Uma pré-adolescente que nunca conheceu os pais, criada pelos avós numa cidade pequena, numa casa cercada por segredos. Uma vila de trabalhadores e pequenos comerciantes vivendo sob o jugo das autoridades locais, durante os anos de ditadura militar. Este é o cenário em que se passa o belo romance de Ana Cristina Braga Martes, Sobre o que não falamos. Espécie de romance de formação, o livro acompanha a jovem protagonista em sua luta para desvendar o mistério sobre seus pais, que será também uma jornada de descoberta das palavras, da história política do país e de sua própria identidade. Com rara sensibilidade psicológica e talento narrativo, a autora nos faz acompanhar os desafios externos que a protagonista enfrenta e os seus dramas internos com igual intensidade. Unindo a experiência de socióloga a um depurado poder de observação das relações humanas, Ana Cristina Braga Martes nos dá, neste romance delicado e envolvente, um retrato fiel de uma época e uma análise viva de alguns dos problemas mais persistentes da sociedade brasileira, como a injustiça, a herança da ditadura, a violência contra mulheres e as desigualdades de raça e gênero numa sociedade fortemente patriarcal.
Una leitura que me despertou cheiros. De grãos guardados em sacos de juta no armazém. Da água com cloro da piscina municipal. Da carne morta no açougue do bairro.
Clara, a protagonista, nos mostra e nos conta uma parte de sua história. Se acha mediana, simples e invisível. A fazem acreditar que é quase alguém, ou quase nada.
Por sorte ela não cala a coragem que sempre esteve dentro dela. Foi ouvir e falar. Denodo!
Eu gosto de ler livros narrados pela percepção de crianças porque, mesmo escritos por adultos, carregam uma carga emocional profunda e uma sinceridade que parece transbordar da infância — essa fase que tanto molda a vida adulta. São frases ouvidas, experiências marcantes e pequenas memórias que são transformadas em ficção.
Em Sobre o que não falamos, acompanhei a trajetória de uma adolescente que nunca conheceu os pais e foi criada pelos avós, vivendo durante o período da ditadura no Brasil. Enquanto desbrava a própria história pessoal, ela também descobre a dura realidade em que vive — uma realidade de injustiça, silenciamento e repressão. Através das palavras, a protagonista começa a entender a força que vem de conhecer a verdade.
Livros como esse sempre me fazem questionar: Onde estavam as pessoas naquela época? Por que não se indignavam? Ao mesmo tempo que me faz pensar nos dias de hoje, quando vemos guerras acontecendo e muitas vezes escolhemos o silêncio ou a ignorância, sem mergulhar na história para compreendê-la e agir. Histórias assim nos desafiam a não repetir esse ciclo. Elas entrelaçam a memória com a ficção, nos ajudando a revisitar o passado e refletir sobre nossa posição no presente. São lembretes do poder transformador que as palavras e o conhecimento têm em nossas vidas. A leitura é muito fluída, daquelas que você não consegue largar. Li o livro inteiro em um final de semana. Vale a pena mergulhar nessa história.
se propõe a escrever na visão de uma criança e falha: ora parecendo um adulto, ora não alcançando a imaturidade da idade proposta, ora se confundindo com a maturidade de uma criança um pouco mais velha. se tentarem argumentar que é uma escrita caracterizada pelo processo de amadurecimento da clara, eu nego. mera desculpa por uma narração mal feita. existem livros com uma narração infantil poderosa e coesa (alô, mariana carrara) mas esse aqui tenta muito ser algo como se deus me chamar não vou e só erra. outra coisa: a alegoria das borboletas é fraca, tenta ser muito mais do que é. os personagens são rasos. a dimensão das opressões não é impactante. o cenário brasileiro parece completamente desvirtuado da realidade da época, e não de um jeito que demonstre a alienação da vila em que a protagonista vive mas de um jeito que parece que ela não vive em lugar nenhum. péssimo. chato do começo ao fim. me forcei a terminar pra poder criticar com gosto.
O livro consegue tocar com maestria temas centrais do ser humano e especialmente da realidade brasileira! Tive que fazer uma pausa na leitura por ter esquecido o livro em outra cidade, fiquei muito feliz por ter concluído a leitura!
Uauuuuuuuuu!!! Meu irmão me deu esse livro de aniversário por indicação de uma amiga e tô sem palavras! O livro consegue transmitir uma inocência, mas ao mesmo tempo uma sagacidade por parte da narração que sai de tirar o fôlego!