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Campo Pequeno

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Em Grande Turismo, seu romance de estreia, João Pedro Vala era narrador e personagem principal; agora, em Campo Pequeno, é o demiurgo criador de um universo em que ora participa, de que ora se abstém, mas que manipula a seu bel-prazer.

Em Campo Pequeno, um bebé prestes a nascer, uma freira semiatropelada, um conquistador mongol, uma mulher roxa, um beatboxer amador, um casal sadomasoquista, um caçador ocasional, um cangalheiro que tira cervejas durante os Santos Populares, uma mãe negligenciada, um ator italiano, um jogador de futebol dos campeonatos distritais, um consultor chato como tudo e um cão ajudam Heitor, Laura, Gabriel e Mafalda na procura de um sentido para as suas vidas.

Se em Grande Turismo João Pedro Vala olhava para dentro, à procura de si mesmo, aqui as atenções viram-se para um mundo que procura, sem grande sucesso, invadir.

216 pages, Paperback

First published February 1, 2024

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João Pedro Vala

10 books10 followers

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1 star
3 (5%)
Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Francisco Salgueira.
48 reviews4 followers
February 7, 2025
‘Imaginei que envelhecer talvez fosse isso: a vida a acumular-se debaixo dos nossos pés, connosco cada vez maiores, já curvados para não batermos com a cabeça no tecto.”
Profile Image for Cláudia Oliveira.
323 reviews421 followers
March 2, 2025
“Imaginei que envelhecer talvez fosse isso: a vida a acumular-se debaixo dos nossos pés, connosco cada vez maiores, já curvados para não batermos com a cabeça no teto.” 🤍

Um livro sobre um grupo de amigos que procuram um sentido para as suas vidas. Não desgostei, mas não é nem o meu género de livro nem o meu tipo de escrita…
Profile Image for Maria Saraiva de Menezes.
Author 23 books17 followers
May 17, 2024
“Aquele sítio agredia-a.
Mudaram-se para casa dele depois de casarem por ser grande o suficiente e não ser alugada, o que levava a que, segundo o Hugo, fizesse sentido.
Desde a lua-de-mel que sentia vontade de o estrangular sempre que ele usava essa expressão ou a sua fiel escudeira, a Isso-não-faz-sentido, como se a vida fosse, para aquele jumento, dividida ao meio entre coisas que faziam sentido (mudarem-se para ali; fazerem as compras da semana ao domingo; diminuir-se os impostos às grandes empresas para elas depois terem residência fiscal cá; irem de manhã bem cedo para a praia de forma a evitar o trânsito; casar em Outubro por ser mais barato e ainda se apanhar o tempo quente; terem um filho, dois no máximo; pedirem várias entradas e depois só um prato a dividir) e coisas que não faziam sentido (pagar para ir ao cinema quando podiam ver o filme só os dois sem chatices; não privatizar a TAP; agora tudo ser racismo; ler poesia; uma pessoa ainda descontar para a Segurança Social em vez de haver um sistema de pensões como deve ser).“

Adorei a forma despudorada como o autor despe as personagens, simbólica e literalmente, para nos expor sem artifícios a mais crua misantropia e nos lembrar de que somos todos assim. E que além das conversas de conveniência num almoço familiar, todos se odeiam e têm vontade de matar, assim como de ir para a cama com outro nas barbas do marido, que já se odeia, ali mesmo na presença de todos os convidados. A literatura de Vala não pede licença para ser autêntica, expor todos os ridículos, convidar um narrador para fazer parte da trama e explicar-nos coisas como se fôssemos mentecaptos. Ficamos a adorar esta trama onde se expurgam todos os nossos ódios de estimação. A cereja no topo do bolo é que o escritor percebe mesmo de pessoas, e de sentimentos, e de personagens e do grande teatro da vida. Sabe que tudo é vão, que nos iremos como a espuma dos dias e ainda por cima, goza com isso. Resta acrescentar que as suas personagens existem mesmo nas nossas vidas e que algumas somos nós próprios, em dias maus. Ou talvez todos os dias. Obrigada por não nos ter poupado a nada. Doeu. E gostámos.
Profile Image for Sara Portela.
275 reviews46 followers
April 28, 2025
2 stars

Read for the Book Club
Theme: PRÉMIO WOOK'24 NOVOS AUTORES

Uma história diferente, marcada por um estilo de narrativa que tinha bastante potencial, mas que a meu ver, prometeu muito e entregou pouco. O final seriamente descompensado arruinou a boa experiência que o livro proporcionou nos primeiros 50%.

