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Lia: Cem vistas do monte Fuji

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Primeiro romance de Caetano W. Galindo, tradutor de Ulysses e autor de Latim em pó, Lia costura fragmentos de uma existência numa prosa inovadora, revelando com maestria a matéria de que é feita uma vida.

Romances podem ser como filmes. Este é um álbum de retratos. Como fotos, os capítulos devem ser vistos por si sós. Como álbum, o livro pode ser lido em qualquer o que lhe dá sentido (nos dois sentidos) é a vida que registra. É assim que vamos conhecer Lia. Alguém que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas e relances. Não é assim, afinal, que conhecemos todas as pessoas da nossa vida?

"Lia é um livro profundo e lúdico. Enquanto o leitor se entretém com a montagem do quebra-cabeças, satisfeito ao encaixar mais uma peça da misteriosa Lia, Caetano Galindo traduz a complexidade de existir." — Martha Batalha

210 pages, Kindle Edition

First published March 5, 2024

5 people are currently reading
100 people want to read

About the author

Caetano W. Galindo

64 books39 followers
CAETANO W. GALINDO nasceu em Curitiba, em 1973, é professor, pesquisador, tradutor e escritor. Sua tradução de Ulysses recebeu os mais importantes prêmios literários do país.

É autor de Sim, eu digo sim: Uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce (2016), finalista do prêmio Rio de Literatura, e do livro de contos Sobre os canibais (2019). Ensaio sobre o entendimento humano, livro não comercial, com tiragem limitada, recebeu o prêmio Paraná de Literatura em 2013.

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for luisa woidaleski.
257 reviews12 followers
March 14, 2024
pode ser que o sentido das narrativas de ficção seja apresentar uma versão da vida vivida, da vida de cada um de nós, que possa ser reconhecida como diferente, mas que ao mesmo tempo consiga ser lida como parecida.


a emoção agarra minha garganta e eu acho que poderia chorar. poderia mesmo, nesse momento em que escrevo a resenha ou em alguma das passagens que destaquei no livro, ou apenas pensando sobre todas as árvores que não vão crescer porque uma se destacou. que seja. não é sobre mim, ainda que seja um pouco sobre mim.

diferentemente da maioria das minhas leituras, eu sabia sim sobre o que lia se tratava quando li ― ou melhor, eu não sabia nas primeiras páginas, mas logo fiquei sabendo e deixa eu te dizer que foi ainda melhor do que eu imaginei que seria.

o ponto é, eu tive o privilégio de ir ao lançamento de lia e ouvir caetano galindo falar sobre esta mulher. espera, eu já não sei por onde começar a dizer o que eu quero dizer. sim, eu ouvi o autor falando sobre seu romance, sobre a mulher que é lia, sobre esse álbum de retratos, amontoado de fragmentos e também sobre sua vida e como se entrelaça com a de lia, sobre ichi-go e ichi-e, sobre seu irmão e sua família, sobre como a arte é bonita, sobre como as palavras são importantes. sobre viver o momento. e depois disso eu comentei com ele que passei a vida toda em curitiba, mas só fui encontrá-lo pessoalmente aqui em são paulo e ele riu e perguntou qual crime eu tinha cometido e eu ri apontando pro meu noivo (sim, meu crime foi amar demais e sair de curitiba junto com ele quando a oportunidade de um emprego aqui apareceu pra ele). foi só depois de estar no metrô que eu abri o livro pra ler o autógrafo, em que ele circulou a frase eu vi uma mulher e escreveu embaixo e quis que você visse, luisa. e eu vi.

mas não vi uma mulher, vi várias. vi amigas, vi minha mãe, minha avó, vi até algumas mulheres que eu preferia não ter visto. vi a mim mesma refletida nessas páginas. eu vi e eu fiquei sem ar.

