Conta a trajetória das mulheres, do Brasil colonial a nossos dias, voltando-se a todos os tipos de leitores e leitoras: adultos e jovens, especialistas e curiosos, estudantes e professores, arrastando-os numa viagem através dos tempos. Obra organizada por Mary Del Priore - da qual participam duas dezenas de historiadores além da consagrada escritora Lygia Fagundes Telles - mostra como nasciam, viviam e morriam as brasileiras no passado e o mundo material e simbólico que as cercavam. Percebendo a história das mulheres como algo que envolve também a história das famílias, do trabalho, da mídia, da literatura, da sexualidade, da violência, dos sentimentos e das representações, o livro abarca os mais diferentes espaços (campo e cidade, norte e sul do país) e extratos sociais (escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, donas de casa, professoras, bóias-frias). Também não se contenta em apenas de separar as vitórias e as derrotas das mulheres, mas derruba mitos, encoraja debates, estimula a reflexão e coloca a questão feminina na ordem do dia. Sucesso de público e de crítica, HISTÓRIA DAS MULHERES NO BRASIL já chegou a 20 mil exemplares vendidos, além de ter ganho os prestigiados prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala.
Mary del Priore, ex-professora de história da USP e da PUC/RJ, pós-doutorada na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris, tem 29 livros de história publicados, sendo o mais recente Uma breve história do Brasil, escrito com Renato Venancio e lançado pela Planeta em 2010. É vencedora de vários prêmios literários nacionais e internacionais, como Jabuti, Casa Grande & Senzala, APCA, Ars Latina, entre outros. Colabora para jornais e revistas, científicos e não científicos, nacionais e estrangeiros. É sócia titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e do PEN Club do Brasil. Atualmente, leciona na pós-graduação de história da Universidade Salgado de Oliveira.
Essa é uma obra extensa que reúne capítulos de diferentes autores e pesquisadores, o que torna sua discussão mais complexa em comparação a outras leituras feministas. A proposta é abordar dois capítulos por mês, permitindo uma análise mais aprofundada e viável ao longo do ano. A autora destaca a importância de compreender a história das mulheres no Brasil, que muitas vezes é negligenciada em narrativas predominantemente masculinas. Essa abordagem permite perceber nuances e contextos que moldaram a cultura e as relações de poder ao longo do tempo. A obra não se limita a uma história do feminismo, mas busca apresentar a trajetória das mulheres, ressaltando que tanto homens quanto mulheres contribuíram para a construção da história, cada um a seu modo. Essa perspectiva é fundamental para entender o contexto contemporâneo e as opressões que as mulheres enfrentam, além de evidenciar a necessidade de uma narrativa que inclua as experiências femininas. A discussão proposta visa não apenas a leitura do livro, mas também a reflexão sobre como a história é contada e quem a narra, enfatizando a importância de dar voz às mulheres na construção da memória histórica.
A discussão sobre a história das mulheres no Brasil revela que, embora muitas vezes se pense que as narrativas históricas são dominadas por homens, as mulheres desempenharam papéis cruciais em diversos contextos, incluindo guerras e revoluções. A obra de Mary Del Priori e outros autores busca desmistificar essa visão, mostrando que as mulheres não apenas existiram, mas também influenciaram e moldaram a história de maneiras significativas. A autora menciona a obra de Esbetilana Alexevito, que investiga a participação feminina em guerras, desafiando a ideia de que as mulheres estavam ausentes dos conflitos. Muitas delas, embora não estivessem no front, contribuíram de forma decisiva como enfermeiras, costureiras e em outras funções essenciais, evidenciando que a guerra também foi uma experiência vivida por mulheres.
Além disso, a diversidade do Brasil enriquece essa narrativa, pois as experiências femininas variam amplamente de acordo com a região e o contexto histórico. A obra aborda desde a participação das mulheres nas revoluções em Minas Gerais até as atividades comerciais das chamadas negras de tabuleiro, que usavam suas habilidades para contornar o controle do comércio. Essa pluralidade é fundamental para entender a complexidade das relações de gênero e as diferentes formas de patriarcado que existiram ao longo do tempo, como apontado por Gilberto Freire. As relações familiares e sociais no Brasil não podem ser vistas de maneira homogênea, pois variam conforme a localização geográfica e o período histórico.
A proposta de discutir dois capítulos por mês permite uma análise mais detalhada e reflexiva, com textos que abordam temas distintos, como a figura de Eva Tupinambá e a sexualidade feminina na colônia. Essa abordagem lenta e cuidadosa visa aprofundar a compreensão das múltiplas histórias que compõem a experiência feminina no Brasil, reconhecendo a importância de cada narrativa e a necessidade de dar voz às mulheres em todos os contextos. A expectativa é que essas discussões contribuam para uma visão mais rica e inclusiva da história, refletindo a diversidade e a complexidade das experiências femininas ao longo do tempo.
Hoje tem leitura em andamento, com esse livro lindo, organizado pela Mary Del Priore, e com participação de grandes historiadores e da maravilhosa Lygia Fagundes Telles. A obra, que recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas e é um verdadeiro deleite, e apresenta a jornada das mulheres desde o Brasil colonial até nosso presente. São diversos os temas: família, trabalho, sexualidade, entre outros.