As histórias de amor podem terminar para logo recomeçarem com novas personagens. O que nos mostra como a vida pode ser cómica e desastrada - e não ter fim.
Tudo começa com um diálogo insólito, e já um pouco alcoolizado, do qual resulta a geminação de duas cidades. Uma em França; outra em Portugal - Compiègne e Guimarães. Com ela, aparecem também personagens que completam a ligação entre esses dois mundos que, antigamente, conheciam os trânsitos da emigração e da pobreza: todas elas vivem em redor de Amália (portuguesa, que canta fados em ré e tem o apelido Rodrigues) e de Cédric (francês, que trabalha na morgue local).
Entre Amália e Cédric nasce um amor cheio de coincidências e dificuldades: nasceram no mesmo dia e no mesmo ano. Apesar de ela ter nascido em Guimarães (cidade de indústria e comércio no coração do Minho) e ele em Compiègne, partilham as mesmas perplexidades, a mesma busca por uma identidade e a mesma sede de amor, entrando em conflito com o passado e com o presente. O confronto é por vezes burlesco, por vezes enternecedor, mas também trágico, sombrio e multicolorido. São o humor e a graça que determinam como é a vida - e se pode escapar à lei da morte.
Sérgio Godinho é um poeta, compositor e intérprete português.
Como autor, compositor e cantor, personifica perfeitamente a sua música “O Homem dos 7 Instrumentos”. Multifacetado, representou já em filmes, séries televisivas e peças teatrais. A Dramaturgia surge com a assinatura de algumas peças de teatro assumindo-se também como realizador.
"... a felicidade, em estado duradouro, não existe. Ou, se existe, é oca e bacoca, como se dizia na sua terra. Não se pode colher flores e esperar que elas durem para sempre. São como a felicidade. O certo é que acreditamos que ela pode ser mesmo para sempre... ...Ignorando que nada resiste à prova real do tempo. "
Amália é uma jovem portuguesa que aos 16 anos emigra com os pais para a cidade francesa de Compiègne onde nunca se sentiu "em casa". Quando faz 21 anos toma a decisão de regressar a Portugal e trabalhar na sua cidade natal : Guimarães. Na noite em que festeja o seu 21° aniversário, conhece um jovem que nesse mesmo dia completa também 21 anos, Cédric. Cédric é natural de Compiègne e trabalha na morgue local onde é extremamente profissional e competente. Cèdric e Amália apaixonam-se à primeira vista e vivem um amor arrebatador e intenso, eles consideram-se o espelho um do outro: são almas gémeas e nem mesmo a distância de 1611 km esmorece este sentimento. Este foi o primeiro romance que eu li do Sérgio Godinho e confesso que mesmo prevendo o rumo desta história, não estava a contar para este final. O autor construiu uma história de amor simples, frenética, cheia de sentimento que culminou num final feito à pressa, de forma atabalhoada e sem qualquer sentido. Este é um daqueles casos, na minha opinião claro, em que um final trapalhão estraga tudo.
Sérgio Godinho num registo diferente! Uma trama bem conseguida, personagens com muitas dimensões e uma resolução bastante realista do enredo. Para quem gosta de histórias inusitadas!
Pode um bom romance começar com uma má primeira frase? Pode. E este é a prova disso. "Era uma mulher e um homem, um homem e uma mulher, e vice-versa". Este início manquejante, esbanjando palavras, é contrariado pela maior parte da narrativa.
Talvez nunca antes o Sérgio Godinho romancista tenha estado tão próximo da frase precisa, do texto escorreito que se exige - pelo menos, eu exijo - a um escritor.
Os jogos de palavras que dão cor, corpo e graça a canções, são ruído num romance. E Sérgio Godinho abandonou esse toque (ou tique) muito presente em trabalhos anteriores.
Curiosamente, isso acontece numa obra em que brinca com o próprio reportório, plantando versos de canções que escreveu em diversas passagens.
"Vida e morte nas cidades geminadas" é sobre a vida, as conquistas e as perdas, o amor, a morte, a construção de identidade. Ou a identidade sempre em construção, percurso inacabado. É um grande romance. E deixou-me com vontade de sorver o Sérgio Godinho escritor de canções. Talvez faça sentido ir agora ouvir o "2.° Andar Direito".
O Sérgio Godinho é um dos maiores artistas portugueses da actualidade. Infelizmente, tal não é percebido pela grande parte das pessoas. Mas é, de facto, um brilhante músico e um escritor portentoso - como os seus poemas e prosa o refletem.
Nesta obra, com os seus permeios de seriedade e humor, descreve os encontros e desencontros de duas almas gémeas (por variadas razões), recorrendo aos seus trocadilhos e estórias de tradições e contemporaneidade.
Uma óptima leitura. Simples. Calma e, sem dúvida, jocosa.
Gostei bastante de quase todo este romance. Bem escrito, com uma história leve e corrida, uma leitura bem fluída. Os últimos capítulos, desiludiram-me um bocadinho. Estava tudo a correr tão bem entre a Amália e o Cedric... Eram tão apaixonados... E de repente aquela correria no final, um bocado desfazada do resto da história. Apesar de tudo achei um bom livro. Gostei de conhecer esta faceta do Sérgio Godinho.
Vida e Morte nas Cidades Geminadas, Sergio Godinho . “... a felicidade, em estado duradouro, não existe. Ou, se existe, é oca e bacoca, como se dizia na sua terra. Não se pode colher flores e esperar que elas durem para sempre. São como a felicidade. O certo é que acreditamos que ela pode ser mesmo para sempre... ...Ignorando que nada resiste à prova real do tempo.” . o amor e o desamor o encontro o manter a distância a saudade . gostei deste livro li-o ontem , de uma ponta a outra gostei da escrita gostei dos personagens gostei das voltas e reviravoltas da vida . porque a vida é assim corrida e com finais inesperados . @sergio.godinho.oficial obrigada 🙏🏽 . . . . . . #books #bookstagram #booklover #bookaddict #ler #leituras #lerparaescrever #prazerdeler #sergiogodinho #quetzal #goodreads #goodreadschallenge #leituras