Jorge e Carolina são jovens e pretendem casar-se em breve.Mas há um complicador neste enredo feliz: a vida nefasta de Jorge.Quando toma posse da fortuna deixada por seu pai,Jorge acaba gastando todo o dinheiro em jantares,diversões e jogos.Quando conhece Carolina e resolve se casar,está não só falido como também em débito com os credores do pai.Jorge vive então um impasse: se romper o noivado,deixará Carolina com má reputação.Casar-se com ela,trazendo o estigma da falência,é igualmente reprovável.Que caminho escolher?
José Martiniano de Alencar was a Brazilian lawyer, politician, orator, novelist and dramatist. He is one of the most famous writers of the first generation of Brazilian Romanticism, writing historical, regionalist and Indianist romances — being the most famous The Guarani. He wrote some works under pen name Erasmo. He is patron of the 23rd chair of the Brazilian Academy of Letters.
José de Alencar was born in what is today the bairro of Messejana on May 1, 1829, to priest (and later senator) José Martiniano Pereira de Alencar and his cousin Ana Josefina de Alencar. Moving to São Paulo in 1844, he graduated in Law at the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo in 1850 and starts to follow his lawyer career at Rio de Janeiro. Invited by his friend Francisco Otaviano, he becomes a collaborator for journal Correio Mercantil. He also wrote for the Diário do Rio de Janeiro and the Jornal do Commercio.
The house of José de Alencar, in Messejana It was in the Diário do Rio de Janeiro, during the year of 1856, that Alencar gained notoriety, writing the Cartas sobre A Confederação dos Tamoios, under the pseudonym Ig. In those, he criticized the homonymous poem by Gonçalves de Magalhães. Also in 1856, he wrote and published under feuilleton form his first romance: Cinco Minutos. He was a personal friend of Joaquim Maria Machado de Assis. Coincidentally, Alencar is the patron of the chair Assis occupied. He died in Rio de Janeiro in 1877, a victim of tuberculosis.
Aquelas quatro moedas de cobre eram um segredo da expiação corajosa, da miséria voluntariosa a que se condenara um moço que sentia a sede do gozo e tinha ao alcance da mão com que satisfazer por um mês, talvez por um ano, todos os caprichos da sua imaginação.
Embora seja uma novela mais previsível do que plausível, não resisto a uma boa história de queda e redenção, e em “A Viuvinha”, o grau de expiação é exactamente aquele que me agrada. A história de Jorge é clássica: recebe de herança uma fortuna que irreflectida e rapidamente dissipa, apaixona-se perdidamente pela mais pura e bela das raparigas, é confrontado com as consequências da sua irresponsabilidade e a sua honra é posta em causa.
Por fim uma ideia sinistra passou-lhe pela mente, e agarrou-se a ela como um náufrago a um destroço de seu navio; o desespero tem dessas coincidências; um pensamento louco é às vezes um bálsamo consolador, que, se não cura, adormece o padecimento.
Apesar de todos os clichés do Romantismo, é uma trama que me prendeu do início ao fim, com uma escrita cheia de vivacidade em que me saltou à vista o jogo cromático entre o branco e o preto.
- Não é luto, minha mãe: é gosto. Tenho paixão por esta cor; parece-me que ela veste melhor que as outras. - Não digas isso, Carolina; pois o azul desta seda não te assenta perfeitamente? - Já gostei do azul; hoje o aborreço! É uma cor sem significação, uma cor morta. - E o preto? - Oh! O preto alegre! - Alegre! Exclamou um caixeiro (...). - Eu pelo menos o acho, replicou a moça tomando de repente um ar sério: é a cor que me sorri.
De um lado, há o branco das roupas imaculadas e da palidez das personagens torturadas, por outro, temos os vestidos pretos que a Viuvinha faz questão de usar e a escuridão da noite, quando ocorrem momentos tão decisivos para os dois protagonistas.
As Obras da Misericórdia, como chamavam então a este lugar, tinham a mesma reputação que o Arco das Águas Livres de Lisboa e a Ponte Nova de Paris. Era o tempo do suicídio, onde a fragilidade humana sacrificava em holocausto a esse ídolo sanguinário tantas vítimas arrancadas às suas famílias e aos seus amigos.
