Que grata surpresa; o melhor livro do ano até agora. Sabe quando você já sabe que vai gostar da leitura? Eu já sabia que ia me dar bem com Sweig, simples assim. Escolhi esse por ser o menor e por estar com vontade de ler novelas/contos agora, e não poderia ter sido melhor minha escolha.
Vamos por partes, então.
Medo:
Primeira novela e, definitivamente, minha preferida. Só conseguia pensar em como eu gostaria de ter escrito essa história. A protagonista, Irene, uma aristocrata que ama a vida na elite, é flagrada por uma mulher ao deixar a casa de seu amante e vê se tornar real o medo absoluto que sempre sentiu de ser descoberta e perder tudo. O medo que ela sente espirala de tal forma que no meio da história já nem sei mais diferenciar o que é real e o que é paranoia, ao mesmo tempo que, no processo, vemos ela descobrindo muito de si, da sua identidade e do mundo que a cerca. Maravilhosa história, final surpreendente pra mim, até mesmo questionei como um homem poderia ter escrito tão bem esses sentimentos que ela vai descobrindo na história. A leitura beira o febril e cheguei a ler com ar preso pra descobrir o que iria acontecer no final, torcendo muito pra que desse tudo certo pra ela. Incrível!
Carta de uma desconhecida:
Minha segunda preferida. Ok, passei uma raivinha com a narradora, honestamente só conseguia pensar “meu Deus mulher seja empoderada que humilhante!!” - mas depois que engoli que seria humilhante mesmo, não tinha jeito, fui me envolvendo com a história. Nesse caso, uma mulher desconhecida prestes a suicid4r envia uma carta ao homem que ela sempre amou, mas que nunca soube que ela existia, contando como ela viveu - sozinha - uma história de amor entre os dois por anos e anos. O final é o melhor possível, torci muito pra que aquilo acontecesse, e várias passagens eram tão brilhantemente escritas que não tem como não gostar.
24 horas da vida de uma mulher:
O final foi previsível pra mim, mas ainda assim gostei muito - apesar de menos do que gostei das demais novelas. Temos a história de uma mulher, Mrs C., viúva, que nos seus 40 anos, ao visitar um cassino, encontra um homem prestes a encerrar a própria vida de tão afundado no vício do jogo; ela, sem qualquer propósito de vida, percebe que ajudar alguém pode ajudar ela mesma. Anos depois, ela narra essa história a um vizinho, em busca de redenção. Também brilhantemente escrita, torci por ela do início ao fim.
Enfim, mal posso esperar pra ler mais de Sweig e que bela primeira leitura do autor. Indico fortemente!