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Canto do Aumento

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Cantar o que não é visto é aumentar o enigma da criação. Lançar o pão que enche a maré, de barriga vazia. Sublinhar o olhar a palavras.

90 pages, Paperback

Published January 1, 2024

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About the author

Andreia C. Faria

16 books29 followers
Andreia C. Faria nasceu no Porto, em 1984. Publicou em 2008 o seu primeiro livro de poemas, De haver relento (Cosmorama Edições). Seguiram-se Flúor (Textura Edições, 2013), Um pouco acima do lugar onde melhor se escuta o coração (Edições Artefacto, 2015) e Tão Bela Como Qualquer Rapaz (Língua Morta, 2017), que recebeu o Prémio SPA 2017 para Melhor Livro de Poesia.

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Celeste   Corrêa .
381 reviews329 followers
March 29, 2024
São três ensaios que iniciam com a seguinte epígrafe:

«O Canto do Aumento assinala o momento mais encantador da vida da colmeia, um momento em que tudo floresce com a acção certa. As abelhas deleitam-se em cumprir a sua directiva de suportar o aumento no mundo.»

Nicolau da Costa, A Sociedade das Abelhas

1º ensaio - CANTO DO AUMENTO

«A minha avó não se projectava no futuro, e eu sinceramente também não. Nem no passado, porque não tenho fome, os lábios quentes da fome, vivo até um pouco enfartada e procuro ser mais orientada nos apetites, um passarinho. [...] mas agora é outra coisa [a proverbial sardinha dividida entre irmãos] que faz com que os filhos dos pobres já não tenham fome mas vergonha de comer.»

2º ensaio - LASTRO

«Penso nos antigos que morriam cedo, com um coração de carne e sem regresso. Penso que viviam com grande intensidade, com esse medo cósmico que guardam as crianças e os faraós e de que as nossas vidas modernas consistem em abdicar. [...] As palavras são estéreis, mas o corpo tem filhos. E tudo recomeça, o espanto cósmico de uma criança, a primeira manhã do mundo.»

3º ensaio - UM POUCO DE MELANCOLIA

«[...] não googlo os sonhos, nunca lhes procuro o significado. Assim, sem significado, inapreensíveis, são valiosos. Um dia acredito, o que aflora em sonhos será o indício da realidade.»
«É difícil não amar alguém que lê, como é difícil querer mal a alguém que dorme ou cujo perfil tímido e ardente se afunda diante do altar.»

Senti que o texto circula entre o pessimismo pois «em breve o mundo será um lugar pobre, árido, descarnado [...] sem outro propósito além de pagar as contas» e optimista na disposição de explorar para além do visível «como as cobras se esfregam nas pedras para largar a velha pele e renascer.»

São apenas 80 páginas (difíceis)....
Profile Image for Ana Meireles.
9 reviews12 followers
June 25, 2024
“Como as abelhas trabalham, cantando, a linguagem suporta o aumento do mundo”
Profile Image for André Gamito.
15 reviews1 follower
Read
February 7, 2025
Cantar o aumento do mundo e da expansão mórbida através de uma redução pessoal, em voz mística, nebulosa, quem sabe asceta. A dimensão poética permite explorar os temas sem rigor filosófico, num cunho pessoal, transmitindo o sentimento quase a partir de uma intenção e de uma imagem, que através da linguagem dos símbolos chega à outra pessoa como um apelo, e não como uma conclusão semântica ou um assunto arrumado.

Aqui, a subjetividade é maior que o mundo, quase numa escrita profética no sentido preditivo e no próprio registo religioso. Estabelece-se quase uma oposição entre humano e máquina, na medida em que o humano que resta é mirrado pelo aumento da máquina, do dinheiro e do consumo, que não só rouba o tempo e a vitalidade ao indivíduo, como agora também a sua identidade.

As reflexões são fascinantes, por mais que fique reticente quanto às definições apresentadas, mas neste contexto quase atingem uma nova verdade por serem usadas na dimensão metafórica, como se certas palavras adquirissem um sentido único em cada poema de prosa.

Alguma tecnofobia, que funciona bem pelo contraste que se quer estabelecer. O aumento começa no "multiplicai-vos" primordial, e chega agora ao registo de cada gesto e de cada palavra, que será usada por marcas para anúncios personalizados, por algoritmos, e quem sabe para espionagem. Numa profusão lírica destas, o aspeto mais importante, ao contrário de livros de poesia que surgem, é que a obra tem inferno.

Continuo a preferir o Canina, que foi das melhores expressões de beleza que li, por mais que tenha um pé atrás em relação às ideias, e que esta obsessão resignada quanto ao fim do mundo seja uma literatura do pessimismo e da derrota, mas há lugar para tudo nos livros.

Talvez demasiado pessoano naquele desassossego de inapto e demasiado intelectual, ou como quem diz, estéril (usando as palavras desta autora), talvez uma falsa solidariedade, uma aceitação do fim que não acredita em si própria, porque as carreiras literárias ascendem na esperança de que haja um futuro, e os versos apocalípticos são escritos pelos que ascendem no meio literário.

Talvez tudo não passe de uma preparação para a catástrofe, se incluirmos os versos de Canina, seguindo a tradição bíblica dos profetas do antigo testamento, ou talvez sejam momentos captados nas alturas do desespero, e não propriamente uma certeza do fim, mas uma manifestação daquilo que é estar dependente de forças maiores que nós, de entidades quase ao nível de deuses em estrutura, que detêm o nosso futuro nas mãos.
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