This collection of poetry by Andrade urges us to experience joy, affirm the life of our senses, and return to our innocent wonder at the beauty and magnificence of the world in which we live.
The Portuguese poet Eugénio de Andrade, pseudonym of José Fontinhas, is revered as one of the leading names in contemporary Portuguese poetry. His poetry is most striking for the depth of his short poems. One of Eugénio de Andrade's most known poems is his Poem to Mother. In 2001, he received the Portuguese award Prémio Camões.
Como refere Fernando Pinto do Amaral no prefácio deste livro “Saber dar atenção às coisas simples é às vezes o mais difícil”. E assim é a poesia de Eugénio de Andrade… uma simplicidade musical que nos desarma.
“O SORRISO Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso.”
Eugénio de Andrade, pseudónimo de José Fontinhas, nasceu a 19 de Janeiro de 1923 em Póvoa da Atalaia, uma pequena aldeia no concelho do Fundão e faleceu a 13 de Junho de 2005 no Porto. ”O Outro Nome da Terra” foi publicado pela primeira vez em 1988 e conhece em 2016 uma edição da Assírio & Alvim com uma capa da pintora portuguesa Ilda David (n. 1955) e um prefácio do escritor e poeta Fernando Pinto Amaral (n. 1960): “Saber dar atenção às coisas simples é às vezes o mais difícil, e não apenas em poesia. As palavras que tentam dizê-lo procuram atingir uma nudez coincidente com o seu ser, exibindo a vitalidade das perguntas sem resposta, mas constituindo ao mesmo tempo a expressão de um sim irradiante e sempre novo, incorporado na ilusão do acto perceptivo. Assim pode ir frutificando, pouco a pouco, o mais fértil de todos os saberes – esse cujas certezas arrastam enigmas e que é, afinal, um outro nome dessa ignorância primordial que nos abre ao mundo (…).” ”O Outro Nome da Terra” está subdividido em O Outro Nome da Terra, Cumplicidade de Verão e Rosa do Mundo.
Alguns Poemas:
A LUZ DO PÁTIO (Pág. 44)
Deixas a luz do pátio acesa, a porta aberta – que esperas ainda? Amas agora com amor dobrado a vida, o suor misturado ao sal da saliva, o rumor das águas no sol das sementes, a treva do cabelo incendiada nas mãos outra vez adolescentes.
SOBRE A TERRA (Pág. 47)
Sei que estou vivo e cresço sobre a terra. Não porque tenha mais poder, nem mais saber, nem mais haver. Como lábio que suplica outro lábio, como pequena e branca chama de silêncio, como sopro obscuro do primeiro crepúsculo, sei que estou vivo, vivo sobre o teu peito, sobre os teus flancos, e cresço para ti.
AS AMORAS (Pág. 51)
O meu país sabe às amoras bravas no verão. Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país, mas tem esta voz doce de quem acorda cedo para cantar nas silvas. Raramente falei do meu país, talvez nem goste dele, mas quando um amigo me traz amoras bravas os seus muros parecem-me brancos, reparo que também no meu país o céu é azul.
SEM MEMÓRIA (Pág. 78)
Haverá para os dias sem memória outro nome que não seja morte? Morte das coisas limpas, leves: manhã rente às colinas, a luz do corpo levada aos lábios, os primeiros lilazes do jardim. Haverá outro nome para o lugar onde não há lembrança de ti?
ROSA DO MUNDO (Pág. 79)
Rosa. Rosa do mundo. Queimada. Suja de tanta palavra.
Primeiro orvalho sobre o rosto. Que foi pétala a pétala lenço de soluços.
Obscena rosa. Repartida. Amada. Boca ferida, sopro de ninguém.
Eugenio de Andrade is one of the most important figures in Brazilian poetry, and these short Imagist poems remind us of how global the Modern movement was, and how powerful the short short poem can be. Alexis Levitin's translations are well done, musically muscular, and he maintains the punchy surprise of many of these poems, while in the original, even in my pathetic Portuguese, these poems sound amazing.
«Ya sobre mi pecho no detienes los pies menudos, ya la breve danza de los dedos cambia de cabello, porque tú creces, creces inclinado hacia la difícil flor de nuestra edad. Eres ahora el otro nombre de la tierra, o simplemente de la eternidad.»
Há poucas coisas tão sublimes quanto a poesia. Admiro esta capacidade incrível de colocar as palavras em sítios inesperados e tudo fazer tanto sentido ainda assim.
Eugénio de Andrade é mestre nisso. Um dos poetas mais incríveis que temos (sim, a memória é eterna). Finalmente consegui ler este "O Outro Nome da Terra" por completo, termino-o no dia em se assinalam 19 anos da sua morte. E valeu cada segundo.
Quando a poesia atinge este nível de simplicidade sem perder nenhuma beleza sabemos que estamos perante elevadíssima qualidade literária. Eugénio de Andrade é incontornável.
CUMPLICIDADE DO VERÃO Mal nos conhecíamos, mas a infância é cúmplice do verão: vinhas do rio, das manhãs onde nadámos juntos e subimos aos freixos altos: via-te balouçar num ramo frágil rindo, ou saltar atrás das rãs — o corpo nu cravado nos meus olhos como um espinho.
"O SORRISO Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso. de O Outro Nome da Terra - Eugénio de Andrade" A simplicidade de um grande poeta