caetano galindo contou sobre escrever cem fragmentos ― daí o subtítulo cem vistas do monte fuji ( mas também da série de gravuras cem vistas do monte fuji de katsushika hokusai) ― e a primeira coisa que eu notei ao começar o livro antes de ele começar a falar foi que haviam capítulos “faltantes”. é proposital, na edição o livro passou por cortes, mas manteve a numeração original, é quase como se você enxergasse apenas algumas partes da vida de lia, mas tivesse que preencher o resto com a sua própria imaginação.

enfim, lia. o livro narra a história dela em fragmentos, mas não há uma linearidade, não começamos com o nascimento de lia e terminamos na sua morte, nós vemos seu primeiro beijo, mas antes disso temos a sua filha. tem o deslumbramento infantil, as dores da maternidade, lia-mãe, lia-filha, lia-mulher. na quarta capa é dito que o livro pode ser lido em qualquer ordem, mas eu acho que não é tanto a ordem que importa no fim, mas você ver esta mulher, que é fictícia, mas também não é. nem todo capítulo vai trazer um fragmento da vida de lia, alguns não têm a ver com ela, outros sequer têm personagens, mas ao mesmo tempo é como se lia estivesse sempre ali. como as gravuras do monte fuji, às vezes no plano de fundo, às vezes no centro.

o que eu quero dizer é: lia é um livro lindo e bem pensado.
o que eu quero dizer é: caetano galindo é preciso em suas escolhas de palavras, frases, colocações e de uma genialidade ímpar.
o que eu quero dizer é: leiam lia.

o que eu realmente quero dizer é: eu vi uma mulher e quis que você visse.
Profile Image for Larissa Goulart.
133 reviews7 followers
April 11, 2024
Esse livro é meio sem pé nem cabeça. Eu sei que ele fala da vida da Lia porque o nome dela aparece em vários capítulos, mas se eu tivesse que recontar a vida dela a partir desse livro eu não conseguiria, mas eu acho que esse era o objetivo do autor. Esse livro é meio que um amontoado de contos, entrevistas e outras coisas escritas e não tem muito sentido. Para ler, tem que deixar fluir e não tentar ver sentido.

Eu esperava uma historia que fizesse um pouco mais de sentido? sim, mas errada tava eu em esperar isso do tradutor de Ulysses

Eu recebi esse livro como um ARC da editora e do NetGalley.
Profile Image for Hiago Peixoto.
14 reviews1 follower
June 5, 2024
existe um tipo de literatura semi-cabeçuda que eu, particularmente, adoro. é aquela literatura que se traveste de cabeçuda, mas que no fim é bem simples. é aquela literatura que mexe com o formato, mas não mexe tanto na compreensão: histórias entrecortadas em linhas do tempo não-lineares, fragmentos, retratos, silêncios que são preenchidos por inferências do leitor. isso, eu adoro. é quando o autor tem ousadia, mas ainda assim, não quer escrever um ulysses da vida, sabe?

eu gosto do galindo. e gosto do conceito de lia. mas, infelizmente, só do conceito. me fascina contar a vida de alguém por retratos paralelos, adjacentes, transversais. mas, aqui, eu acho que por influência do próprio joyce — que o galindo traduziu pro PT-BR —, a coisa vira não uma "semi-cabeçuda", mas um "pseudo-cabeçudo", pra mim. lia é um fantasma que pouco aparece na trama. eu não me importo com ela porque eu não sei o que acontece com ele e nem muito menos quem é ela. são apenas divagações. e, sim, divagações bem escritas, até, mas, talvez, perfeitas apenas para o formato que foi originalmente publicado: em folhetim, em textos individuais.
Profile Image for Andre Aguiar.
478 reviews118 followers
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April 24, 2024
Cuida da tua vida aqui. Nem se incomode. Faz o que tiver que fazer. Ela vai ficar ali. Como se não estivesse.
Profile Image for júlia.
9 reviews2 followers
March 21, 2024
Na vida real, a busca de um sentido oculto, de uma relevância fundamental em qualquer detalhe se chama religiosidade. Ou paranoia. Ou, não raro, as duas coisas
ao mesmo tempo.
Profile Image for _takechiya.
42 reviews2 followers
December 23, 2024
O que é uma pessoa?

