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No Tempo das Cerejas

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Um romance histórico profundo e apaixonante sobre a complexidade das relações humanas, que consolida Célia Correia Loureiro como uma voz surpreendente da nova geração.

Em 1947, Serafim Almeida - repórter em Londres e aspirante a novelista - regressa à Lisboa do pós-guerra e encontra uma metrópole vibrante. É então que recebe um convite inusitado de Irene Silva Vaz, uma cantadeira de fado com uma vida peculiar.

A curiosidade leva-o a percorrer Lisboa na companhia da fadista, enquanto esta procura expiar os seus fantasmas junto do velho repórter, pedindo-lhe que transforme as suas confissões num livro. Ao longo desse verão, Serafim ver-se-á enredado na sua teia intrincada de relatos de infância, de amores e ódios, de segredos familiares e, acima de tudo, da amizade tortuosa que Irene manteve com Helena Sousa - a costureira que parece assombrar todas as histórias da cantadeira.

384 pages, Paperback

First published February 8, 2024

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About the author

Célia Correia Loureiro

30 books965 followers
Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. É escritora e tradutora. Demência foi o seu primeiro romance publicado (Alfarroba @ 2011). Que descreve como “um grito de revolta contra as circunstâncias da mulher portuguesa no século XX, e da mulher ainda vulnerável, isolada e silenciada pelos bons costumes, em contexto rural, em pleno século XXI”. Em Abril de 2019 é reeditado pela Coolbooks, numa edição revisitada na íntegra, juntando-se assim a O Funeral da Nossa Mãe (Alfarroba @ 2012), A Filha do Barão (Marcador @ 2014, coleção Os Livros RTP), Uma Mulher Respeitável (Marcador @ 2016). Pela mesma chancela da Porto Editora lança Os Pássaros (Coolbooks @ 2020) e, em edição de autor, por se tratar de uma autobiografia ficcionada, Até os Comboios Andam aos Saltos (2021), que explora temas como o cancro terminal do pai, o alcoolismo da mãe e os dilemas de uma mulher de 30 anos com um passado por resolver. Em 2024 publicou No Tempo das Cerejas, no grupo Infinito Particular, e Erros Crassos da História: Figuras Histórias e os Erros que Mudaram o Mundo (Ideias de Ler).

Mudou-se para o Alentejo no início de 2025, a fim de poder dedicar-se aos estudos em História e Artes. Vive com dois cães, rodeada de muitas planícies e vacas.

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Community Reviews

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Displaying 1 - 30 of 89 reviews
Profile Image for Maluquinha dos livros.
321 reviews137 followers
March 2, 2024
Que viagem tão boa a uma Lisboa que não conheço! Se dúvidas houvesse, este livro vem provar o talento da Célia.
A história de uma amizade entre duas mulheres, numa Lisboa de contrastes, sempre com a melancolia do fado tão presente. É uma história muito nossa, que a Célia escreve de uma forma doce.
Gostei da construção das personagens e da tensão sempre presente na relação tão densa destas duas amigas. Nota-se a pesquisa que a autora fez, a forma cuidada como conduziu o enredo e nos faz sentir na Lisboa de 1947 ou 1956…
Um livro que não deixa de ser triste, como o fado. Onde há desejo e vingança, amor e ódio, tristeza e alegria… Onde os contrastes são tão evidentes entre as classes ricas e os marginalizados, os que cantam para esquecer as amarguras da vida. Uma viagem no tempo a um Portugal tão marcante!
Tem sido muito bom acompanhar a Célia neste mundo virtual! Uma autora determinada que prova a maturidade da sua escrita com este livro. Parabéns, Célia!
Profile Image for Inês Abrunhosa.
3 reviews5 followers
February 13, 2024
Que livro incrível!! Decididamente a marcar a Célia como uma grande voz da nova geração Portuguesa. Um livro fantástico, com uma história densa e envolvente, com personagens ricas e profundas. Adorei e recomendo imenso. Nunca tinha lido nada da autora, mas vou sem dúvida ler outros.
Profile Image for Rita da Nova.
Author 4 books4,662 followers
Read
September 19, 2024
“Começando precisamente pela forma como a Célia retratou Lisboa, diria que essa foi a minha parte favorita desta leitura. Nota-se que houve um trabalho de investigação e uma preocupação em passar vários detalhes da época, e tudo isso foi feito de forma natural e introduzido nos momentos certos.”

