio no Ninho do Urubu em 2019, eu acompanhei bastante as notícias sobre as investigações do porque tal incêndio ter sido tão fatal e acompanhei também as notícias sobre as barganhas e pechinchas nas indenizações que o Flamengo tentou (e conseguiu) fazer com os familiares. Muito recentemente saiu a notícia (oh! que surpresa!) de que NINGUÉM foi responsabilizado pelo ocorrido em 08/02/2019.
Enquanto isso o Flamengo segue arrecadando mais que bilhão por temporada, paga salários milionários para seus jogadores, mas as famílias das 10 crianças mortas, essas viram apenas alguns milhares de reais pingarem em suas contas (com o Flamengo sempre recorrendo das decisões e tentando diminuir ainda mais os pagamentos)
como sempre, quando se trata da Dani, li “de uma sentada só”. sou uma fã declarada da escrita de Daniela Arbex, sempre emocionada, latente e pulsante por essas memórias doloridas e brasileiras, tão nossas que as vezes escolhemos esquecer. Daniela nos lembra sempre porque não podemos. não devemos. não conseguimos. não devemos deixar que esqueçam! nenhuma mãe deveria passar pela dor de perder seus filhos tão jovens, seus sonhos tão mais próximos do toque dos dedos que jamais foram. A morte dos filhos é a morte da esperança. O Flamengo, irresponsavelmente, tirou a esperança dessas 10 famílias. Famílias que confiaram o cuidado e o futuro de seus filhos ao clube, confiaram os SONHOS desses jovens. Dormiram tranquilas achando que tudo estava certo e acordaram para esse pesadelo sem fim. Jamais esqueceremos.
Sou facilmente convencida a ler os livros da Daniela Arbex. E “Longe do Ninho” é uma história real que está muito viva na minha mente, eu li muito sobre isso, pesquisei, enfim. No fundo eu achei que seria um ótimo livro da Daniela mas sem novidades pra mim. Que engano! Que bom engano, aliás. Daniela trouxe relatos e detalhes da tragédia, além de entrar na intimidade das famílias dos jovens de uma forma tão empática e tão respeitosa… comoveu. Uma leitura sensível, com altas críticas à impunidade e um lembrete de que esses 10 jovens não serão esquecidos. Leiam!
Desespero é o resumo desse livro. A autora, como de costume, contou a história de uma forma brilhante e sensível. Chorei em diversos momentos, me compadeci das famílias e senti raiva das pessoas responsáveis pelas escolhas que ocasionaram a perda de vidas de crianças e condenaram ao sofrimento eterno suas famílias. A maior reflexão que deve ficar é que os tomadores de decisão precisam entender a sua responsabilidade e o quanto negligências são perigosas. Situações como essa não podem acontecer e, jamais, devem se repetir.
Independente do tema, a Daniela tem essa habilidade de nos envolver na narrativa de seus livros e neste não é diferente. Eu não conseguia largar a leitura, mesmo sendo uma história tão triste e comovente. O episódio que conta como foi o momento do incêndio é horrível, devastador imaginar o que esses jovens passaram em seus últimos momentos de vida. E mais revoltante ainda pensar que poderia ter sido evitado. Vale muito a pena a leitura, principalmente para não esquecermos dessa tragédia e tentarmos evitar que algo assim aconteça novamente.
esse livro é de uma sensibilidade tão grande, ninguém sabe contar uma história com tanto tato quanto a daniela arbex. mais um livro dela que entra pros meus favoritos do ano.
“Um dia minha mãe me perguntou por que trato de temas tão dolorosos em meus livros. Respondi que, na verdade, não escolho escrever sobre tragédias, mas sobre as omissões que causam tragédias, para que elas não se repitam. Afinal, se uma história não é contada, é como se ela não tivesse existido.”
Daniela Arbex traz uma reportagem completa e muito bem escrita da maior tragédia da história do Flamengo. Os relatos nos aproximam daqueles garotos e de suas famílias, enquanto a apuração mostra o conjunto de erros que resultaram no incêndio, evidenciando a responsabilidade das pessoas responsáveis pelos atletas da base do Flamengo alojados no CT. Leitura indispensável.
Mais uma tragédia que podia ser evitada e não foi, sabe-se lá por que, já que o clube tinha dinheiro pra isso, mas era mais conveniente só continuar pagando multas a fazer o necessário. Esse livro é mais um trabalho emocionante da Daniela Arbex, como já disseram aqui, o livro é mais focado nas vítimas do que na investigação da tragédia, mas ainda sim é uma boa - e necessária - leitura.
Escrita que te prende, parece um romance. Aí você lembra que é não ficção e chora que nem uma criança. E passa raiva, muita raiva e pensa em assistir o próximo jogo do Flamengo. Para torcer contra (eu sei que o problema é mais profundo do que um clube, mas tem que direcionar a raiva para algum lugar).
gostaria muito de um dia poder finalizar um livro da daniela e conseguir falar algo sobre ele ao invés de só chorar, infelizmente, mais uma vez, não vai ser nessa leitura. como sempre, trabalho excelente com uma delicadeza extraordinária ao tocar em um tópico tão sensível.
Daniela Arbex é, na minha opinião, a melhor escritora de jornalismo investigativo da atualidade. Sempre com um olhar sensível e com muito respeito as vítimas das tragédias. Lembrar pra não repetir
o livro mais difícil que eu já li na minha vida. eu sabia que a história era triste, pela tragédia em si, mas é tão mais dilaceraste e revoltante entender as nuances que levaram até esse crime.
Mais uma vez lendo o belo trabalho da Daniela Arbex. Uma série entre barulho do teclado e a tecla de apagar que trabalha incansavelmente.
É difícil, em livros que mexem com nossas emoções, quando ficamos com o sentimento de impunidade, quando a garganta fecha durante a leitura.
Nesse livro, todas essas emoções e sensações transbordaram. O livro que fala sobre sonhos, ambições, sobre juventude, esporte, família e principalmente sobre a tragédia que destruiu o que antes parecia tão puro, naquele dia 08 de fevereiro. Enquanto vivíamos a rotina do dia a dia, quando os pássaros ainda cantavam e as nuvens se movimentavam com a brisa da manhã.
A vida de 10 garotos chegou ao fim e seus sonhos foram encerrados. O incêndio no ninho do urubu, a perda, a ambição, a negligência com aqueles que temos o dever de proteção, o fato de que não podemos voltar atrás, a mudança que seria realizada no dia seguinte, a dor da perda, o luto, a vida que continua, a memória, as imagens desenhadas no muro, a nação do futebol, o pouco caso com as famílias, uma vida que tinha tudo pela frente, um sorriso que foi apagado, 600 graus, a última mensagem de socorro, a proximidade com a porta, o sono profundo e eterno.
Tudo isso relatado de forma profissional, com respeito as famílias, com respeito a memórias dos 10 garotos.
Para que não esqueçamos, para que não seja silenciado.