Dois rios nasceu da paixão de Tatiana pelo mar e da vontade de inseri-lo em suas tramas, sempre baseadas em algo que toque sua vida. "Sou movida a impulso e emoção, e a minha literatura terá sempre isso", revela a escritora. Para Tatiana, o mar pode levar para o mundo, para o desconhecido; mas também pode levar pessoas queridas, nos tirar de onde gostaríamos de estar. "Eu quis explorar essas duas numa parte o mar impulsiona; na outra, provoca a espera." Quando morava na França, em 2007, ela resolveu passar o verão na Córsega, e se encantou com a ilha. No final daquele mesmo ano, foi para Dois Rios, Ilha Grande, um dos lugares mais bonitos que já viu. "Decidi escrever uma história que juntasse as duas ilhas", conta. Assim nasceu o triângulo amoroso entre os irmãos gêmeos Joana e Antônio e a bela francesa de cabelos revoltos Marie-Ange. Joana, refém da culpa, dos laços rompidos com o irmão e do comportamento obsessivo da mãe, a encontra na praia de Copacabana; Antônio, fotógrafo internacional, sem porto certo, no lotado metrô de Paris. Essa mulher cruza seus caminhos e entra numa história cortada por uma perda do passado e um segredo contido nas ondas da Ilha Grande.
Tatiana Salem Levy is a Brazilian writer and translator. Her parents were Turkish Jews established in Portugal during Brazilian military government. She studied literature at the Federal University of Rio de Janeiro and the Pontifical Catholic University of Rio de Janeiro and she has lived in the United States and France.
Mais uma excelente surpresa que o outro lado do atlântico me trouxe. Joana e Antonio, irmãos gémeos, ela fica sempre no mesmo sítio, em casa a cuidar da mãe, ele atira-se para o mundo e não tem poiso certo. Tudo muda quando surge Marie-Ange, que faz com que Joana queira sair do seu mundinho e com que Antonio queira ter um poiso fixo. No fundo, são dois rios que desaguaram no mesmo mar.Gostei muito da escrita fluída da autora e da forma como a história vai sendo apresentada, com alternâncias entre o passado e o presente. Só me fez confusão a cronologia dos factos. Supostamente, Antonio conhece Marie-Ange antes de Joana, mas depois há um acontecimento que ocorre quando Marie-Ange deixou Antonio, mas quando Joana chega ao mesmo sítio em que Marie-Ange e Antonio viveram a sua aventura, esse acontecimento não tinha acontecido. Isto deixou-me na dúvida, e às tantas a ideia é essa, mas nada que estragasse a experiência de leitura.
#emsetembrolemosbrasil - isto está a correr muito bem! :D
Narrado de forma vívida e cativante, este romance começa por nos transportar para o calor do Verão, podemos quase sentir a brisa quente e a vontade de mergulhar no oceano. Dividido em 2, é uma forma muito original de contar a estória de Joana e António, irmãos gémeos separados num ponto como um rio se parte em dois.
Durante mais de uma metade da parte de Antônio pensava que somente estava a ler por conseguir acabar com o livro. O fim me supreendeu nem por acontecer nenhum supresa mas por como Salem Levy consegiu efectuar uma forma à narração que nem fatigou o leitor mas impartir um jeito de paciência que vale o esforço prestado em continuar.
Não consegui encontrar motivos para gostar deste livro. A escrita é demasiado directa, rápida e superficial. Falta-lhe espessura, e as tentativas de insuflar alguma carga lírica só pioram a situação. A divisão em capítulos muito curtos não ajuda e reforça a impressão de superficialidade. Há numerosos lugares-comuns: a oposição entre os temperamentos e os destinos de irmãos gémeos, a bifurcação da narrativa em função da decisão de uma personagem... A segunda parte contém algumas passagens conseguidas, como por exemplo a "pesca miraculosa" de peixes-voadores ao largo da vila corsa, mas não chega para tornar o livro interessante.