Review completa em: https://ritadanova.blogs.sapo.pt/no-t....
Profile Image for Susana Velho.
Author 5 books552 followers
August 13, 2024
Já elogiei por diversas vezes a mestria de Célia Correia Loureiro. Nao só pelo seu estilo belíssimo, escrita rica e despretensiosa, como também pela sua bagagem que a faz saída de outros tempos, de épocas remotas. Terá, ela, realmente, apenas trinta e poucos anos? Duvido. É uma alma velha, cheia de gente dentro dela, nascida para escrever. Este livro, este belíssimo livro que é uma ode à cidade de Lisboa, ao seu fado e gentes, confirma o seu talento para contadora de histórias, arquivo vivo de memórias, inteligência voraz.
Profile Image for Rita.
912 reviews190 followers
February 16, 2025
Desde há muito que Célia Correia Loureiro aparece na minha timeline aqui do GoodReads com classificações excelentes e recensões que a colocam como uma das grandes vozes desta nova geração de autoras portuguesas.

Optei por iniciar com este No Tempo das Cerejas – não contabilizo o conto A Lucidez que li em 2022 – por ser o mais recente e se passar nas ruas, vielas e becos de Lisboa, sempre com o fado como banda sonora.

Mas, entre uma Severa e uma Amália, saiu-nos na rifa uma cantadeira: Irene Silva Vaz. É como num cesto de cerejas, há sempre umas com bicho.

Irene decide contar a sua trágica história a um jornalista, Serafim Almeida, para futuramente ser publicada num livro. É assim que conhecemos as origens, as amizades, os amores, as dificuldades e as opções de vida da protagonista.
É durante as entrevistas entre Serafim e Irene que percorremos alguns locais interessantes da cidade de Lisboa como o Luna-Parque, a Estufa Fria ou o restaurante do aeroporto, mas pouco mais. Do fado, do fado vadio, da vida das fadistas, da noite lisboeta pouco nos é apresentado.

A história é lenta, a leitura também e o livro é demasiado grande o que torna tudo um pouco mais chato. Há demasiado Serafim nesta história, e ele nem vale isso tudo.

Embora não tenha nada a apontar à escrita da CCL (talvez a tenha achado aqui e ali um bocado pretensiosa) acho que lhe faltou alma, intensidade e paixão.

No final a autora deixa uma nota onde diz:

Que este livro seja uma ode a Lisboa e à portugalidade.

Lamento, mas não é uma ode a Lisboa nem tão pouco à portugalidade. Captar a essência de uma cidade e de um país exige muito mais do que isto.
Profile Image for Ana Catarina.
3 reviews2 followers
February 15, 2024
Falar sobre este livro é falar sobre a Célia Correia Loureiro, que maravilhosa surpresa neste início de ano!! Parabéns
Este livro é uma delícia. A escrita, as personagens, o enredo, a nossa Lisboa, o nosso fado, …
Aconselho vivamente.
Confesso que não conhecia a Célia, mas agora vou a “correr” comprar mais livros seus. Fiquei fã!

Leiam mesmo, vale cada página. 5✨
Profile Image for Bárbara Fraga.
220 reviews31 followers
April 13, 2024
Dos livros mais bem escritos que li nos últimos tempos. Uma escrita tão poética, sem ser forçada. Brilhante mesmo.

A história, em si, acabou por seguir um rumo e uma estrutura diferente daquela que esperava quando li a sinopse, mas sinto que me foi conquistando.

Gostei especialmente da complexidade das personagens e do quão aprofundado foi o contexto histórico.