Em «Iracema» José de Alencar escreve prosa fazendo poesia e aborda a relação entre os índios e os colonos dos primeiros tempos.
«A Viuvinha», por seu lado, é ambientado na sociedade carioca do século XIX e exalta sentimentos nobres, a honra, a honestidade, a coragem, o sacrifício e a expiação de culpas. Jorge na véspera do seu casamento com Carolina sabe que esbanjou toda fortuna herdada e não liquidou as letras de dívidas de seu pai, cuja honra fica manchada. O casamento realiza-se, mas não é consumado: Jorge não se sente digno da sua jovem noiva, deixa uma carta e foge deixando Carolina virgem e pura. Havia na época um local na capital brasileira que tinha a mesma reputação que o Arco das Águas Livres de Lisboa e a Ponte Nova de Paris: era o templo do suicídio. Qual é o benefício que lhe pode dar a morte? Uma desonra não lava outra desonra. O homem que atenta contra a vida é fraco e cobarde. Carolina vestiu-se de preto e amou uma sombra morta durante cinco anos ao fim dos quais começou a amar uma sombra viva. Diz o narrador que não escreve um romance, mas conta uma história que dispensa a verosimilhança. O final é surpreendente: a felicidade é possível depois de cruéis e terríveis provanças. A escrita de José de Alencar é muita boa, embora algo datada para um leitor do século XXI, tal como o são os sentimentos exaltados, infelizmente. Alguns diminutivos e o tom solene e paternalista podem ser cansativos, e um detalhe encolerizou-me:
«Vós, mulheres, que chorais a todo o momento, e cujas lágrimas são apenas um sinal de vossa fraqueza, não conheceis esse sublime requinte da alma que sente um alívio em deixar-se vencer pela dor; não compreendeis como é triste uma lágrima nos olhos de um homem.»
Tinha muita vontade de ler este livro e nunca o tinha encontrado no Portugal profundo onde vivo. Felizmente, tenho uma amiga que escava as livrarias e alfarrabistas de Lisboa e adivinha aquilo que eu quero. Obrigada, Paula!
Once again the Brazilian José de Alcenar impresses me. A hat trick with number three.
Things are looking good for young Jorge. He has money. How about a wife? He asks the beautiful young woman Carolina for her hand, promising her a better future. He lives the good life!
Then Senhor Almeida announces some bad news - the creditors are calling in his debts. Jorge is broke! As Alcenar writes, “For a man who is use to the comforts of life… the word ‘poor’ is a disgrace, and more than a disgrace, it is fatal.” Ouch.
Jorge still goes along with the wedding but doesn’t consummate the marriage. He rises early and walks over to a notorious place near the new hospital. This is where people with bad luck pack it. He leaves a farewell note. Things are very dire.
Read on, dear reader, to get to the bottom of “The Widow.” Wearing black is really not that fashionable, just practical.
First published in 1860, the short book A Viuvinha, by José de Alencar, is an urban novel staged in Rio de Janeiro in the middle of the 19th century. The protagonist of the story is the well-born Jorge, who, after orphanhood, ends the fortune left by his father and, sunk in debt, sees no other way out than simulating his own suicide.
So... I bought this book 2 months ago, just waiting for the perfect time to read it. I won't deny it, the first time I tried to read it, I gave up because it was too tiresome. But today, I finally had the guts to read it. And it was good, I wouldn't say this was the best book I ever read just because it's a classic. At first I cringed about the fact that Carolina is just 15 years-old, even though this book is dated about 1844, it still made me uncomfortable. But anyways, not that bad, I'd recommend to anyone who is Brazilian or/and interested in Brazilian literature.
Uma amiga, ao terminar esta obra, perguntou-me se gostei de A Viuvinha. Minha resposta foi, literalmente, esta: "rapá, não é ruim não, mas sem graça". Muitas das produções do romantismo me deram a mesma impressão, e com isto não quero menosprezar um dos movimentos literários mais relevantes da nossa nação, não obstante, poucas obras fizeram que conectasse com elas, e A Viuvinha é outra representação do que acabo de mencionar.
amei bem novela mexicana o homem forjando a própria morte.
esse livro deve ser lido depois de Cinco Minutos porque a história é contada pelo mesmo narrador sem nome e destinada à sua prima. no final, inclusive, é mencionado o nome da Carlota, personagem do primeiro livro.
esse em particular parece que aconteceu pouca coisa, porque muito foi explicação do behind the scenes do acontecimento principal, mas mesmo assim acabei gostando mais desse.
