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Floradas Na Serra

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Floradas na serra tem como linha de desenvolvimento a estadia de Elza, uma jovem moça, em idade de casar-se, que escondida de seu noivo e com apoio de sua família, viaja e permanece durante longa temporada em Campos do Jordão com o objetivo de tratar sua doença, de nome nunca pronunciado.

O livro explora a relação de Elza com as pessoas com que conviveu, relações essas coloridas de acordo com o estado de sua saúde, mostrando desde a solidão e despeito que sentiu quando chegou em Campos e se deparou com doentes em muito melhor estado do que ela, bem como o que sentiu quando provocou esses mesmos sentimentos em outras pessoas.

O livro ainda é precioso quando descreve os vários destinos daqueles milhares de pessoas que corriam para aquela região na busca de salvarem suas vidas. Aqueles que possuíam recursos ficavam em pousadas exclusivas para o tratamento, com todo o conforto, outros tinham que ficar nos sanatórios, dividindo enfermarias e outros ainda que nem disso podiam dispor dividiam a condição de miséria dos nativos mais pobres, que em troca de qualquer contribuição financeira expunham a saúde de toda a família ao receber tais hospedes. Todos buscavam salvar a própria vida.

162 pages, Paperback

First published January 1, 1939

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About the author

Dinah Silveira de Queiroz

26 books14 followers
Sétima ocupante da Cadeira 7, eleita em 10 de julho de 1980, na sucessão de Pontes de Miranda e recebida pelo Acadêmico Raymundo Magalhães Júnior em 7 de abril de 1981.

Dinah Silveira de Queiroz, romancista, contista e cronista, nasceu em São Paulo, SP, em 9 de novembro de 1911, e faleceu em São Paulo, SP, em 27 de novembro de 1982.

Filha de Alarico Silveira, advogado, homem público e autor de uma Enciclopédia brasileira, e de Dinorah Ribeiro Silveira, de quem ficou órfã muito pequena. Quem lê Floradas na serra, seu livro de estréia (1939), tem sua atenção despertada por aquela cena em que, ao morrer, um personagem, não querendo contaminar a filha pequena, despede-se dela, à distância, e pede que retirem a fita que prendia o cabelo da menina para beijá-la. A cena se passou na realidade com a escritora. Dona Dinorah veio a falecer aos vinte e poucos anos, deixando duas filhas: Helena e Dinah.

Com a morte da mãe, cada uma das irmãs foi para casa de uma parenta. Dinah foi morar com sua tia-avó Zelinda, que tanto influiria em sua formação. Datam desses tempos as temporadas na fazenda em São José do Rio Pardo, na Mogiana. Nas freqüentes visitas que o pai fazia à filha, havia sempre tempo para os livros, quando ele lia, em voz alta, as narrativas de H. G. Wells. As passagens da Guerra dos mundos causariam grande impressão no espírito da menina, assim com os escritos de Camille Flamarion a respeito de astronomia.

Dinah Silveira de Queiroz estudou no Colégio Les Oiseaux, em São Paulo, onde com a irmã Helena colaborou assiduamente no Livro de Ouro, vindo “por motivo de doença de Helena”, como sempre assegurou, a ficar, afinal, com seu troféu literário de menina. Casou-se aos 19 anos com Narcélio de Queiróz, advogado e estudioso de Montaigne, que teria grande influência nas leituras da mulher e a levaria a descobrir a vocação de escritora. Teve duas filhas: Zelinda e Léa. Em 1961, a romancista enviuvou e, no ano seguinte, casou-se com o diplomata Dário Moreira de Castro Alves.

Seu primeiro trabalho literário recebeu o título de Pecado, seguido da novela A sereia verde, publicado pela Revista do Brasil, dirigida por Otávio Tarquínio de Sousa. Seu grande sucesso viria em 1939, com o romance Floradas na serra, contemplado com o Prêmio Antônio de Alcântara Machado (1940), da Academia Paulista de Letras, e transposto para o cinema em 1955. Em 1941, publicou o volume de contos A sereia verde, voltando ao romance em 1949, quando publicou Margarida la Rocque, e em 1954, com o romance A muralha, em homenagem às festas do IV Centenário da fundação de São Paulo. Ainda em 54, a Academia Brasileira de Letras lhe conferiu o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Em 1956, fez uma incursão no teatro com a peça bíblica O oitavo dia. No ano seguinte, publicou o volume de contos As noites do morro do encanto, que fora laureado com o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras (1950). Em 1960, publicou outro volume de contos, Eles herdarão a terra, no qual já manifestava seu interesse pela ficção científica, que irá expressar-se melhor em Comba Malina (1969). Em ambos, prevalece a narrativa vazada dentro do chamado realismo fantástico.

