Esta colectânea engloba contos ou ensaios de sete autores/as da América Latina, cinco mexicanos, uma uruguaia e uma argentina, subordinados ao tema da saúde mental, aquela que tantas vezes é negligenciada e menosprezada por ser como “uma canção sem volume”.
Enquanto Fernanda Trías discorre sobre a dependência do álcool, Brenda Navarro fala sobre a perda gestacional e Jazmina Barrera sobre a doença de Alzheimer.
No logro sacudirme esa ideia: que nos pidió muchas veces que la aydáramos a morir y no supimos escucharla. (…) Queríamos que se quedara y a veces nos sentíamos mal, culpables, por desear que se muriera.
Emiliano Monge e Guadalupe Nettel escolheram um tema semelhante, os ataques de raiva, que no primeiro caso se manifestam em violência física contra os outros e no segundo em partir louça como escape. Guadalupe Nettel faz nesta história um comentário que me ocorre muito: a fúria que não é extravasada e vive reprimida dentro das pessoas pode envenená-las.
Si arrojar una olla me produce felicidad, nada debe impedir que lo haga. A fin de cuentas, la propriedad sirve para eso, para poder disponer de nuestros bienes como mejor nos plaza.
O conto de Dolores Reyes, sobre o luto, foi o único que me desiludiu e apesar de não ter ficado deslumbrada com o ensaio de Lydia Cacho, apreciei a oportunidade de ouvir (em audiobook) uma jornalista que sofre de ansiedade e vive no exílio em Espanha desde 2023, depois de ter sido torturada pela polícia e sofrido vários atentados, inclusive invasão de domicílio e assassinato dos seus cães, por persistir corajosamente na investigação e denúncia do tráfico humano, corrupção, narcotráfico e violência contra as mulheres.
Mexico es un país de pax mafiosa, donde se extienden los asesinatos contra periodistas y activistas y los cadáveres se cuentan de dos en diez. Allá la vida hace rato perdió importância y por eso me há dolito tanto que algunos de mis colegas piensen que débi quedarme para morir.
-“Marabunta”, de Fernanda Trías - 4,5*
- “Cosas que hasta entonces non habían estado ahí”, de Emiliano Monge – 4,5*
-“Acapulco”, de Jazmina Barrera – 4*
-“Una cancíon sin volumen”, de Brenda Navarro – 4,5*
- “Vivir en esta cabeza”, de Lydia Cacho – 3,5*
-“El Derecho a la Ira”, de Guadalupe Nettel –4,5*
-“El Ultimo Vuelo”, de Dolores Reyes – 2,5*