Apesar disto, senti que foi um pouco longo demais. Nem sempre tive vontade de pegar no livro.
Profile Image for Iris Bravo.
Author 5 books359 followers
April 3, 2024
Que viagem tão boa. Personagens densas, nostálgicas e tão profundas como o nosso fado. Uma história para saborear em cada página, que me levou a Lisboa dos anos 40, recheada de pormenores que só podem ser fruto de uma investigação muito cuidada e com uma grande riqueza interior das personagens. Recomendo muito.
Profile Image for Marta.
258 reviews20 followers
March 4, 2024
Tinha tantas expetativas para este livro...

Comprei-o pela capa, que é linda de morrer. Depois de comprado li a sinopse e pensei "boa, acho que vou adorar". Mas não adorei.

Apesar da escrita bonita, da viagem à Lisboa antiga, aos seus costumes, tradições e marcas de guerra (adorei todas as descrições ambientais e referências históricas) a história não me prendeu. Talvez por não ter gostado de nenhuma personagem... não sei, algo aqui não correu bem para mim. Em certos momentos, achei o livro maçador e desejei que fosse mais pequeno e com uma ação mais rápida.

Fico com pena. Uma amiga mencionou que a escrita da Célia fazia lembrar a escrita da Valérie Perrin e, de facto, lembra. Mas à semelhança do que me aconteceu com a Valérie, a escrita é lindíssima e a história, para mim, torna-se aborrecida (à excepção da "Breve Vida das Flores", claro!).

Ainda assim, quero dar mais uma oportunidade e ler mais livros da Célia.
Profile Image for Inês João.
22 reviews3 followers
February 17, 2024
Que livro maravilhoso, não só a capa, mas o seu interior!
A história está muito bem construída, todo o enredo consegue colocar-nos nos anos de 1930 em Portugal, mas também em 1947 e 1956 e leva-nos a sentir as emoções da Irene, como se nossas fossem.
A escrita é de uma suavidade e de uma doçura tão boas, que dá vontade que o livro não termine.
Recomendo!
Profile Image for Joana.
370 reviews
June 19, 2024
Um livro que e uma ode à cidade de Lisboa. O início foi bastante promissor, mas penso que se perdeu no meio de tantas tricas de mulheres.
Uma das coisas que mais gostei nesta história foi todo o contexto histórico de Lisboa e do mundo desde 1918 (?) até 1956. Fala dos locais mais icónicos da época e da forma de estar do lisboeta.
Profile Image for Cátia Jorge.
53 reviews6 followers
July 26, 2024
No tempo das cerejas 🍒

Numa Lisboa da primeira metade do século XX, o jornalista e novelista Serafim Almeida, até então a trabalhar em Londres, é desafiado por Irene Silva Vaz para escrever um romance sobre a vida conturbada desta cantadeira.

Entre conversas, desabafos, passeios pelos recantos mais tradicionais da cidade e belos repastos nos restaurantes mais populares da época, Serafim vai desvendando a história da fadista que nasceu na miséria, mas a quem a adoção por parte de uma família abastada permitiu uma vida bastante desafogada e até glamurosa.

Por detrás de um casamento feliz com Rafael Vaz, e de uma vida de sucesso e aplausos, há fantasmas do passado que Irene tem de exorcizar, nomeadamente a identidade dos seus pais biológicos de quem herdou os genes do FADO.

Lena, uma amiga de infância que cedo se revelou tóxica, intriguista e perigosa, e Henrique, o primeiro grande amor de Irene que lhe partiu o coração, acabam por assumir-se também como personagens de grande relevo no livro que Serafim poderá vir a escrever.

Nunca tinha lido nada da Celia Correia Loureiro e fiquei absolutamente rendida à sua escrita e a esta história que nos transporta para a Lisboa dos nossos avós. Para uma época em que casar e ter filhos era a única missão que uma mulher poderia ambicionar. Em que a fome e a miséria contrastavam com os luxos de uma burguesia excêntrica, em que as cicatrizes da guerra continuavam a doer nas famílias que viram partir os seus filhos e em que o fado era ferramenta de propaganda do Regime, mas também de contestação por parte de um povo oprimido.