Interessante leitura, mas ultimately, a bit pointless e sem direcção.
Profile Image for Carmo.
131 reviews6 followers
May 9, 2024
Diferente. É um livro que dificilmente vai ser apreciado por muitos. Mas vale sobretudo pela ousadia em ser diferente. Interessante perceber como é possível escrever ficção assim. Diferente. Só isto. Recomendo pela descoberta que a leitura do livro nos oferece. Uma nova forma de contar uma história.
Profile Image for Ilda Silva.
8 reviews
October 27, 2024
Uma galeria com muitas personagens, algumas só um pestanejo de pensamento, torna difícil entrarmos na pele destes pequenos canalhas. Laura, Heitor, Mafalda, Gabriel. Todos tão diferentes e todos secretamente à procura do mesmo, de si mesmo.
Profile Image for Carlos Brandao.
145 reviews3 followers
December 14, 2024
Olhar para os outros e levar o leitor a identificar personagens reais ou indentificar se a si mesmo como parte da história de Vala.
Os pequenos vicios, as traições, o papel que cada um desempenha na vida de cada um e o relativismo inerente .
Bom livro / boa observação das gentes.
Profile Image for Joaquim Margarido.
299 reviews39 followers
December 28, 2024
Abraçamos um livro de João Pedro Vala com a certeza de que não nos iremos deparar com aquele tipo de leitura que nos faz penar eternidades ou nos obriga a abandoná-la ao fim de umas quantas páginas. A sua escrita espelha um quotidiano do qual nos sentimos cúmplices, discreto na sua essência, despojado de artifícios, que nos faz sorrir das nossas fraquezas, desventuras e imperfeições. Dispensando o grande artifício, as histórias revelam-se plenas de ironia naquilo que a própria vida tem de irónico. Desperdiça-se o tempo em frente ao televisor a ver o Canal Hollywood ou o Roland Garros, elegem-se as citações à categoria de frases filosóficas, o “percebes” é um tique de linguagem que contamina os diálogos, discute-se política em defesa da hombridade do Passos Coelho e o sexismo ainda faz valer a sua lei. Aos domingos, acorda-se estremunhado, espreitando pela fresta a ver se é dia.

A tendência para falar a brincar de coisas sérias é algo que sabíamos de “Grande Turismo” ou do pequenino mas enorme “Muro”, divertidíssima peça literária que resulta de uma residência artística em Figueiró dos Vinhos. Em “Campo Pequeno” João Pedro Vala volta a surgir-nos na pele do narrador e a desenhar o mesmo olhar sobre a vida, embora distanciando-se dela o suficiente para que melhor a possamos observar. Vemos, então, o que distingue aquilo que, na vida, faz sentido (“casar em Outubro por ser mais barato e ainda se apanhar o tempo quente”) e não faz sentido (“não privatizar a TAP, agora tudo ser racismo, ler poesia, uma pessoa ainda descontar para a Segurança Social em vez de haver um sistema de pensões como deve ser”). Nestes pequenos nadas percebemos o reflexo de uma sociedade sem crédito nem ideias, acomodada e falha de iniciativa, a não ser a de se enforcar no coreto do terreiro, como o grande Toninho Mamas.

Laura e Heitor, Gabriel e Mafalda. Mas também Heitor (o pai do Heitor), Manuela e Francisco, Hugo e o pequenino Tomé. Uma freira semi-atropelada, um conquistador mongol, uma mulher roxa, um beatboxer amador, um casal sado-masoquista, um caçador ocasional, um cangalheiro que tira cervejas durante os Santos Populares, uma mãe negligenciada, um actor italiano, um jogador de futebol dos campeonatos distritais, um consultor chato como tudo e um cão. São figuras de uma história que, pontas ligadas, ilustra a demanda do autor sobre o sentido da vida. Entre a esperança e o desânimo, a norma e o desconcerto, todos eles são arquétipos de um quotidiano que cabe, inteirinho, num “campo pequeno”, fechado sobre si mesmo, feita de voltas que se sucedem numa lógica de eterno retorno. No final, não ficará das personagens grande coisa para contar, antes a ideia de identificação com o afã constante de quem se esquiva a uma bandarilha ou sobrevive a uma orelha cortada.
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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