Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. "Quando se percorre a poesia escrita por mulheres ao longo do século XX português, o nome de Natália Correia continua a surgir como um dos que causaram uma repercussão mais duradoura, quer pela sua personalidade forte e polémica, quer pelo alcance da sua obra literária", diz Fernando Pinto do Amaral no Prefácio a esta obra. Realizada tendo como base a edição mais recente da Poesia Completa de Natália Correia (Dom Quixote, 1999), esta antologia destina-se sobretudo à divulgação do principal da sua obra poética. O critério posto em jogo para seleccionar os poemas pretendeu obedecer a um equilíbrio (naturalmente sempre instável) entre o gosto pessoal do organizador e a representatividade dos diversos períodos da sua escrita. Este é, sem dúvida, um livro que poderá facultar aos leitores do século XXI uma visão de conjunto da grande poetisa Natália Correia.
Natália de Oliveira Correia foi uma escritora e poeta portuguesa. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.
Nada a fazer, amor, eu sou do bando Impermanente das aves friorenta...s; E nos galhos dos anos desbotando Já as folhas me ofuscam macilentas;
E eu vou com as andorinhas. Até quando? À vida breve não perguntas: cruentas Rugas me humilham. Não mais em estilo brando Ave estroina serei em mãos sedentas. Pensa-me eterna que o eterno gera Ouem na amada o conjura. Além, mais alto, Em ileso beiral, aí me espera:
Andorinha indemne ao sobressalto Do tempo, núncia de perene primavera. Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Não gostei de todos os poemas, porém reconheço a maravilhosa escrita e a mestria de Natália com as palavras. A forma como Correia escreve é fluída e com um certo toque de ironia, quando o tema é a política. 3 estrelas sólidas. Não apreciei grandemente os poemas referentes ao espaço europeu, e daí não manter as 4 estrelas, com esta segunda leitura.
Interesse/comoção: 3 Escrita e estrutura: 3 Aprendizagem: 3
Não é bem a minha chávena de chá poética, mas há poemas muito bonitos e bem conseguidos nesta coletânea. Se houvesse mais deputados a argumentar com poesia, as sessões do parlamento seriam mais interessantes.
Vem das estrelas o sangue que nos guia/ E na amorosa perfeição da carne/ está toda a eternidade resumida.
Sentir nos baste. Ideias são reveses./ Da vida, as natirais disposições, / Sigamos, Flávio. Até que sejam deuses / As nossas sensações.
In Rio de nuvens: Um navio que não tenho / Num rio que não existe. // Eu venho do sonho e fujo da vida.
In Poemas: O LIVRO DOS AMANTES (VII) Deixa-me assim ficar no que consente /a minha alma no gosto de reter-te/ essencial. Onde quer que te invente. (VIII) Eis-me sem explicações / Ccrucificada no amor / a boca o fruto e o sabor.
In dimensão Enocntrada: E DE MÃOS DADAS OS AMANTES CADA VEZ MAIS APROXIMAM-SE DO PARAÍSO (II) Amor: o brilho da espada / Que corta as veias do tempo / E eu ebriamente enrolada / na onda do teu movimento.
QUEIXA DAS ALMAS CENSURADAS Dão-nos um bolo que é a história / Da nossa história sem enredo / E não nos soa na memória / Outra palavra para o medo.
VERDADEIRA LITANIA PARA OS TEMPOS DE REVOLUÇÃO
Cantico do pais emerso "Tudo o que em nós é atavicamente marítimo" (VI) Embebo-me na solidão como uma esponja / Por becos que me conduzem a hospitais. / O medo é um tenente que faz ronda / E a ronda abre sepulcros fecha portais; (VII) O cais é urgência. O embarque é agora.
A minha última leitura do ano. A minha estreia na poesia de Natália Correia. E que bela combinação esta! Confesso que estava à espera de ser arrebatada de uma forma diferente, em alguns poemas, no entanto, é fascinante como expressa os seus pontos de vista, como intervém através da palavra, centrando-nos em problemas concretos e urgentes. Com um tom ora carnal, ora vulnerável, é uma obra com inúmeras camadas e intencionalidades, na qual se identifica uma certa ironia e uma forte identidade política.