Em 1962 foi nomeada Adido Cultural da Embaixada do Brasil em Madri. Após o casamento com o diplomata Dário Moreira de Castro Alves, seguiu com o marido para Moscou. Permaneceu na União Soviética quase dois anos, escrevendo artigos e crônicas, que eram veiculados na Rádio Nacional, na Rádio Ministério da Educação e no Jornal do Commercio. A ausência do Brasil criou em Dinah Silveira de Queiroz a necessidade de uma contribuição à vida brasileira, à qual concorria com suas crônicas diárias, mais tarde recolhidas no livro de crônicas Café da manha (1969), e ainda em Quadrante I e Quadrante II.

De volta ao Brasil, em 1964, escreveu Os invasores, romance histórico em comemoração do IV Centenário da fundação da Cidade do Rio de Janeiro. Em 1966, partiu novamente para a Europa, fixando-se

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1 star
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Displaying 1 - 19 of 19 reviews
Profile Image for Rita.
912 reviews189 followers
April 1, 2023
Floradas na Serra, publicado em 1939, é o primeiro romance de Dinah Silveira de Queiroz.

Tal como Hans Castorp da A Montanha Mágica e Armando d’A Febre das Almas Sensíveis Elza hospeda-se na Pensão de Dona Sofia em Abernéssia, na Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão.



Em todos estes locais internavam-se homens e mulheres tísicos, maneira como naquela altura se chamavam os doentes com tuberculose.

Floradas na Serra tem como personagem Elza, uma rapariga que tem uma enorme vergonha da sua doença e por isso esconde da família e do noivo a sua condição.

— Mamãe, quero pedir uma coisa...
— Já me pediu mil vezes. Eu já sei, fique tranquila. O Osvaldo não saberá.


Depois de Elza ser internada para tratar da enfermidade acompanhamos a sua amizade com Lucília, Belinha e Letícia e o seu relacionamento com Flávio, outro enfermo.

A ligação de Elza e Lucília é a mais interessante. Elas são o oposto uma da outra, e as suas posturas perante a doença são totalmente diferentes. Enquanto Elza sofre com a doença, Lucília nega o seu diagnóstico.

É através da paixoneta com Flávio que conhecemos um pouco da realidade dos sanatórios masculinos.

As personagens são jovens que lidam com o amadurecimento, com o amor e com as escolhas para o futuro, mesmo que este seja incerto devido à doença.

— Os amores aqui são assim todos... Duram pouco. Muitos porque começam perto da morte, outros porque aquele que se cura esquece o outro que fica...

Gostei da escrita, da história, das personagens, do final em aberto, mas faltou força ao romance.

