Escrita e é com este título que são reunidos neste volume ensaios de Anne-Marie Christin, que, a partir de pesquisa rigorosa e inédita, de enfoque transdisciplinar – apoiada na antropologia da escrita, na semiologia da imagem, na história da arte –, lançou uma nova luz sobre a literatura. A pesquisadora oferece uma abordagem bastante original e produtiva, a partir de sua concepção da “escrita”, das relações entre a escrita e a imagem, a literatura e a arte, apoiada em postulados como a iconicidade, o intervalo ou o branco intercalar, o “pensamento da tela” ou suporte, a materialidade da letra – o que revela toda a sua pertinência no contexto contemporâneo de reflexão sobre os usos da escrita no universo impresso ou digital.
Este livro me foi recomendado por várias pessoas como forma de auxiliar a análise da linguagem das histórias em quadrinhos. Mas, sinceramente, não concordo com as pessoas que direcionara o livro assim. Embora Christin seja uma sumidade no estudo das grafias, usando uma abordagem principalmente histórico e antropológica, com alguns insights de semiótica, acho que ela fica bem distante dos estudos dos quadrinhos ou até mesmo da área da comunicação, na qual me insiro. Christin por muitas vezes se refere ao pictogramas, aos ideogramas, aos hieroglifos e às escritas chinesas e japonesas. Praticamente em todos os artigos que fazem essa antologia. Na introdução é justificado que a autora gostava de repetir seus estudos com a intenção de atualizar seus achados de pesquisa. Mas vamos combinar que esse recurso passa e impressão de preguiça do autor em buscar novas abordagens e em escrever coisas novas e diferentes. Costumo sublinhar as coisas interessantes que encontro nos livros e neste acabei não sublinhando nada.