É um livro muito bom, com enredo bem trabalhado e personagens únicos. Eu amei que a autora saiu muito da bolha “personagens perfeitos” porque todos ali erram em algum momento – menos a Evellyn e a Emilly, elas são uns ícones – e isso os torna ainda melhores.
No início, achei a Camila bem chata, mas ela é uma adolescente e suas questões consigo mesma são óbvias, é insegura e até um pouco tímida. A evolução dela fica nítida no final e isso sempre faz valer a pena. A amizade que ela tem com a Emilly e com a irmã é uma das coisas mais bonitas do livro.
O Alex merecia ter sofrido mais. Achei ele um babaca e não mudei muito minha percepção após o final. O POV dele poderia ter sido melhor aproveitado – ou simplesmente não ter sido colocado –, pois ainda restam dúvidas sobre o que aconteceu com a mãe dele exatamente, como fica a relação dele com o pai e o irmão, muitas coisas ficaram em aberto em torno da história dele. A forma como Alex reagiu a descoberta da vingança não me agradou, por um momento, lá no início, parecia que ele percebia a Camila e se sentia intrigado, mas esse sentimento não foi explorado.
Os protagonistas como casal são maravilhosos, com uma química e tanto. Senti amor e ódio pelos dois – tanto como casal quanto como personagens individuais. Achei meio rápido a forma com que a Camila se apaixonou, esperava uma resistência maior dela pelas coisas que falava, e é interessante como o Alex se apaixonou e ninguém viu – nem mesmo ele. Outro ponto que me incomodou: Camila não ter tido a oportunidade de se sentir atraída por outra pessoa, o que seria super justificável e normal com as opções que ela tinha, colocando apenas um clichê que eu não curto muito, que é causar ciúmes.
O Manual é super realista. Na vida real tenho certeza de que ele daria certo para as meninas, principalmente porque a natureza dos homens cis são a mesma e eles têm um padrão de comportamento. Meghan é uma personagem genial e, apesar de tudo, dá para ver que é uma pessoa bem sensível.
Na verdade, todos os personagens se destacam de forma positiva e negativa. Vou destacar apenas um negativamente, que é o pai da Alice e da Camila. Ele parece ser um bom pai, preocupado, e que quer proteger as meninas, mas achei o ciúme dele doentio. Eu ficava constrangida de forma desconfortável mesmo toda vez que ele agia obcecado pela solteirice das filhas com o papo torto dele sobre como homens são. Enquanto a mãe sempre se mostrou – tentando ser – presente e compreensiva, foi um alívio ter ela ali. Todos os outros personagens da trama carregam uma leveza maravilhosa, as interações sempre bem naturais, ainda que alguns fiquem desaparecidos por um tempo.
Para finalizar, a escrita da autora é maravilhosa, dá para querer ler tudo em apenas um dia e isso seria possível se eu não estivesse ocupada. Normalmente, eu falo da escrita primeiro, mas tive que deixar por último por causa de um incômodo que meio que se conecta: a diagramação do Manual me incomodou muito, as letras estão pequenas e não tem como dar zoom – no meu kindle, pelo menos – porque é como se fosse foto ou algo assim. Foi bem ruim para ler as regras, achei que atrapalhou na fluidez do texto. E as mensagens também são trocadas com fotos, o que eu não aconselho porque isso pode atrapalhar na hora de atrair leitores cegos. Às vezes a beleza atrapalha a acessibilidade de outros públicos, os autores no geral precisam se atentar a isso.