Vento seco e frio proveniente do Saara que sopra em direção oeste ou sul para costa Africana. O Harmatã leva consigo uma quantidade razoável de poeira do Saara, deixando sobre a costa africana, um incrível véu poeirento e como consequência os aeroportos são fechados, a fim de evitar acidentes. Em Harmatã, de Pedro Cobiaco, o vento sopra forte levando quase tudo dos corações de Fábio e Lua, um casal separado pela distância, que ainda compartilham do mesmo sentimento de afeto.
Harmatã (2015) é uma micro HQ com roteiro e arte de Pedro Cobiaco, que rendeu ao autor o prêmio de Novo Talento-Roteirista no HQMIX 2014.
A base de todo o quadrinho é uma ligação telefônica entre um casal separado por conta de uma viagem a trabalho da moça, Lua; entremeada pela leitura de uma carta de sua autoria a Fábio, seu ex-companheiro. O destaque aqui é a própria carta reproduzida em termos reais, contida num belo envelope colado à página - palmas à @editoranemo!
O traço de Fábio, solto e "sujo", me agradou menos que seu belo roteiro e uso da poesia de García Lorca. Ainda assim, foi uma boa experiência para um primeiro contato com o autor.
Ficou o desejo de que a história tivesse, pelo menos, o dobro de sua extensão, para que pudessémos apreciar com mais detalhes as qualidades do artista.
Uma HQ repleta de experimentalismos. Pedro Cobiaco explora uma história simples, com o tema da saudade. Os diálogos são profundos. Fala-se muito, muitas vezes usando poucas palavras. A arte cumpre seu papel em uma história onde os personagens estão a mercê de seus sentimentos - e com medo disso. O problema, para mim, encontra-se no ato final. Eu não sou o cara conhecido por amar poesias. Também não sou muito fã de certos artifícios alternativos. No meio da história há uma carta. Esta carta é física, está presa a HQ. O leitor precisa abrir o envelope, desdobrar o papel e, após a leitura, devolver tudo a seu lugar. Não é o meu estilo de publicação, prefiro ler tudo em formato digital quando posso escolher, mas também não é algo que prejudica a história. A parte mais difícil de engolir foram os versos poéticos. Mas admito que este é também um problema de gosto pessoal. Se você gosta de histórias com alto teor dramático, diálogos que carregam a trama e publicações alternativas, leia Harmatã.
El detalle de edición de la carta fue lo que más me gustó, fue por lo que decidí traérmelo cuando lo vi. Quizá es porque lo leí con traductor en mano, pero me costó conectar a pleno con la emocionalidad del relato. Fuera de ello, hermosa edición y ritmo de viñetas, me inspira.