O que mais me impressionou foi o levantamento histórico que a autora teve de fazer, sem descurar detalhes políticos, económicos e sociais da época, assim como o conhecimento de cada recanto da nossa capital.
É como se, em algum momento da sua vida, a Célia tivesse tido a oportunidade de viajar até aos anos 30 e 40 para fazer esta viagem com Irene e Serafim.

Que delícia de livro do qual me despeço agora com o coração já cheio de saudade ❤️ . Que honra poder assistir à proliferação de tão grandes talentos literários que darão ainda tanto que falar....e que ler. Parabéns Célia Correia Loureiro
Profile Image for Stephanie.
91 reviews5 followers
May 3, 2024
É o segundo livro que leio da Célia portanto ia com as expectativas altas pois amei “Demência”

Ao início foi um pouco difícil entrar no livro pela forma que estava escrito mas com o desenrolar da história la consegui

Ao ler as páginas a história fazia me pensar um pouco “os sete maridos de Evelyn Hugo” na forma como Irene estava a relatar a sua vida. Mas rapidamente percebi que só assemelhava nesse aspecto.

Gostei da forma como as personagens estão construídas e como descreve Lisboa no início do século mas achei que havia partes do livro que eram desnecessárias e demorou algum tempo a desenvolver a história, podia ser um livro um pouco mais curto talvez

Considero que o livro merece 3,8 ⭐️ pois não houve assim nada que me fascinasse e prendesse mesmo ao livro excepto o facto de querer saber o que aconteceu a Lena
Profile Image for Adeselna.
Author 2 books94 followers
April 27, 2024
3.5**

Acompanhar o percurso de um autor é sempre uma experiência recompensadora. À medida que ficamos mais velhos, escrevemos mais, lemos mais há sempre perspectivas diferentes da nossa vida que influenciam a escrita mas também a leitura.

Não querendo tecer elogios rasgados até porque costumo ser bastante comedida nisso, mas tenho a Célia como uma boa autora. Não uma boa autora portuguesa mas sim uma boa autora independentemente da nacionalidade. Quando li "A filha do barão" e "Uma mulher respeitável" achei que seria evidente que a partir dali só conseguiria atribuir nada mas elogios às suas publicações. No entanto sinto que no "No tempo das cerejas" lembrou-me mais a Célia do "Funeral da nossa mãe" do que a Célia dos tempos da Marcador. Se você leitor gosta da Célia desse período inicial, então este livro é para si!

"No tempo das cerejas" é um Bildungsroman, que de acordo com a Wikipedia se traduz para português como romance de formação e, como não gosto desse termo, irei continuar a apelidar esses livros como Bildungsroman. É um subgênero literário no romance, onde o leitor acompanha o crescimento moral/físico de uma personagem desde a sua infância até, pelo menos, à idade adulta. Vemos o mundo a mudar em contraste com a personagem principal e acompanhamos também as mudanças dela vs. o seu redor. Por norma, num Bildungsroman a parte da infância é sempre a mais curta. Já em Jane Eyre acompanhamos o percurso dela breve na escola e é a parte mais curta mas também a mais monótona.
"No tempo das cerejas" a infância da Irene ocupa quase 100 páginas o que num romance de 374 páginas é bastante espaço ocupado com a Irene e a sua infância que não teve muita coisa de marcante. Chega mesmo a partes que se arrastam um bocado porque mudamos de POV da Irene para o Serafim para ele nos dar contexto/descrições de Lisboa como estava em 1947 e andamos um bocado para à frente e para trás.

O romance é escrito na maioria pelas palavras da Irene com o que ela se lembra, ou seja os acontecimentos são ora ditos ora demonstrados. Quando são demonstrados, nota-se uma diferença na fluidez na leitura. Quando são contados apresentam sempre um biased da parte da Irene.
O que me fez sentir que Serafim era um bocado inútil enquanto personagem, dado que ele não tem controlo nenhum sobre a narrativa. Ele é apenas um veículo sobre o qual nós sabemos a história, tal como em "A entrevista com o vampiro" Louis contrata um jornalista para contar a vida dele.

