Heitor Nichilo está à beira de um colapso, que pretende evitar esquecendo-se de alguns fatos, os quais, por sua vez, não vão parar debaixo do tapete facilmente e acabam por transformar qualquer experiência de Heitor Nichilo numa nuvem cinza de poeira e lembranças esfumaçadas, por isso, ele luta consigo mesmo para conseguir pensar outros pensamentos que não sejam sobre os fatos de que pretende se esquecer, então, pensando por esse lado, eu percebi que os acontecimentos da noite do dia 29 de janeiro de 2002 de jeito nenhum poderiam ser compreendidos sem que levássemos em conta o fato de Heitor Nichilo estar à beira dum colapso, de modo que decidi escrever um livro-reportagem, embora saiba que os gêneros textuais são pecinhas de brinquedo daquelas perigosíssimas para crianças, e é por pensar assim que também trago ao texto empréstimos de outros gêneros como o documentário true crime, o romance policial e o depoimento, porque só assim julgo ser possível entender o porquê de Heitor Nichilo, estando à beira do colapso, ter feito o que fez. Ou não.
Bruruçu te prende muito e faz você querer ler tudo de uma vez só. Tem um humor muito irônico e sarcástico, uma história envolvente. Uma sátira dos tempos atuais e pra quem é tuteiro, muitas referências. Vale a pena demais a leitura.