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Cabeça de galinha no chão de cimento

Com uma dezena de livros publicados no Brasil nos últimos vinte anos, antologias na Holanda, Alemanha e outras a caminho, Ricardo Domeneck, nascido no interior paulista e radicado em Berlim, é uma das vozes mais autênticas da poesia brasileira contemporânea e uma referência na lírica amorosa homoerótica.

Cabeça de galinha no chão de cimento aprofunda outra senda de sua produção: a do retorno às origens, aos ancestrais, às memórias da infância e adolescência no interior, fortemente contrastadas pelo tempo e pela experiência de vida no exterior, numa tentativa de compreensão de seu lugar e de seu estar no mundo.

Nesse exercício psicanalítico e antropológico, vêm à tona anseios, conflitos e traumas, bem como elos e intuições poderosas, que aqui se desdobram numa lírica dos afetos e da alteridade ― seja em relação aos antepassados, a poetas de sua geração ou a outras espécies animais ―, sempre atravessada pelo erotismo, que, como já apontou o crítico Gustavo Silveira Ribeiro, atua em sua poética como “um campo de força a partir do qual pensar não só os seus próprios gozos e lástimas, mas também algumas das contradições mais agudas do seu tempo”.

125 pages, Paperback

First published January 1, 2023

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About the author

Ricardo Domeneck

35 books22 followers
Ricardo Domeneck nasceu em Bebedouro, SP, em 1977. É coeditor da revista eletrônica Hilda, com Oliver Roberts, e coeditor da revista impressa e eletrônica Modo de Usar & Co., com Angélica Freitas, Fabiano Calixto e Marília Garcia. Seu trabalho foi publicado em antologias na Argentina, Alemanha, Espanha, Eslovênia e Estados Unidos, e nas revistas Cacto (São Paulo), Inimigo Rumor (Rio de Janeiro e São Paulo), Entretanto (Recife), Quimera (Espanha), B2 (Alemanha) , Green Integer Review (Estados Unidos), e Diário de Poesía (Argentina), entre outras. Atualmente, vive em Berlim, onde colabora com artistas plásticos e organiza performances de artistas de multimídia, além de trabalhar como DJ.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Felipe.
Author 9 books68 followers
February 7, 2025
no início era a rua de barro, a casa e o cheiro da casa, as paredes de madeira, lá de dentro se via os pés descalços, o canal ainda limpo e suas balsas boiando lentas, os homens chegando às seis horas vindos não sei de onde. lá dentro as mulheres e seus louvores, suas orações, suas idas à padaria que rendiam cuscuz e salsichas fritas. naquele pedaço de tempo, naquela terra o mundo fazia coisas, se divertia, não avisava o que vinha, não avisava da morte na frente da agência bancária, do ânus ensanguentado no banho frio, do drink de tangerina ali, naquele bar, na esquina da escola, não avisava de falar isso, escrever isso, filmar isso. mas é de lá, daquela casa, daquelas fraldas, das mãos e pés daquelas mulheres que nasce o mundo, foi lá onde ficaram as cabeças de galinhas, as penas impregnadas de morte, a chuva e a febre, a vontade de aprender a andar. deve ser assim para todos os gays, como foi pra ricardo, como foi pra mim, ter febre e aprender a andar, sair de lá, sentir saudade.
Profile Image for Eme de Paula.
72 reviews7 followers
May 24, 2026
Gostei muito. Fica nítido a tentativa de retomar o passado após muitos anos vivendo fora. Essa ancestralidade primeira de pais e avós. Achei lindo o poema Victor Heringer une-se aos eguns. Massa demais.
Profile Image for Thiago Abercio.
96 reviews4 followers
May 31, 2025
Visceral. Anacrônico. Os poemas de Ricardo Domeneck colocam o tempo para sentar e conversar sobre algumas incompreensões, um acerto de contar, talvez. Domeneck, brasileiro radicado em Berlim, portanto distante de sua terra, faz do seu distanciamento uma fresta que o faz ver com mais nitidez as questões do passado que rondam a sua temporalidade, não perdendo de vista as camadas e espaços que de algum modo deixaram para o poeta algum tipo de herança, passível de tantos questionamentos, de um lado, ora de serem acolhidos, por outro. O interior do Brasil, especificamente o cerrado e o pantanal com suas espécies e culturas, constituem a linguagem do poeta, assim como os gestos e rituais familiares, desde as canções de benzedura à coreografia de sua avó que cumpre sua missão de arrancar cabeças de galinhas e lançá-las ao chão de cimento para alimentar os seus.
Profile Image for ana canellas.
21 reviews
June 16, 2026
um pouco irregular — poderia ter menos poemas e se beneficiaria do processo de seleção. mas os momentos bons são muito bons e no geral gostei!

poemas favoritos:
canção da benzedura
are you going to bebedouro fair?
a morte em parcelas
o cio dos peixes-bois
2 reviews
January 19, 2025
Não conhecia o autor e como primeiro contato, me impressionou bastante! Gostei muito dos poemas em que ele faz uma reflexão sobre sua própria "história".
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