Durante a leitura, o biased de que falei anteriormente torna-se evidente - Irene tem dinheiro, não é muito bonita, mas é quanto baste - mas nota-se que o pessoal à sua volta no início são pessoas normais mas depois à medida que vão ficando adultos e o ponto de vista dela muda, também as descrições ficam mais amargas.

Pode ter sido sem intenção, mas as amigas viram inimigas, os amores viram traidores ou são ignorados. É evidente com o tempo que Irene é uma pessoa temperamental e que embora se ache uma coisa, as suas ações mostram outra. Este último torna-se mais claro com o final que vai um bocado contra a sua história de vida.

Tenho sempre alguns problemas com livros contados pela primeira pessoa por causa desse biased, vemos sempre o ponto de vista de quem está a contar mas não o das outras pessoas. Exceto mais para o final quando se introduz mais capítulos onde se mostra Irene a interagir com as personagens. Nesses capítulos as personagens deixam de ser o que Irene mostra delas e passam a ter voz. E esses são os melhores capítulos do romance, em especial na 2º metade do livro mais para o final, os capítulos com Rafael e Henrique (não é spoiler), onde lhes é permitida ter uma voz própria, o livro torna-se mais quentes.

A Célia captou muito bem a frieza da Irene em relação a tudo exceto ao fado. A vida para ela é cantar e mesmo as suas relações seja com a família/homens/amizade são relatadas com alguma indiferença. Muito disto acontece também porque a Irene conta-nos o que se passa, e é comum quando se passa para o contar em literatura, pode haver alguma ausência de emoção.

Gostava muito de ter visto a história da Helena pela POV dela, a Helena é uma personagem muito interessante com imensos temas psicológicos que seriam excelentes de explorar.

Quanto às descrições de Lisboa e da época, algumas são excelentes, outras aparecem em capítulos onde não acontece muita coisa, não há grandes desenvolvimentos. Senti que a leitura foi muito demorada em alguns capítulos onde terminei de os ler e senti que não tinha acontecido nada de relevante porque lá está ou eram capítulos para descrever a cidade/acontecimentos ou alguns tipo filler. O que contrasta com o final que foi tão abrupto que senti que foi um bocado uma chapada ao leitor. Até porque até atrevo-me a dizer que não houve uma conclusão para a sua vida. Houve um final sim mas não uma conclusão. Nem acho que fosse preciso um capítulo grande, mas sinto que não houve mesmo um final, uma conclusão.

Não sei se foram sugeridas outras formas de abordar o final (atenção não tenho nada contra o final em si, achei giro, mas foi mais a forma como foi escrita), mas eu teria sugerido outras formas.

"No tempo das cerejas" é um retrato bastante intimista da vida de Irene, contada pelos olhos dela, onde é evidente que este romance diz bastante à autora. Senti que era muito pessoal e que só a partir da segunda metade é que libertou o romance dela para mim, leitora. E quando conseguiu senti que estava a ler uma Célia que uniu toda a voz dos seus romances passado num só.
Profile Image for catarina.
289 reviews35 followers
July 14, 2024
No Tempo das Cerejas é uma carta de amor a Lisboa que tem um pouco de, diria, A Amiga Genial e Os Sete Maridos de Evelyn Hugo. É, portanto, uma combinação que achei interessante e que me levou a ler o livro.

Comecei-o com expetativas baixas porque achei que Irene, a protagonista, ia acabar por ser só uma espécie de Evelyn Hugo portuguesa. Fiquei feliz por perceber que estava equivocada, e que este livro só faz lembrar o outro pelo estilo narrativo.

Foi um livro que me prendeu primeiro pela escrita bonita e, depois, pela vontade de saber mais sobre a vida de Irene e a sua amizade com Lena, a sua amiga de infância. É este, aliás, o gancho da história, o da ruína de uma grande e duradoura amizade.