Fun fact 👉🏻 O nome Abernéssia nasceu como homenagem a duas cidades escocesas: Aberdeen e Inverness 🙄
Profile Image for Oziel Bispo.
537 reviews84 followers
October 11, 2021
O romance Floradas na Serra, lançado em 1939, início da II guerra mundial, tem o seu tema pautado na tuberculose e seu tratamento, numa época em que a doença ameaçava a saúde pública e mobilizava a sociedade brasileira em função dos altos índices de mortalidade. Ter tuberculose naquela época era uma sentença de morte, não existia um tratamento eficaz, apenas paliativo. Não era como hoje que, se bem tratada, uma tuberculose pode ser combatida em três meses. Quando se descobria a tuberculose na época, a sobrevida era de 5 anos. Fazia parte do tratamento paliativo ir a lugares de alta altitude, como em “a montanha mágica” de Mann. O lugar escolhido pelas personagens do livro foi Campos do Jordão. Com um clima famoso por suas propriedades medicinais, a cidade à época não era uma cidade turística, mas uma cidade triste, cheia de pensões e sanatórios para o tratamento da tuberculose. Era a nossa Davos Suíça. A trama gira em torno de quatro moças num internato para recuperação de tuberculosos nesta cidade. O casal principal é formado por Elsa e Flávio. Elsa deixa São Paulo ao descobrir-se doente, deixando para trás seu noivo. Em Campos do Jordão se envolve emocionalmente com um interno, o pintor Flávio. O segundo casal é formado por Lucília e Bruno, um escritor casado, também em recuperação. O envolvimento de Lucília vai levá-la às últimas consequências, com final quase trágico. A terceira moça é apaixonada pelo Dr. Celso e lutará pelo seu amor contra Olívia. Neste ambiente onde se contrasta a maravilha do clima e das paisagens com o sofrimento da doença é que essas personagens irão se desenvolver. Amor, ciúmes, sofrimento e angústias farão parte das vidas destes seres humanos condenados, bem como as dores físicas causadas pela doença. Uma mistura mortal. As personagens são marcantes e inesquecíveis. Turquinha e Belinha; o admirável Dr. Celso; o ambicioso Bruno e a irreverente Lucília, alter-ego da autora e Elza, a incompreendida, vão fazer você se emocionar! O livro foi um sucesso total à época do lançamento, 1939, a primeira edição se esgotou em 20 dias. A obra foi adaptada ao cinema e a televisão. A autora foi muito premiada neste seu primeiro livro, inclusive com o cobiçado Prêmio Alcântara Machado. Mais uma preciosidade esquecida da literatura brasileira. O livro é ótimo e realista. Várias vezes passei mal com as descrições dos tratamentos, chorei com as histórias tristes e o desespero dos personagens, e me alegrei com algum momento de felicidade que elas tiveram. Dinah também tem outro livro muito famoso, “A muralha” que virou minissérie na Globo.
37 reviews1 follower
August 28, 2021
Nos remete a reflexões pertinentes ao momento em que vivemos uma pandemia.
Profile Image for Maria Fernanda.
63 reviews4 followers
August 4, 2025
É bom ler uma escritorA escrever sobre mulheres. Gostei de ter lido livro, me encantei, mas por vezes me dispersei. Mas definitivamente Margarida La Roque é melhor.
Profile Image for Maria Celina.
91 reviews15 followers
January 21, 2023
Precisava muito de um período de um ano em Campos do Jordão
Profile Image for Agnes.
177 reviews4 followers
January 4, 2025
tem um contraste muito interessante entre a natureza vivíssima, que explode em vida e cores e texturas, que se renova, e as frágeis vidas desses tuberculosos, tumultuadas internamente e limitadas pelo corpo débil. dinah tem um controle de escrita gigante, com frases diretas e muito reais, cheia de diálogos cortantes na sua sinceridade, e um olhar para a vida que arregaça os medos com certo modo que traz conforto para o fato de que é transitória, mas nos deixa a pergunta: será se somos capazes de nos curarmos da morte?

duram pouco, mas são lindas
Profile Image for Bia.
257 reviews
May 30, 2025
Uma novela das seis, mas com um lado bem sombrio e melancólico que domina a narrativa ali pelos 40% e que me pegou bastante. Se considerarmos que foi o 1o romance da Dinah....DIVA demais.
5 reviews
September 24, 2021
Apesar de, tal como uma boa maioria dos portugueses, ter crescido a ver telenovelas, programas dobrados e afins, ler em português do Brasil é-me incómodo, causa-me grão nas vistas e a caminhada pelo livro exige um esforço que normalmente prefiro não me cobrar. Faço-o apenas quando o livro o merece. Dispus-me a fazê-lo pelo "Fim" de Fernanda Torres e fi-lo agora pelo "Floradas na Serra". Este é o livro de estreia da autora Dinah Silveira de Queiroz que retrata um curto período na vida de um sanatório de tuberculosos, onde a morte, a dor e a doença estão tão presentes quanto o amor, a esperança e a felicidade. Duma forma simples, mas quase melódica, o leitor é convidado a ir viver uns dias no sanatório e a olhar para aquela comunidade do ponto de vista de quem lá está, nunca se sentindo à parte, num canto seguro, onde a "peste branca" não lhe toca. É possível conviver com a doença, estando ela em nós ou próximo, e ainda assim ter capacidade para amar desalmadamente, para coscuvilhar, para desdenhar, para comemorar. Mesmo que a morte nos apanhe a meio do baile.
Profile Image for Carla Parreira .
2,067 reviews3 followers
Read
December 31, 2025
"Floradas na Serra" é uma obra que, ao mesmo tempo em que retrata uma história de amor e esperança, mergulha profundamente na experiência da doença, da solidão e do enfrentamento do medo. A narrativa acompanha Elsa, uma jovem de apenas 19 anos, que vive o drama de estar isolada em um pensionato em Campos do Jordão, tratando de tuberculose — uma doença que, na época, não tinha cura, e cujo tratamento dependia do clima montanhoso que ajudava na recuperação.