Eu sempre acho dificuldade em achar uma historia do movimento Romantico boa, claro, por que prefiro algo mais realista e/ou filosofico. Nunca gostei de livros com ideais tão idealizadas. Mas nunca deixo de ler um livro por causa disso. Levando isso em consideração, a historia do livro é interessante para mim em alguns aspectos, como por exemplo a mudança de coração (que é descrita no inicio, por isso nao é spoiler) do Jorge em relação a vida luxuosa que ele vivia para uma que quer ter uma familia. Isso é apenas umas das coisas que gostei da obra, outra foi que esse livro é tipo um Spin-Off de "Cinco Minutos" do José de Alencar, e as que nao gostei foi o idealismo da mulher e o idealismo de outras coisas.
Não tem jeito, me confesso irrevogavelmente apaixonada por romance epistolar. Se for de costume, então, nem se fala. E gostei de Carolina, a moça que vive de saudade e imaginação. A melancólica Carolina, que resiste ao passageiro, que reconhece que menos do que teve, não lhe vale a pena ter; não lhe serve. Que protege o coração das ilusões inglórias da vaidade. Mesmo este mesmo coração sendo, como posto por Alencar, ‘um tirano a que não há resistir’. Sendo, ainda, ‘um espectador mudo aos protestos de amor’. Mais uma vez o Mestre reconhece a impossibilidade total da palavra escrita e, ainda assim, prendeu meus olhos em suas linhas. E entrelinhas.
Conclui a leitura do livro "A viuvinha" escrito em 1857 pelo grande escritor brasileiro José de Alencar de quem sou grande admirador. Como de costume Alencar nos brinda com uma história brilhantemente concebida, dinâmica e bem costurada que nos prende da primeira a ultima pagina. Já li deste autor os livros Til, Iracema, o Guarany, cinco minutos e a viuvinha. Todos absolutamente fantásticos.
Os brasileiros do século XIX escreviam de forma soberba. Nisso não são menores do que os portugueses, com Camilo à cabeça. Gostei muito desta história. A referência a Carlota, no último parágrafo da obra, só faz sentido para quem já tenha lido 'CINCO MINUTOS'.
A viuvinha conta a história de amor de Jorge e Carolina. Jorge é basicamente um herdeiro, um destes jovens de boa família, com a vida privilegiada, que nunca precisa trabalhar, pois dispõe de uma bela quantia que lhe permite viver uma boa vida de jovem nobre no Rio de Janeiro do século XIX. Ele viveu sua juventude aproveitando a alegria de belas moças e o conforto de seus bens e fortuna, até que se apaixona por Carolina e começa a corteja-la. Eles noivam e na véspera do casamento, Jorge descobre através de seu padrinho, o Sr. Pereira, que ele está falido e a partir deste momento nasce em Jorge um conflito, pois ele não quer arrastar Carolina para uma vida sem conforto, mas ao mesmo tempo não quer desfazer o compromisso para não desonrar a jovem. Com vergonha de sua situação financeira e querendo preservar a agora esposa, no dia do casamento Jorge toma uma decisão e comete suicídio, transformando Carolina na viuvinha. Será mesmo? Não sei como foi a publicação deste livro na época do lançamento, se ele foi lançado em fascículos, mas se tiver sido, foi uma boa premissa, neste ponto ele cria um clima de suspense muito bom, um gancho para manter o leitor investido no próximo capítulo, mas como romance não foi muito surpreendente, pois no capítulo seguinte começam a surgir pistas do que acontecerá adiante e fica fácil para o leitor deduzir que esse suicídio não aconteceu de verdade, mas foi uma estratégia de Jorge para preservar a dignidade de Carolina enquanto ele tenta se restabelecer financeiramente. O livro tem características bem presentes do movimento literário a que pertenceu, o romantismo, tem a figura dos amantes idealizados, quase sem defeitos. Mesmo sendo clássico, acredito que pode agradar o leitor de romance da atualidade, pois o casal é fofo e muito devotado um ao outro. Eu só achei que algumas coisas não ficaram bem amarradas ou foram incongruentes entre os capítulos, especialmente entre o capítulo 15 e 16, pois no capítulo 15 foram narrados fatos e no 16 a explicação não era totalmente idêntica. Do meio para o final eu tive muito a sensação de um Deus ex-machina, um personagem aqui aparece para resolver magicamente os problemas sem que a narrativa deixe evidências de que essa é uma possibilidade, o que faz parecer conveniência. Eu gostei do livro, achei bonito, açucarado, mas reconfortante, fiquei na torcida por este casal, achei que o autor conseguiu construir personagens que representam bastante os heróis românticos, só que, apesar disso, não me emocionou muito e não acho que a história vá ser marcante o suficiente para ser rememorada ou para criar o desejo de uma releitura em breve.