Infelizmente, achei que o livro se perdeu muito em divagações. Foram destinados demasiados parágrafos para situar o leitor no contexto histórico, político e social do país e da Europa da primeira metade do século XX, de uma forma que me pareceu excessiva e desnecessária. Mas eu podia ter perdoado isto se o livro não me tivesse desiludido também de uma outra forma: a personagem de Serafim Almeida.

Não gostei de Serafim porque, enquanto jornalista a quem estava a ser confiada a história de vida de Irene, estava sempre a julgá-la e a aborrecer-se com o que lhe contava. E, quando não estava a expressar o seu enfado pela história, estava a desdenhar dela:

"Sentia-me algo imbecil por me prestar a ouvir aqueles desabafos de senhora insatisfeita. Haverá algo mais mesquinho do que a inimizade entre duas mulheres?"

A quantidade de vezes que ele pensava coisas deste género foi surreal e irritou-me. Não consegui perceber esta escolha de narrador por parte da autora. Como é que ele ouviu a Irene falar durante tanto tempo acerca da relação complicada que tinha com Lena e ainda assim foi capaz de a reduzir a mesquinhez, e Irene a uma "senhora insatisfeita"? Deu-me nojo. Para além disso, acho que a linha cronológica de 1956 poderia ter sido removida por completo do livro, dado ter sido usada simplesmente como veículo para Serafim se queixar de tudo e mais alguma coisa - ou seja, para "encher chouriços". E para quê? Não acrescentou nada, foi um desperdício.

Se o livro se tivesse focado menos no Serafim e mais na Irene, acho que teria gostado muito mais. Apesar de tudo, acho que a amizade entre a Irene e a Lena ficou várias vezes em segundo plano, o que me desiludiu. Gostei muito da escrita, do desenrolar da história, do facto de esta não ter sido contada de modo linear, e gostei muito da Irene, mas pareceu-me que a autora perdeu muitas vezes o foco, o que, em última análise, afetou muito o meu entusiasmo pelo livro.
Profile Image for Caia_In_Wonderland.
1,059 reviews50 followers
February 20, 2024
Uma história portuguesa de Lisboa, do fado e da natureza do amor, do ódio e da vingança.
Com uma escrita bonita, evocativa e a roçar a clássica, e exaustivamente pesquisado, este livro descreve a Lisboa entre os anos 20 e 50, a cena musical- entre a fama e o despeito, entre público de bem e as prostitutas e marinheiros do cais, e política- na altura ainda mais focada na moral e bons costumes e resultados políticos definidos pelo próprio governo, e também, mostrando as diferenças entre a vida dos ricos e dos pobres. Nesse espectro conta-se então a história de duas amigas cujo diferente passado e família moldará as suas vidas, as suas escolhas e, em última instância, o seu relacionamento.
Fiquei surpreendida com o final. Adoro um bonito laço a fechar a histórias mas isso não aconteceu, a última cena acabou por me deixar com todo tipo de perguntas. É verdade que posso evocar as respostas de tudo o que sei. Porque a verdade é nos dada clara desde o início.
Achei que a narrativa por vezes perdeu-se em detalhes que se afastavam da história e os saltos temporais e de tema nem sempre fizeram a história fácil de seguir, mas entendo que Lisboa só por si era uma personagem e precisava do seu espaço, e que as personagens se construíam também nesse modo mais confuso.
Mais do que uma história de amor e amizade, este livro é uma ode àquela Lisboa, à cultura do fado, da saudade e da melancolia, estas últimas traços comum na maioria dos portugueses.

Tenho adorado ver o crescimento da Célia como autora, e tive o prazer de a conhecer na FLL2023 e de trocar algumas impressões on-line.
Admiro-a muito como artista! E a sua coragem e determinação são de louvar.
Este não é o meu livro favorito mas é sem dúvida o mais bonito a nível da escrita, e que demonstra uma maturidade e voz que conseguiu por certo encontrar entre os seus vários projectos e com a experiência ganha.
Que venham mais.

