Nova Alexandria lança novela inédita de escritora russa Contemporânea de Dostoiévski e desconhecida no país, Elena Gan denunciou as pressões impostas sobre a mulher pela sociedade conservadora. A Editora Nova Alexandria apresenta pela primeira vez no Brasil a novela Tribunal da sociedade, de Elena Gan, autora russa até hoje desconhecida no país, em edição traduzida diretamente do russo. A obra foi publicada originalmente na chamada Era de Ouro da literatura russa, durante a primeira metade do século XIX, ao lado de mestres, como Dostoiévski e Tolstói. Em Tribunal da sociedade, Gan compõe uma combinação original de estilos (romântico, gótico, satírico-irônico) e de gêneros (autoficção, carta, novela), para criticar duramente as violências impostas sobre a mulher no ambiente da sociedade aristocrática e conservadora de sua época. A história é narrada por três uma mulher-escritora.
Não gostei... A primeira parte me parece completamente avulsa às outras duas; entendo que ela serve para estabelecer a relação sobre o surgimento e a existência das cartas que compõem as partes 2 e 3, mas toda a história sobre a narradora (quem ela é, como ela sofre com o preconceito por ser uma mulher escritora, a relação dela com a sobrinha do Vlodínski...) está desconectada do restante da história, além de ser apresentada de um jeito meio picotado e não linear, que só serve para causar confusão. Dito isso, o grande enredo desse livro se resume à história de amor entre Vlodínski e Zenaida, perpassada pelas opiniões do "tribunal da sociedade", que os leva à tragédia. Não me parece nada revolucionário ou interessante que a maior parte do livro (a segunda) seja narrada pelo ponto de vista de um homem, nem que, no final, a mulher o perdoe, se revelando como um ser da maior pureza e bondade ("um anjo em pessoa", provando Vlodísnki certo em seu julgamento). E, assim, o grande protagonista da obra acaba sendo o próprio Vlodínski em sua relação com o tribunal da sociedade.
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Essa edição traz a tradução inédita da novela Tribunal da Sociedade, de Elena Gan, autora russa da primeira metade do século XIX. Na literatura russa dessa época, as mulheres estão presentes mais como personagens, sendo estas marcadas pela ótica masculina.
Elena Gan (1814-1842) foi uma das mais talentosas autoras da primeira metade do século XIX. Elena nasceu na província de Kiev, na Ucrânia. A novela de Gan Tribunal da Sociedade, é constituída por três partes, cada uma delas narrada por personagens diferentes: mulher-escritora e dois protagonistas, Vlodínski e Zenaida.
Apesar de seguir a estrutura e a linguagem clássicas do Romantismo europeu, como o foco no campo semântico do sentimentalismo, da sublimação e do pessimismo em relação ao mundo real, a novela traz um componente transgressor, embora sutil: a crítica à idealização da mulher romântica, a uma sociedade preconceituosa e ao comportamento do homem romântico.
Percebo que Elena Gan foi uma escritora transgressora e defensora dos direitos das mulheres em Tribunal da Sociedade. Às críticas à sociedade da época e ao modo como a mulher “pensante” era tratada são sutis, mas estão presentes em tal obra. Talvez por isso ela tenha sido esquecida em meio aos demais autores contemporâneos, como Dostoiévski, Tolstói e Púchkin.
São muito raros os textos de autoras russas do século XIX que temos acesso. Esse é um dos poucos exemplos e foi uma ótima descoberta.
Elena usa a história de um homem e uma mulher da nobreza para mostrar as amarras e limitações impostas às mulheres na época e o peso do julgamento moral da sociedade, que poderia arruinar a vida de uma mulher que não estivesse disposta a jogar e representar o papel que lhe foi destinado. Ter essa história contada pelo ponto de vista de uma mulher faz com que a representação seja mais fiel e com menos julgamento.
Eu adorei a escrita e a leitura fluiu facilmente. O livro é dividido em 3 partes e cada uma é "narrada" por uma pessoa diferente. O estilo é romântico, cheio de sentimentalismo, mas ainda assim muito menos piegas que os primeiros escritos de Dostoiévski, por exemplo. Adorei e espero que outros textos dela sejam traduzidos também.