O romance conta a trajetória de Áurea, uma mulher negra que, perto dos 60 anos, está se formando no curso de Educação de Jovens e Adultos. Prestes a receber o diploma, começa a rememorar a vida desde a infância e a luta para sobreviver em meio ao racismo e à discriminação aos pobres. Narrado em primeira pessoa com linguagem simples e direta,o livro retrata as últimas décadas do Brasil, numa história que é também de tantas mulheres que,invisibilizadas pelas nossas seculares chagas sociais, carregam o país nas costas. O autor,filho de empregada doméstica e ex-aluno da rede pública de ensino, ouviu relatos da própria família para a construção do romance.
Henrique Rodrigues nasceu no Rio de Janeiro, em 1975. É doutor em Letras pela PUC-Rio e trabalha na gestão de projetos de incentivo à leitura. Participou de várias antologias e publicou livros infantis e juvenis. Pela Record, lançou o livro de poemas "A musa diluída" e organizou as antologias de contos "Como se não houvesse amanhã" e "O livro branco", inspiradas respectivamente nas músicas da Legião Urbana e dos Beatles.
Áurea é uma personagem forte, com uma história de vida marcada pela discriminação e falta de oportunidades. A sua vida decorre entre altos e baixos que vai superando.
Ela apenas sabe ler, tem que aceitar trabalhos humilhantes. Não tem apoio dos homens que ama, mas tem uma forte motivação para vencer: os seus filhos.
Uma boa história, bem narrada, realista que me prendeu desde a primeira página até à última.
Não conhecia o autor Henrique Rodrigues nem tinha ouvido falar desta sua obra até a mesma ser escolhida como a leitura de abril do clube de leitura O Prazer da Escrita.
Devo admitir que foi uma agradável surpresa!
Este livro narra a comovente história de vida de Áurea, uma mulher com um sonho: formar-se.
Ao longo da obra, acompanhamos os inúmeros obstáculos que surgem no seu percurso, gerados pela discriminação racial e pela fraca mobilidade social que marcavam a sociedade brasileira à época. Todavia, todos se revelam insuficientes para travar esta resiliente personagem feminina, que representa tantas mulheres que viram e veem os seus sonhos serem adiados por serem pobres, negras ou simplesmente por serem mulheres.
É uma leitura viciante e emotiva, que me prendeu desde a primeira página.