No ano de 1982, um lugar chamado Kitai possui um modelo utópico de sociedade, em que pessoas de variadas nacionalidades vivem incontestavelmente felizes. O sentimento patriótico de Kitai é reforçado pela existência de um grande e extenso muro, que impede qualquer ideal externo de arranhar a preciosa qualidade de vida da sua população. Nessa sociedade exemplar, vive Débora, uma cidadã que destoa de todos ao seu redor. Sentindo-se cada vez mais solitária e enclausurada pela perfeição de Kitai, Débora busca respostas para perguntas que ninguém mais faz. No entanto, suas ações a moverão até verdades que nem mesmo ela esperava encontrar. Nesta jornada de autoconhecimento, amor-próprio e descoberta de identidade, a caótica mente humana é explorada em sua essência, provando que a imperfeição pode ser uma arma poderosa.
Chegando para apresentar a vocês minhas considerações dessa obra que nos entrega uma proposta de leitura interessante.
Embora a trama seja direcionada a uma utopia, caminhamos por linhas tênues também na distopia. Onde dois amigos, um italiano e um japonês, tem ideais em comum mas acabam dividindo seus territórios através de um muro. Nascendo assim Kitai "um território perfeito" e Rizzia, um território dividido por diversos sistemas comandado por seus líderes.
E é dessa forma que conhecemos parte desses acontecimentos através da protagonista Débora uma jovem moradora de Kitai que não consegue se conectar com os ideais perfeitos de seu território e nos leva para grandes descobertas e surpresas. E sim, toda trama gira em torno dela.
A trama se passa na década entre 70/80 e vamos nos deparar com acontecimentos peculiares sobre fatos históricos que o autor inseriu no decorrer do enredo. O que me chamou bastante atenção.
O único fator que me incomodou foi o excesso de descrições aleatórias que poderiam ser atribuídos aos sistemas e seus líderes, sendo mais trabalhados e explorados. Alguns são realmente essenciais, mas muitas poderiam ser descartadas. Senti falta de uma evolução de Débora e estou me apegando a continuação da obra para que isso aconteça.
A ambientação no geral foi maravilhosamente bem trabalhada e construída, assim como a diagramação.
Não foi uma leitura fluida, mas foi bem intrigante e interessante. Tanto que estou curiosa para saber o que vai acontecer com Débora a partir daqui. Que venha o livro 02...