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Ciência pouca é bobagem: Por que psicanálise não é pseudocência

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Este é um livro-resposta. Para quem se pergunta se a psicanálise é ciência; para quem afirma, sem apresentar evidências, que a psicanálise é bobagem; para quem se interessa pelos processos de produção e validação de conhecimento. Em tempos de "soluções mágicas" de todo tipo, e também de respostas levianas contra essas soluções, os psicanalistas Christian Dunker e Gilson Iannini propõem outro analisar, com o cuidado que a discussão exige, a complexa relação da psicanálise com a ciência, uma relação que é tão antiga quanto a própria psicanálise. Os autores dialogam com críticos contundentes da psicanálise, como Wittgenstein, Popper e Grünbaum, e também combatem os ataques infundados que ela vem sofrendo nos últimos anos, explicitando a diferença entre esses dois tipos de contestação do campo. Lançando mão de abordagens variadas – desde reflexões sobre o fazer psicanalítico emprestadas de textos de Freud e Lacan, posicionamentos históricos de defesa da prática da psicanálise até descrições de experimentos randomizados com duplo-cego e placebo –, Iannini e Dunker constroem um argumento original a favor do pensamento autorreflexivo e do debate intelectual sério. Assim, os psicanalistas são convidados a levar a sério sua atuação e a produção intelectual resultante de seu trabalho clínico e teórico, e os cientistas e divulgadores científicos são convocados a considerar o importante papel que eles mesmos desempenham no mundo atual e a olhar de forma crítica para o próprio discurso e fazer científico. Mais do que somente provar que psicanálise não é nenhuma bobagem, o livro oferece uma reflexão profunda de como se constrói o conhecimento psicanalítico em relação ao conhecimento científico. Defender a cientificidade da psicanálise é bom não apenas para a psicanálise, mas para a própria ciência. Quer defender a psicanálise é também defender a ciência. "A psicanálise pode ser caracterizada como uma ciência, dependendo das acepções de ciência e de psicanálise; como uma contraciência, no sentido de uma crítica fundamentos da ciência moderna; ou até mesmo de uma não ciência, ou seja, como uma prática clínica e uma psicologia profunda. Mas seria sobretudo desleal e pouco rigoroso colocá-la ao lado das pseudociências, como uma impostura, uma versão religiosa ou metafísica malsã, enganando pessoas e fraudando dados."

323 pages, Kindle Edition

Published December 15, 2023

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About the author

Christian Dunker

59 books73 followers
É psicanalista e professor titular do departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. É analista membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. Fez seu pós-doutorado na Manchester Metropolitan University, sendo professor convidado em mais de quinze universidades internacionais. Duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti, por "Estrutura e constituição da clínica psicanalítica" (Anablume, 2012) e "Mal estar, sofrimento e sintoma" (Boitempo, 2016).

