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Nanbanjin - Os Portugueses No Japão
Paperback
Published January 1, 2023
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Community Reviews
Displaying 1 - 5 of 5 reviews
July 31, 2024
O título é enganador. Com efeito, deveria intitular-se 'Curta história da expansão Portuguesa na Ásia com um epílogo sobre os contactos Luso-Japoneses'. O facto de termos de esperar até ao quarto final do livro para ler algo sobre o tema que nos levou a comprá-lo é assaz frustrante. Ainda assim, a leitura é interessante, e certamente que relevante para quem se interesse pelo tema dos descobrimentos. O estilo de escrita é um pouco peculiar, no sentido em que tenta recriar um português de época que soa interessante e castiço. Por outro lado, a referência a locais e países pode resultar um pouco nebulosa, porquanto o uso do termo português para locais que normalmente conhecemos por nomes mais internacionais pode ocasionalmente ser confusa. Ainda assim, vale claramente a pena usar e recuperar esses topónimos na nossa língua num livro que é também sobre Portugal e a sua história. O ponto mais negativo acaba mesmo por ser a relativa superficialidade com que o tema do título é tratado. De certeza que há muito mais a dizer sobre o papel que os Portugueses desempenharam no Japão numa época tão tumultuosa da história daquele país, sobre as interações entre mercadores, missionários e daymios locais e sobre o legado que deixámos no País do Sol Nascente e eles em nós.
April 4, 2024
O capítulo sobre os portugueses no Japão só surge bem passada a metade do livro, o que defraudou um pouco as minhas expectativas. Além disso, senti falta de "novidades" quem conheça minimamente a História dos descobrimentos não encontrará ali nada de novo, talvez aqui ou ali encontre uma reflexão original, mas sabe a pouco tendo em conta que o autor é um dos maiores da História da Expansão marítima.
December 16, 2023
Um curto livro, que se constrói de enorme erudição histórica e uma visão crítica sobre a expansão portuguesa. A nossa presença no Japão é o tema do livro, e no fundo o destino de uma viagem que se inicia em Ceuta e termina com a expulsão dos ocidentais das terras do sol nascente (mais por culpa de religiosos espanhóis do que pelas acções portuguesas.
Na óptica deste livro, os descobrimentos portugueses são ao mesmo tempo um jogo geostratégico global e uma busca por riquezas comerciais, com a segunda a tomar a primazia sobre a primeira. Thomaz situa as viagens náuticas portuguesas nos jogos políticos do final da idade média, com a coroa portuguesa a querer expandir a guerra contra o islão nas terras de Marrocos e, em simultâneo, explorar os caminhos para o oriente, procurando pontes territoriais com as míticas terras do Preste-João, e com isso fechar o mundo islâmico numa tenaz de forças convergentes atlânticas, cruzadas europeias e baluartes etíopes.
Se essa era a visão da coroa, não era muito partilhada pelos súbditos, que preferiam enriquecer com o comércio ou o corso. Estas duas visões moldaram os tempos aúreos da presença portuguesa no oriente, um misto de trato comercial, conquista estratégica para controlo de vias comerciais, pirataria e trocas culturais, com os portugueses a tornarem-se mais um elemento do melting pot da Índia e extremo oriente. Como bem nos recorda o autor, não podemos analisar esta historia à luz das visões colonialistas, que assentam num tipo de ideário de expansão territorial e exploração de recursos que só tomou forma no século XIX.
Por entre explorações e tratos comerciais, os portugueses expandiram-se pelo extremo oriente, esbarrando com a isolacionista China, e eventualmente chegaram ao Japão, numa história de amizades, trocas culturais e tecnológicas (das quais as armas de fogo é o aspeto mais conhecido), e a inevitável evangelização do padroado da Índia, que veio a provocar nos senhores feudais japoneses que disputavam constantemente entre si o poder de facto sobre as terras japonesas (o de jure pertencia ao imperador, mera figura de veneração nestes tempos) a apreensão de deixarem de se subjugar à nominal mas tradicional autoridade imperial.
Em poucas páginas, repletas de análise histórica, Thomaz traça o percurso que nos levou ao Japão, mostrando as várias tendências que o moldaram.
Na óptica deste livro, os descobrimentos portugueses são ao mesmo tempo um jogo geostratégico global e uma busca por riquezas comerciais, com a segunda a tomar a primazia sobre a primeira. Thomaz situa as viagens náuticas portuguesas nos jogos políticos do final da idade média, com a coroa portuguesa a querer expandir a guerra contra o islão nas terras de Marrocos e, em simultâneo, explorar os caminhos para o oriente, procurando pontes territoriais com as míticas terras do Preste-João, e com isso fechar o mundo islâmico numa tenaz de forças convergentes atlânticas, cruzadas europeias e baluartes etíopes.
Se essa era a visão da coroa, não era muito partilhada pelos súbditos, que preferiam enriquecer com o comércio ou o corso. Estas duas visões moldaram os tempos aúreos da presença portuguesa no oriente, um misto de trato comercial, conquista estratégica para controlo de vias comerciais, pirataria e trocas culturais, com os portugueses a tornarem-se mais um elemento do melting pot da Índia e extremo oriente. Como bem nos recorda o autor, não podemos analisar esta historia à luz das visões colonialistas, que assentam num tipo de ideário de expansão territorial e exploração de recursos que só tomou forma no século XIX.
Por entre explorações e tratos comerciais, os portugueses expandiram-se pelo extremo oriente, esbarrando com a isolacionista China, e eventualmente chegaram ao Japão, numa história de amizades, trocas culturais e tecnológicas (das quais as armas de fogo é o aspeto mais conhecido), e a inevitável evangelização do padroado da Índia, que veio a provocar nos senhores feudais japoneses que disputavam constantemente entre si o poder de facto sobre as terras japonesas (o de jure pertencia ao imperador, mera figura de veneração nestes tempos) a apreensão de deixarem de se subjugar à nominal mas tradicional autoridade imperial.
Em poucas páginas, repletas de análise histórica, Thomaz traça o percurso que nos levou ao Japão, mostrando as várias tendências que o moldaram.
June 18, 2026
Foi dececionante quando só na página 124 das 224 é que se mencionou pela primeira vez as relações luso-nipónicas. Até aí, falou-se das viagens dos romanos à India, da expansão Manuelina e do papel de Afonso de Albuquerque. Todos servem de contexto histórico mas ocupam demasiado espaço neste livro.
É como se um livro sobre o 25 de Abril falasse da história desde a era de Viriato. O propósito, tal como é feito no Nanbanjin, seria nada mais nada menos do que “encher chouriços”.
É como se um livro sobre o 25 de Abril falasse da história desde a era de Viriato. O propósito, tal como é feito no Nanbanjin, seria nada mais nada menos do que “encher chouriços”.
August 1, 2026
Foi dececionante quando só na página 124 das 224 é que se mencionou pela primeira vez as relações luso-nipónicas. Até aí, falou-se das viagens dos romanos à India, da expansão Manuelina e do papel de Afonso de Albuquerque. Todos servem de contexto histórico mas ocupam demasiado espaço neste livro.
É como se um livro sobre o 25 de Abril falasse da história desde a era de Viriato. O propósito, tal como é feito no Nanbanjin, seria nada mais nada menos do que “encher chouriços”.
É como se um livro sobre o 25 de Abril falasse da história desde a era de Viriato. O propósito, tal como é feito no Nanbanjin, seria nada mais nada menos do que “encher chouriços”.
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