“Decaído”, na linguagem dos instrutores do Bope, tropa de elite carioca, é um termo para designar os soldados convertidos em mercenários. Aqueles que cruzam a linha do bem para o mal, como Lúcifer, o anjo decaído que se rebelou contra Deus. Não que esses policiais se julguem anjos ou demônios. Mas com o treinamento que recebem, vem também a capacidade de escolher entre a vida e a morte de seus alvos. Um poder divino nas mãos de jovens condicionados à batalha e submetidos a uma rotina de forte estresse. Esta é a história do capitão do Escritório do Crime, Adriano Magalhães da Nóbrega, o aspirante a oficial da Polícia Militar, infiltrado no Batalhão de Operações Especiais, o temido e famoso Bope, para servir à máfia do jogo do bicho.Em duas décadas, ele se tornou o chefe de uma implacável milícia de assassinos de aluguel, passou a explorar cassinos clandestinos e manteve laços de amizade com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro.
É um livro para quem gosta desse tipo de literatura (jornalística/investigativa). Complementa, em algumas partes, o que foi visto na série do Globosat (Vale o Escrito), focando na vida do Adriano. Vale a leitura para compreender porque RJ é o que é.
O livro de Sérgio Ramalho traz a história de uma pessoa que de forte influência dentro do BOPE percebe a oportunidade por meio de uma prisão de um membro da família Bolsonaro em se aproximar do então deputado federal e quem sabe, quem sabe, se tornar alguém do "outro lado da linha", pois ele mesmo sabia da fama da família. Deu no que deu. O tal deputado virou presidente, o rapaz preso virou político e o ex-integrante do BOPE chefe de um quartel generalizado de corrupção, assassinatos, sequestros, jogo do bicho e muito mais, até ter o fim que teve no interior da Bahia. Mais um filme mostrando a verdadeira face do "mito" e suas consequências para o país.