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Profile Image for thaís bambozzi.
278 reviews50 followers
April 29, 2024
Uma elegante, crítica e extensa resposta ao artigo da Pasternak e do Orsi sobre psicanálise ser pseudociência. A importância dos pingos nos is, do conhecimento psicanalítico profundo, de um repertório diverso, da técnica meticulosa e de responder cada afronta, uma por uma. Bem coisa de quem tem mapa astral cheio de escorpião, requisito que os autores cumprem, mas coisa de quem acredita com vivacidade na prática psicanalítica também.
Profile Image for J. Roberto .
140 reviews4 followers
May 15, 2024
Este livro pretende ser uma resposta ao livro de Natalia Pasternak e seu marido Carlos Orsi: Que bobagem! Pseudociências e outros absurdos que não merecem ser levados à sério (São Paulo, Contexto, 2023) onde a psicanálise é tratada de pseudociência e equiparada a outras mais “reconhecidas”, como astrologia, homeopatia, reiki e outras. Não li o livro de Pasternak, até porque tinha lido livros semelhantes e mais bem fundamentados, como Imposturas Intelectuais de Brinkmont e Sokal. Mas tinha folheado numa livraria e visto que o livro ia dirigido a um público geral, com argumentos simples, as vezes simplistas, e una bibliografia razoável.
O perigo de dar una resposta é aquela que atribuem a vários autores, Oscar Wilde entre outros, “Nunca discutas com um estúpido, te obrigará a descer ao seu nível e aí ele vai te ganhar.” Dunker e Iannini eludiram essa armadilha. Subiram o nível do debate, exageradamente, demais, o texto parece preparado para especialistas, cheio de referências bibliográficas e usando vários termos usados por especialistas e que são colocados sem explicação. Por outro lado, para o leigo tem muitas coisas que aparecem como repetidas em diferentes pontos do livro, como por exemplo as críticas de Kierkegaard a Freud, ou a comprovação de que a psicanálise é efetiva no tratamento de sintomas.
Teve argumentos que achei petulantes, do estilo de a psicanálise é una ciência porque todo ano se publicam centos do artigos em revistas internacionais de prestigio que passam pelo crivo de referees, ou que Grümbaum, um dos críticos mais sérios, foi convencido pelas evidencias dos estudos clínicos feitos por certo grupo de pesquisas.
Não gostei das coisas contadas a meias, na página 252 começa um parágrafo com a frase: “Lembremos que a contingência é um dos quatro modos da lógica descritos por Aristóteles…”, como se todo mundo tivesse lido Aristóteles e lembrasse da sua lógica de cor. Na página 254, tem una metáfora quase ridícula sobre os planetas, Terra, Mercúrio, Vênus e outros giram há 4,5 bilhões de anos (não verifiquei o dado) sem direito a férias… Na página 256 dizem que na segunda parte de Projeto de una Psicologia, Freud apresenta o caso Emma e que una das questões desse caso refere-se à temporalidade retroativa do sintoma. A discussão continua sem descrever o caso Emma nem os sintomas, como se o leitor fosse obrigado a conhecer. Eu não conheço. Não sou psicoterapeuta nem lembro de toda a obra de Freud, caros Dunker e Iannini. Citei esses exemplos, porque como comprei o livro em papel, não marquei pontos anteriores, mas ao longo do livro se sucedem casos explicados parcialmente ou não explicados, refutação de críticas sem dizer como foram refutadas, coisas que vão ser discutidas mais adiante e que se perdem no inconsciente e assim por diante.
Para coroar, o livro termina com una minibiografia dos autores. Dunker é lacaniano. Não consigo levar Lacan a sério desde que li que para ele a unidade imaginária i dos números complexos é una representação do órgão sexual masculino (tal vez tentava, como dizem os autores, una explicação matemática racional da psicanálise). Também diz que tem filhos gêmeos com ascendente em escorpião, enquanto Iannini diz ser escorpionano com ascendente em câncer. Só posso pensar que se trata de uma private joke dirigida ao casal Pasternak-Orsi.
E já estava esquecendo. Depois de 285 páginas de argumentação os autores concluem que a psicanálise não é nem ciência nem pseudociência… Comprei a refutação esperando aprender alguma coisa sobre os fundamentos científicos da psicanálise, especialmente porque gosto muito dos textos do Freud, mas senti que desperdicei meu tempo.
Profile Image for Carla Parreira .
2,058 reviews3 followers
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April 17, 2025
Melhores trechos: "...A maioria dos textos até agora publicados contra a psicanálise e, supostamente, 'em favor da ciência' peca na maior parte dos critérios ali elencados. O debate ficaria mais estimulante se nossos adversários se dedicassem um pouco mais à crítica de ideias e um pouco menos ao ativismo vazio. Este livro propõe examinar os equívocos básicos desse procedimento, como forma de estimular uma verdadeira crítica transformativa da psicanálise... O homem que joga uma criança na água com a intenção de afogá-la e o de quem sacrifica sua vida na tentativa de salvar a criança. Ambos os casos podem ser explicados com igual facilidade, tanto em termos freudianos como adlerianos. Segundo Freud, o primeiro homem sofria de repressão (digamos, algum componente do seu complexo de Édipo), enquanto o segundo alcançara a sublimação. Segundo Adler, o primeiro sofria de sentimento de inferioridade (gerando, provavelmente, a necessidade de provar a si mesmo a capacidade de cometer um crime) e o mesmo havia acontecido com o segundo (cuja necessidade era provar a si mesmo ser capaz de salvar a criança). Não conseguia imaginar qualquer tipo de comportamento humano que ambas as teorias fossem incapazes de explicar. Ora, o experimento não tem pé nem cabeça, não pode ser sancionado como pertinente por nenhum psicanalista... Freud nunca aproximou a psicanálise da religião, pelo contrário. A aproximação com o espiritismo, feita dessa maneira, é uma afronta típica de quem quer reunir coisas diferentes para dirigir preconceitos contra ambas... Quando o argumento é apresentado sem nenhum representante das escolas epistemológicas que defendem a descontinuidade entre os métodos das ciências, como Ian Hacking, Thomas Kuhn ou Bruno Latour, dizer que não há evidências que não sejam baseadas no método experimental é pretender um monopólio indevido dos critérios científicos... O fato de um tratamento ser experimentalmente eficaz, isto é, demonstrar resultados satisfatórios em condições controladas de pesquisa (validade interna), não garante que ele seja efetivo em condições concretas... O efeito placebo corresponde a 68% do efeito das drogas antidepressivas... Não só o efeito placebo pode ser composto com verdadeiros ingredientes ativos, como a dor não é inteiramente um fenômeno objetivo, mensurável e perfeitamente comparável entre as pessoas. A depressão, por sua vez, parece ser o caso oposto ao da dor: é o exemplo paradigmático do sofrimento indeterminado. Ela se mostra como uma síndrome com uma série de sintomas somáticos e psíquicos desconexos entre si. Alterações de sono, libido e apetite, assim como mudanças de humor, dores e o sintoma mais indeterminado de todos: a anedonia, a perda generalizada da capacidade de experimentar prazer... A transferência é um dos pilares clínicos da psicanálise. Tomada como fenômeno relacional, a transferência está presente na maior parte, senão em todas as formas de tratamento. A separação entre transferência e sugestão, influência, obediência, identificação ou idealização é problemática e difícil de reconhecer em cada caso, ainda que esse problema seja reconhecido pela psicanálise... Em termos lacanianos, a transferência é justamente uma relação de linguagem, organizada em torno da suposição de saber que o paciente faz ao analista, em um primeiro momento, e ao próprio inconsciente, à medida em que a análise transcorre... Mas agora cabe perguntar: quem cria as evidências sobre os métodos de criação de evidências? Em outras palavras, se são Cristóvão carrega o mundo nas costas, quem é que está segurando são Cristóvão?..."
Profile Image for Marta D'Agord.
226 reviews16 followers
July 27, 2024
Os autores justificam, com Dancy, que o ideal unicista do método científico foi abandonado nos anos 1980. Com isso já estamos no caminho para uma abordagem da complexidade bio, psico e social do falasser, nesse sentido eles trabalham a relação entre ciência e Psicanálise. Nesse entre estariam linguagem, discurso e razão. O livro é leitura obrigatória para os praticantes, pois abre questões epistemológicas que interessam aos praticantes dessa ciência êxtima.
Profile Image for Bruno Cesário.
6 reviews
July 14, 2024
Excelente. Texto elegantemente inteligente.

“A psicanálise é a ciência de escutar o que não é evidente no interior da própria evidência, a partir de rastros ou indícios, no vazio da própria evidência”. P.220.
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