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“Mas a dor, a enfermidade da alma, como a febre, enfermidade do corpo, quando não mata nos seus acessos, acalma-se.”
Não tenho muito o que dizer sobre esse livro além de que ele promete e faz pouco. Achei interessante a proposta e fiquei muito interessada na trama envolvendo a tal “viuvinha”, mas a personagem nem é a protagonista e tem a personalidade de uma parede! As motivações do protagonista também bem duvidosas, literalmente, era só arranjar um emprego e ele fez todo um caminho (mas quem pode julgar ele também? Ser pobre é uma desgraça mesmo kkkk Mais do que desgraça, como ele diz, uma fatalidade). Isso sem contar na vibe meio stalker dele! Na verdade, depois de finalizar essa leitura, pensei que esse livro seria mil vezes melhor se esse livro fosse um suspense.
Eu sei que estou colocando uma visão muito moderna sobre essa leitura, mas não consigo não ter uma visão moderna sobre ele. Até tentei pensar nele sob o ponto de vista de pessoas da época, a trama e os personagens lidos nessa lupa, provavelmente não um grande conto nem para época, mas bem chatinho para hoje em dia. A proposta, no entanto, devo admitir, que foi genial! Volto a dizer, daria um ótimo suspense psicológico (até um livro de terror, se me arrisco a dizer), mas infelizmente o formato que o autor escolheu não me pegou, foi só uma grande expectativa e, no fim, não entregou lá grandes coisas.
Leitura muito prazerosa. Amo os romances de José de Alencar, mas assim como em "Senhora", esse me deixou com um pé atrás na questão toda do perdão. A atitude do protagonista foi egoísta com relação a sua esposa, e ainda assim, ela o recebe de volta como se nada tivesse passado. Achei que em "Senhora" tivemos um desenvolvimento melhor, vimos o interesse amoroso dar seu melhor para recuperar a confiança e amor de sua antiga amada. Nesse não vi esse esforço todo. Ainda assim foi um conto bom, que leria de novo em breve.
Eu gosto muito de José de Alencar, serião. Este livro dele aqui achei menos empolgante (se bem que esse é um adjetivo estranho para caracterizar qualquer obra dele, mas ok). O livro é curto, e mais curto ainda (spoilers daqui em diante) é o período que Carolina fica de fato viúva. Então o título meio que te engana. Por mim o romance se chamaria, sei lá, "O morto falido" ou algo do tipo. E sobre o final: ah, mas eu não voltaria meeeeeeesmo. Se valoriza, mulher!
For Portuguese class! Probably the best book I’ve ever read for this course :) it’s a more beginner level one, I would say, for those looking to expand their Portuguese. I would say though, that it’s super engaging and reminded me a lot of Brigerton actually in some ways the story was narrated (like the weekly newsletter)
Mais uma leitura concluída pro clube dos pensadores. Curtinho, despretensioso e leve, esse pequeno conto pode ajudar pessoas a retomarem o hábito da leitura especialmente pelas razões acima apresentadas.
Não é memorável, provavelmente daqui a pouco tempo terei esquecido sua história.
José de Alencar tem "má-fama" hoje em dia por causa de "O guarani" e "Iracema", mas ele escrevia muitos livros perfeitamente "líveis" e apreciáveis, descontando-se, é claro, as diferenças decorrentes da distância temporal, que se refletem na linguagem e no estilo.