Este livro é uma viagem pelo percurso de Super Mario no século XXI, uma das franquias mais icónicas da história dos videojogos. O autor revisita títulos fundamentais e não se limita a enumerar lançamentos: mostra como cada jogo marcou um passo na evolução de Mario — ora arriscando novas fórmulas, ora regressando às origens. A dimensão do livro naturalmente limita a quantidade de informação.
A análise começa com Super Mario Sunshine no GameCube (2002), com o peculiar dispositivo ACUAC (FLUDD para quem jogou em EN) que substitui armas tradicionais e mecanismo de transporte e abriu caminho a novas mecânicas, mas cujo conceito de “férias tropicais” dividiu opiniões. Depois passa por Super Mario Galaxy (2007), uma reinvenção magistral da jogabilidade 3D com física gravitacional com os planetas e narrativa inesperadamente profunda (comparativamente falando...é um jogo de Super Mário, não é Baldurs Gate) graças a Rosalina e ao “storybook” de Koizumi, que levou a certas resistências preferindo abordagens mais tradicionalistas do "jogo pelo jogo em si". A sequela Galaxy 2 (2010), lançada tão próxima do primeiro, talvez ilustre um certo excesso — dois títulos assim tão perto podem soar repetitivos, ainda que tecnicamente brilhantes.
Tal como os dois Galaxies foram lançados muito próximos, dois lançamentos desta colecção focarem-se na chancela Super Mário poderá também ser algo excessivo dado que há tantas outras sagas vitais para a história dos videojogos.
Voltando ao livro, este também aborda o regresso ao 2D com a série New Super Mario Bros. (DS e Wii), que devolveu a simplicidade clássica, vendeu mais de 30 milhões de cópias e introduziu cooperação para quatro jogadores. Já no período Wii U, New Super Mario U e a versão dedicada ao Luigi não conseguiram salvar uma consola menos bem-sucedida, embora tivesse vendido bem mas não o suficiente.
Um dos pontos mais fascinantes é o capítulo sobre Super Mario Maker (2015) e a sua sequela para a Switch (2019), que deram aos jogadores poder criativo sem precedents nesta franquia. O autor recorda ainda Super Mario Run no mobile (2016), os RPGs como Mario & Luigi e Bowser’s Inside Story, o fenómeno contínuo de Mario Kart (com Mario Kart 8 como campeão de vendas da Wii U) e até a inesperada parceria com a Ubisoft em Mario + Rabbids Kingdom Battle (2017), onde Mario usa armas cartoonescas pela primeira vez.
O culminar vem com Super Mario Odyssey (2017), que redefiniu o sandbox 3D com a mecânica brilhante de Cappy, capaz de transformar Mario num Goomba, num T-Rex ou até num táxi. É o epítome da criatividade da série e, a par dos Galaxy, um dos jogos mais bem avaliados de sempre (97% no Metacritic).
O livro não se esquece do lado cultural: a nostalgia de Pauline, o carisma de personagens mais recentes como Rosalina e Cappy, os vilões Bowser e Nabbit, e as transformações memoráveis (Mario gato, metal, fantasma, elefante, T-Rex…). Até o filme de 2023/2024, coproduzido por Shigeru Miyamoto, encontra aqui o seu espaço.
Em suma, trata-se de uma leitura cativante que mostra como Mario continua a reinventar-se e a ditar tendências, mesmo que, por vezes o ritmo frenético de lançamentos quase excessivos (como no caso dos dois Galaxy) deixe espaço para debate. Inclui também imagens dos vários lançamentos, mini-bios e stats de vendas e pontuações na metacritic. Um livro interessante para qualquer fã da história videojogos que queira entender não apenas o herói da Nintendo, mas também o impacto cultural e criativo de Mario no século XXI, embora um fã desta franquia em particular possa ficar um pouco desapontado.