Se você ainda tem contato com os mundos invisíveis bom. Se essa relação te foi arrancada à força, você precisa mais da poesia do Ariel do que pensa. Não é dom, é devoção, diz o samba de Janine Mathias. Ariel é um poeta da devoção, devoto do êxtase. Permita-se sentir atordoada, nauseado, fora de si, esses são os efeitos da viagem. Lembra quando você encontrou aquela flor seca entre as páginas? Este livro aqui está cheio de flores iguais às do dançarino Kazuo Ohno “ela não é bonita, não é muito bonita, mas é de uma beleza que esvanece no céu”. Contemple a flor. Não é só ler. Coloque o livro de Ariel sobre a sua cabeça, agora é sua vez de psicografar um poeta do sensível, morrer através dele. Como Ariel fez sampleando Cruz e Sousa, se misturando a Clarice Lispector, lançando um remix para fora deste plano. Escute o eco de Ariel batendo no fundo do universo e ricocheteando de volta. Reaja! Retome a relação que te arrancaram à força, volte a ser o eco da floresta e exploda de tanto rir. Julia Raiz
Marcelo Ariel é poeta, ensaísta e teatrólogo. Nasceu em 1968 no bairro do Macuco em Santos, viveu por quarenta anos em Cubatão (sp) e hoje vive em São Paulo. Entre seus diversos livros, destacam-se os recentes Ou o silêncio contínuo: poesia reunida 2007-2019 (Kotter, 2020), que conquistou o segundo lugar no prêmio Biblioteca Nacional, Nascer é um incêndio ao contrário (Kotter, 2020), Subir pelo inferno, descer pelo céu (Kotter, 2021), As três Marias no túmulo de Jan Van Eyck (Círculo de Poemas, 2022), Escudos (Arte & Letra, 2023), 22 clareiras e 1 abismo (Letra Selvagem, 2023) e Afastar-se para perto (Reformatório, 2024).