Menciona: aborto, infidelidade, morte, alcoolismo, misoginia, consumo de droga, e negligência.
Profile Image for João Almeida.
15 reviews1 follower
April 6, 2025
Um excelente retrato da Lisboa da primeira metade do século XX. Ao longo do livro, temos a lembrança do quão difícil era a vida das mulheres portugueses e do quanto tiveram que lutar até ao dia de hoje para que pudessem ter os mesmos direitos que os homens.
5 reviews
July 25, 2025
Confesso que o livro não me cativou logo nas primeiras páginas…não sei bem porquê…poderá ter sido por imensas razões… mas nunca pela falta de talento da Célia!!!
Custou-me “morrer de amores” pelo livro. Mas, rapidamente, fui aprisionada nas teias da amizade da Irene e da Lena, bem como nas descrições (tão vívidas) de uma Lisboa antiga.
As descrições da cidade, a vivência entre as personagens, as suas histórias, os seus encontros e desencontros, estão tão bem alinhados, que nos desalinham a alma e nos conduzem a uma leitura vertiginosa e ao mesmo tempo lenta, onde a vontade de conhecer o desfecho da história se confronta com o medo de terminar o livro e, de nos vermos rapidamente sem mais história…
Terminei o livro com um “Soberbo!”
Obrigada Célia.
Profile Image for Joana Guerra |.
145 reviews
February 28, 2024
4,5.

Escrevo sobre este livro ainda no rescaldo do fim da sua leitura. Que maravilha! Mais do que uma história diferente e plena de inovação ou contrastes arrebatadores e plot twists que nos fazem perder a cabeça, "No Tempo das Cerejas" é estrondosamente bem escrito, de bom gosto, subtil e carregado de pequenos significados.

As histórias de amigas em divergência vão sempre recordar-me de Lenú e Lila, ainda que em pouco se assemelhem. Houve neste livro uma parte em que eu achei que o fio condutor se perderia em repetições das façanhas e temperamento de Lena, amiga de infância de Irene, até que a própria história e personagens o justificaram:

"Procurei apressá-la mas ela deitava muito tempo a perder com considerações fora do contexto, intercaladas com longos silêncios."

A partir daqui tudo começou a fazer sentido.

É o primeiro livro que leio na totalidade de Célia Correia Loureiro, mas estou em crer que a sua experiência se tem vindo a aprimorar a cada novo livro. Este livro mostra a pesquisa que a autora fez para o tornar tão complexo e intenso, os personagens não têm quaisquer reticências (foram tão bem construídos que já deixam saudades), a própria história soa a algo credível e real, ainda que noutros tempos, foi portanto uma belíssima viagem no tempo no que a autora descreve como sendo uma ode a Lisboa e à portugalidade.

"Retomaram a marcha, quase relutantes em quebrar o feitiço da voz feminina que lhes chegava de longe e que parecia ecoar no Tejo através dos séculos, trazendo nas vagas a sorte de ser-se português."
Profile Image for Vanessa.
64 reviews11 followers
June 30, 2024
4,5 ⭐️

