Esse ano, além de continuar na força-tarefa de ler fantasias de autores nacionais iniciantes, resolvi também ler mais clássicos da fantasia e ficção científica.
Esse livro não estava nos meus planos - Ray Bradbury está na minha lista inicial de leituras pra 2016, mas com Fahrenheit 451 (como livro de ficção científica de Julho para o Grande Desafio do Culto Booktuber) - mas foi aquele tipo de livro que surgiu na minha frente e que acabei lendo por pura inércia.
Há uns meses, meu professor de desenho me emprestou esse livro por conta da arte, que vale o destaque: o livro é todinho permeado por ilustrações incríveis em preto e branco de quatro grandes artistas: Overton Llody, Steranko, Gahan Wilson e Moebius. O livro acabou ficando em um canto e só peguei pra ler mesmo porque comecei a ficar com vergonha do tempo que estava demorando pra devolver o livro (e também porque o livro é bem curtinho, então não tinha muita desculpa).
Achei o livro como um todo bom, mas nada mais do que isso. Daria três estrelas...
...Não fosse por The Fog Horn, um conto INCRÍVEL. Falo mais dele em breve.
O livro começa com "Besides A Dinosaur, Whatta Ya Wanna Be When You Grow Up?". É um conto bem bizarro, que conta a história de um menino obcecado em ser um dinossauro quando crescer e sua relação com o avô. A relação entre os dois personagens é bem bonitinha, o fim é bem interessante, mas o conto em si é meio chato e tem uma atmosfera esquisita, muito falsa, um non-sense que - pra mim - deixou de ser non-sense e virou uma inverossimilhança esquisita. Nota 3/5.
Depois vem o conto "A Sound of Thunder". Esse tem uma premissa bem interessante: no futuro, uma empresa faz viagens turísticas ao passado, onde são armados safáris para caça de dinossauros. A premissa é muito legal, mas achei a execução meio chatinha também. A impressão que tive é que o conto é corrido, mas o fim é bem legal. Nota 3/5.
Entre os contos há também alguns poeminhas infantis sobre dinos, e o primeiro é o "Lo, the Dear, Daft Dinosaurs!". Gostei dos poeminhas, bonitinhos! (Não vou dar nota porque não sei como lidar, pode ser?)
Depois vem ele. O CONTO. "The Fog Horn". O conto é MUITO bom. Sim, a premissa é incrível, mas o modo com que o conto foi executado faz você se sentir dentro do livro. É um conto muito sensorial, e que toca em coisas filosóficas muito interessantes. A estrutura do conto é até meio esquisita, quase toda pautada em diálogos enormes - praticamente monólogos alternados -, mas são diálogos muito bons. (Curiosidade: esse conto deu origem a um filme de monstro, The Beast from 20,000 Fathoms. Não assisti, mas andei lendo aqui que ele deixou a desejar. Como amei o conto, o filme fica pra próxima). Esse conto foi 5/5.
Mais um poeminha vem depois, "What If I Said: The Dinosaur's Not Dead?". É um poeminha bonitinho e muito verdadeiro, já que ele diz como TODO mundo tem em si a vontade de acordar e descobrir que nem todos os dinossauros estão mortos. Hehe... (Sem nota também).
Por último, vem o conto "Tyranosaurus Rex". Ele é bem bizarro... Hahaha... Conta a história de um artista que faz miniaturas de dinossauros para filmagem e tem uma relação conturbada com o diretor do filme, que fica botando defeito nas criaturas que ele esculpe. Bem esquisito, apesar de divertido. Nota 3/5.
Se o livro não tivesse "The Fog Horn", recomendaria o livro apenas pra quem fosse muito fã de Ray Bradbury ou de dinossauros. Mas o conto é tão bom que vale a pena ler o restinho do livro, que é bem curtinho, só pra aproveitar esse texto.
Leitura inesperada, mas interessante. :)