Lia, pra mim, é a obra do Galindo que eu mais consigo ler sem pensar no Joyce. É dito no posfácio que essa obra nasceu de uma coletânea de textos publicados serialmente, mas apesar desta obra ser não linear e fragmentária, eu não teria pensado nessa possibilidade porque Lia não sofre de uma quebra de continuidade tal como outros livros que tiveram a mesma gênese ou até concepção. Isso porque a estética e o conceito do livro casam perfeitamente bem.

A pergunta que este livro faz é: no que consiste uma pessoa? Existe uma concepção segundo a qual a resposta estaria atrelada a uma narrativa. Estamos sempre criando narrativas que significam as coisas, incluindo nós mesmos. Aquilo que o "eu" significa é definido a partir da narrativa que o eu constrói sobre si mesmo. E a matéria a partir da qual essa narrativa é tecida é, principalmente mas não somente, a memória.

Este livro rompe com essa concepção ao apresentar a personagem principal a partir de uma série de fragmentos de naturezas diferentes. Existe aquilo que Lia pensa sobre si mesma, mas não é isso que nós vemos. O que nós vemos é que, numa cena em que Lia se levanta e abandona a reunião à mesa, duas pessoas diferentes interpretam esse fato de maneiras diametralmente opostas, uma condena e a outra exalta Lia. As duas opiniões são iguais, as duas são falsas, assim como as ficções que criamos sobre nós mesmos.

Vemos isto e outras coisas. Vemos aquilo que acontece após a partida de Lia (não muita coisa), vemos a longa descrição de uma dentição e vemos algumas cenas de amor e de ódio. O que vemos é uma série de epifanias. Este livro é fragmentário e não linear porque não é possível um conhecimento totalizante sobre uma pessoa. Uma pessoa é uma série de coisas que dizem e não dizem respeito a ela mesma, ela está no meio, o influencia e é influenciada por ele ao longo de sua vida. E todos estes momentos guardam alguma coisa de relevante.

Desse mar dialético, as narrativas que nós criamos para significar-nos a nós mesmos são narrativas que ignoram os detalhes de como estava o seu sistema gastrointestinal três dias antes de você comprar um Corsa usado, mas esse é um detalhe importante porque a sua narrativa vai com certeza incluir a viagem de Corsa ao consultório onde você descobriu que estava com câncer. É por isso que o projeto estético deste livro casa tão bem com a temática. Todos os fragmentos nesse livro falam da mesma coisa, e ao mesmo tempo não significam nada.
Profile Image for elesbinho.
88 reviews
August 4, 2025
Lia é uma reconstrução de uma pessoa a partir de fragmentos: aqui temos 100 capítulos curtos, de uma página cada, com pequenas descrições de eventos da vida de uma única mulher, que conhecermos por todas essas facetas. Algumas nem tratam da mesma Lia o tempo todo: em um dos capítulos, a narradora se confunde e trata de uma Lia cujas descrições não batem com a que nós estamos a conhecer_ nos forçando em um exercício de análise a partir dali para reconhecer os narradores confiáveis e os que não são_ assim como as histórias contadas de boca-a-boca na vida real. As descrições de Lia que vamos montando são também as opiniões de quem a conheceu, quem viveu próximo e são moldadas pelo clima, pela animosidade e pelo afeto daqueles que falam. Alguns dos 100 capítulos nem mesmo existem: como recordações mal-formatadas, são completamente excluídas, e a linha do tempo do livro não condiz com a da vida real: conhecemos primeiro uma Lia avô, depois uma Lia criança, depois uma Lia já moça, depois uma Lia já morta. E não é assim que conhecemos todas as pessoas?
Profile Image for Mario Soares.
220 reviews6 followers
April 20, 2024
Mas, afinal, que troço é "Lia"? Um romance? Um conjunto de crônicas? Uma coletânea de contos? Não! "Lia" é pura poesia.
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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