No tempo das cerejas foi um livro que me surpreendeu bastante! O início foi um pouco lento, mas depois de alguns capítulos fiquei completamente presa à história da Irene com a Lena.
A Lena irritou-me profundamente! Invejosa, mentirosa e que adora fazer-se de vítima… Às vezes apetecia-me agarrar na Irene e abana-la até ter juízo e deixar de ser amiga da Lena.
Gostei imenso da Irene, a história dela é muito triste, mas infelizmente algumas pessoas vivem para as aparências e não pensam nas consequências das suas ações na vida dos outros. Acredito que a Maria Ana se tenha arrependido das suas escolhas e que por isso tenha decidido adotar a Irene.
Adorei o Rafael, sem dúvida que a minha parte favorita foi a primeira conversa dele com a Irene e de como a encorajou a cantar fado, sem este apoio da parte dele a história podia ter sido muito diferente.
Esta época era difícil para as mulheres, várias vezes revirei os olhos a certos comentários, gostei que o Rafael aceitasse a Irene tal qual ela era, sem querer que mudasse nada, sem a impedir de cantar fado.
O final é que deixou algo a desejar, o facto da Irene ter voltado a falar com a Lena… depois de tudo o que ela fez, para mim não faz sentido mas acho que há amores mais fortes do que a razão.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Paulla Ferreira Pinto.
267 reviews37 followers
Read
March 29, 2024
Confessada ode à Portugalidade, "corrimões", "eminente" para significar algo que estás prestes a acontecer, o despejo de circunstâncias históricas, a intriga comezinha, as baixas invejas banais, a história da paixão dos progenitores da personagem principal, truncada para se afeiçoar aos bons costume e à decência da burguesia lisboeta, o resgate pelo amor de um homem bom… é portugalidade em demasia.
Mesmo pressupondo que se pretende fazer um retrato fiel da vida, mentalidade e preconceitos da pequena e média burguesia lisboeta da primeira metade do século XX, não se deixando de reconhecer o mérito da escrita, está sempre presente uma toada de perigosa aproximação ao cordel: a trama promete profundidade e pouco mais é que decepcionante. (less)
Profile Image for Joana Sousa.
18 reviews1 follower
April 1, 2025
Um livro para todos aqueles que adoram Elena Ferrante
Profile Image for Eduarda Luso.
70 reviews1 follower
October 19, 2024
No início fez-me lembrar o livro “Os sete maridos de Evelin Hugo” pois Irene (a personagem do livro) procura um jornalista (Serafim) para lhe contar a sua história de vida com o intuito de um dia vir a ser publicada em livro!
À volta das origens de Irene e dos acontecimentos na adolescência principalmente com a amiga Lena, com a qual tem uma relação estranha, a escritora escreve um texto bonito, bem estruturado apesar das diferentes datas e leva-nos a uma maravilhosa Lisboa dos anos 30, 40 e 50. Gostei de ficar a saber coisas que não sabia, como por exemplo acerca do Luna parque que abriu em 1933, junto ao parque Eduardo VII. Foca a amizade, amores, frustrações e o quanto o estrato social pode influenciar nisto tudo…
Achei algumas incongruências por exemplo nas datas e um ohhh!!! para o último capítulo!
Mas certamente não vão ficar na prateleira os outros livros de Célia Loureiro!
Profile Image for Mady.
1,391 reviews29 followers
April 15, 2025
DNF @ 25%
Está-me a custar muito avançar no livro e como não me está a entusiasmar, decidi desistir.

Este é um livro sobre a vida da cantadeira Irene Silva Vaz, nascida em circunstâncias miseráveis na Lisboa de ~1906 mas adoptada por uma mulher rica aos 4 anos. Em 1947 convida um jornalista, Serafim, que vive em Londres, para ouvir a história da sua vida e sobre ela escrever um livro. E é este Serafim, em 1956, que nos conta o que ela lhe narrou.

No entanto achei confuso haver três períodos da narração que estão sempre incluídos no texto (Lisboa a partir de 1918, Lisboa 1947 e os apartes incluídos na narração de Serafim em 1956). Para mim o recurso a um jornalista, uma terceira pessoa que tem de descrever tudo o que lhe é contado sobre o passado, mas que dialoga com a Irene do presente, representou uma barreira para sentir empatia com as personagens. Achei até difícil manter-me a par dos nomes de todas as personagens nas página que li, onde a mãe de Irene tanto pode ser mencionada como ‘mamã’, ‘Maria Ana Silva’ ou ‘senhora Silva’. E durante a narração de 1918-1921 não consegui também perceber se Irene teria 7 ou 12 anos?

Porém, reconheço que se nota um esforço em pesquisar e recriar a Lisboa de 1918 e de 1947.

Tive acesso a este livro através da BiblioLED, a plataforma online de empréstimo de livros das bibliotecas portuguesas.
Profile Image for Fatima Regina.
21 reviews
September 14, 2024
Sobre relações humanas complexas em famílias, amizades e amores . Com um encontro amoroso leve, seguro e reconfortante. Recheado com fatos históricos, inclusive do incrível fado.
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