Incrível antologia desta autora.
Deixo-vos uns excertos:
"O mundo apresenta-se claro
mesmo em profunda escuridão.
A todos é concedido por um preço acessível.
E ninguém pede o troco à saída da caixa.
Quanto a sentimentos - satisfação. E nada de parêntesis.
Vida com um ponto final nos pés. Ao som das galáxias."
"A História arredonda os esqueletos ao zero.
Mil e um são sempre e apenas mil.
Esse um é como se nunca tivesse existido:
embrião imaginado, berço vazio,
cartilha aberta para ninguém,
ar que ri, que grita e cresce,
escada para um vazio que dá para o jardim,
lugar de ninguém numa fila.
Foi aqui, neste prado, que se fez carne.
Mas o prado cala-se como testemunha subornada."
"À noite, no céu, brilhava uma foice
que ceifava o pão sonhado.
Voavam mãos de ícones enegrecidos
segurando nos dedos cálices esvaziados,
Na grelha de arame farpado,
um homem balouçava.
Cantava-se com terra na boca. Um belo canto
sobre como a guerra atinge direito o coração.
Escreve, quanto silêncio reina aqui.
Sim."
"O nosso saque de guerra foi conhecer o mundo:
-é tão grande que cabe num aperto de mão,
tão difícil que se deixa descrever com um sorriso,
tão estranho como o eco de antigas verdades numa prece."
"Sou um péssimo público para a minha memória."
E tantos, tantos mais. Leiam e reflitam e escrevam sobre estes poemas.