Depois de ter lido um ótimo livro sobre a Filosofia do Cuidado, mas escrito por um homem, vim ler este A Ética do Cuidado, que é escrito por uma mulher. Essa perspectiva é importante porque o conteúdo e a análise mudam completamente de direção. Enquanto no outro livro tínhamos algo bem defendido, mas com uma noção mais universal e masculina do cuidado, neste entendemos o quanto nossa noção de cuidado está generificada e, mais que isso, relegada ao feminino. Se por um lado a noção de salvação, ou seja, de uma ação que redime os demais e é pontual, está atrelada ao masculino, o cuidado, uma atividade repetitiva, que se estende no tempo e exige dedicação, está associada aos princípios femininos. Talvez porque o cuidado exige uma espécie de submissão às vontades de quem está sendo cuidado, como a autora aponta no livro, e historicamente o feminino acaba se curvando ao masculino. Entender essas relações de gênero na sociedade e nos mais diversos estratos e atividades sociais é maravilhoso para se entender os mecanismos de opressão a que somos submetidos.