O livro consegue transmitir, com uma sensibilidade impressionante, as emoções de Elsa: a vergonha de esconder sua condição do noivo na Inglaterra, o sentimento de abandono e o desejo de esperança. Sua relação com Flávio, um pintor também em tratamento, introduz uma camada de complexidade emocional, mostrando como o amor pode surgir mesmo no meio do sofrimento, e como a esperança pode florescer entre as adversidades.

A escrita de Dinah é notável pelo seu lirismo e maturidade, refletindo uma autora de apenas 28 anos que consegue captar as nuances mais delicadas das emoções humanas. O cenário de Campos do Jordão, com sua atmosfera montanhosa e silenciosa, funciona quase como um personagem, evocando a sensação de isolamento e de busca por cura.

Apesar do sucesso inicial, hoje a obra parece ter sido esquecida, o que levanta uma reflexão sobre como o tempo e as políticas literárias podem relegar autores que, como Dinah, abordaram temas considerados marginais ou de nicho, como a ficção científica ou histórias de doença. Sua ligação com esses temas, embora inovadora, pode ter contribuído para que sua obra não recebesse o reconhecimento merecido na literatura canônica.
Profile Image for Lara Desanti.
143 reviews
July 24, 2025
Temos aqui jovens doentes, sozinhos e retirados em Campos do Jordão. Não estão acamados, não: só se à beira da morte mesmo. A rotina livre é mais um dos tratamentos elusivos para uma doença que, na época, ainda não tinha cura. Tem algo de bonito no que guia suas ações pouco supervisionadas: "posso morrer a qualquer momento, tenho que viver agora". É romântico e trágico como normalmente as histórias de tuberculose são. Universal e, ainda assim, muito brasileiro. Gostei de verdade.

Chega a ser uma vergonha eu nunca ter ouvido sobre Dinah, segunda autora a ser imortalizada pela Academia Brasileira de Letras. Ela fez tanto sucesso em vida e agora quase esquecida? Imortalidade...
Profile Image for Thiago Da silva.
101 reviews4 followers
June 16, 2021
Romance bonito sobre a fragilidade da vida (ameaçada pela doença) e sobre as diferentes relações que as mulheres têm com a maturidade e com os homens (a metáfora das floradas). Há algo de convencional no livro, mas a leitura é muito agradável e capaz de colocar questões ao leitor contemporâneo. Recomendo
Profile Image for Nara.
716 reviews7 followers
March 31, 2022
"Eles me chamam, mas que será de mim se eu olhar para trás?"

Ambientando em uma das cidades que eu mais amo nessa vida Campos do Jordão ❤
O romance tem aquela mesma lentidão do clima de sanatório da Montanha Mágica de Thomas Maan, aquele clima de doença e gente moribunda que faz qualquer um se perder no tempo, mas com todo nosso clima de serra do Brasil.
Profile Image for Laís Arjona.
383 reviews
May 26, 2024
Sem palavras pro quanto essa história mexeu comigo, sensível e emocionante, talvez por tratar de pessoas tão jovens e tão doentes, me emocionou bastante.
A escrita da Dinah é muito bonita, ela conduziu a narrativa de um jeito nem óbvio e nem mirabolante demais, tudo no ponto certo.
Amei demais e logo quero ler outros livros dessa autora que teve uma trajetória tão rica e tão interessante.
Profile Image for lin.
581 reviews
January 12, 2024
um pouco decepcionada com o enredo, sinceramente, mas a atmosfera do livro é exatamente o que eu imaginei
achei os últimos capítulos bem corridos, parece que a autora ficou com preguiça de escrever
Profile Image for Bianca Drewnowski.
82 reviews
December 26, 2024
Li por indicação da Tamarindo Books e amei, ele tem uma vibe... uma atmosfera... a história... os personagens... Além de tudo traz boas reflexões, vale muito a pena!
Profile Image for Rita Martins.
156 reviews3 followers
April 27, 2022
História comovedora.
Escrita pautada por sentimentos muito fortes, descrições sensitivas e falas expressivas que tornam este livro uma obra exemplar.
A sofreguidão com que os personagens vivem é arrebatadora e são essas emoções extremas que se transferem para o leitor, sendo lhe impossível não sentir empatia e compaixão ao longo do trajeto dos protagonistas.

"Duram pouco, mas são lindas!"
"Eles me chamam... Mas, que será de mim se eu olhar para trás?"
Displaying 1 - 19 of 19 reviews

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