I have to confess I didn't like the book, although there were a few enjoyable nuggets here and there. It reads more like the efforts of a pretentious student in a creative writing workshop than anything else: there is an attempt at a non-linear narrative structure that ends up just being confusing, the french settings and characters are exotic cliches, the "poetic" prose, and, last but not least, a character that is the most accomplished example of magic pixie dream girl this side of indie american films and teenage fan-fiction. Also, the central pair ends up being just the embodiment of ideas in a yin-yang duality. Unfortunately Tatiana Salem Levy only manages to make on of them, Joana, come alive-the other, Antonio, ends up just being an unlikeable and unrelatable mess.
«O mundo é belo apenas para si mesmo, e temos sorte se o apanharmos de improviso.» (p.73)
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«Se eu soubesse de antemão o final desta história, certamente não a teria começado. Mas na vida, ao contrário do que acontece nos livros, o fim vem sempre no fim; o começo, no começo. Pudéssemos inverter a ordem das coisas, muitas histórias não existiram.» (p.199)
Dois irmãos e duas histórias de amor, permeadas pelas marcas de algumas crises familiares. Um livro com passagens muito bonitas, um tanto melancólico e bem gostoso de ler. Recomendo.
A vila de Dois Rios, no Rio de Janeiro, possui um rio chamado Dois Rios. Como se isso aí já não fosse aguado o suficiente, existe ainda mais um fato curioso sobre o rio Dois Rios: ele desagua no mar. A autora Tatiana Salem, sabendo disso tudo, constrói a partir daí a trama de seu livro. É uma premissa do simbolismo que permeia todas as páginas, e saborear essas alegorias foi a minha parte favorita do livro.
Joana e Antônio são irmãos gêmeos que carregam em si uma grande ambivalência. Assim como o rio Dois Rios contém em si um rio e dois ao mesmo tempo, Joana e Antônio ecoam essa contradição. São unha e carne, e mesmo quando se desunem estão irremediavelmente ligados. O livro se divide em duas parte, uma para cada gêmeo.
Em "Joana", Marie-Ange decide viajar da França para o Brasil, onde Joana a conhece e se apaixona por ela. Em "Antônio", Marie-Ange fica na França, onde se envolve com Antônio. As duas histórias acontecem em realidades paralelas, mas como os dois rios que correm num rio só, possuem pontos de confluência.
Marie-Ange é como o mar, inconstante e cheia de vida. Vai separando as histórias dos irmãos como o mar os separa em continentes, mas assim como o mar, também é um elemento de ligação. Gera fascínio, mas é preciso cuidado para não ir fundo demais nesse deslumbramento.
/ dois rios /
Agora, um ponto de vista bem particular: "Dois rios" é um bom livro, mas não me marcou muito. Não é bem o tipo de leitura que lembrarei por meses a fio.
A parte "Joana" nos introduz vários novos fatos. Nele conhecemos a mãe de Joana e suas lutas diárias com o TOC, a relação conturbada entre irmãos, o passado da família (incluindo aí uma breve discussão sobre a ditadura militar), a personalidade de Marie-Ange...
Na parte "Antônio"... bem, é basicamente tudo de novo. Um ou outro fato novo surge, mas nada além do esperado.
Talvez a minha maior queixa com "Dois rios" seja justamente sobre essa simetria entre as duas metades. O simbolismo disso tudo fica bem redondo com a proposta do livro, e eu aprecio isso. O problema é que, em termos de enredo, da leitura na prática, a segunda parte fica bem arrastada e repetitiva.
Brasil e França. Joana, António e Marie-Ange. Joana e António são gémeos com um passado traumático marcado pela morte do pai. Entre os dois existe uma relação complexa causada pelos sentimentos de culpa e de dependência emocional. Joana vive no Rio de Janeiro a cuidar da mãe, enquanto António viaja pelo mundo a fotografar. Marie-Ange, uma fotógrafa francesa, aterra na vida dos irmãos e traz com ela a maior das mudanças. Joana vai querer sair do seu mundinho e conhecer outros mundos e António vai querer deixar o mundo para fixar morada num sítio só. Dois rios que desaguam no mesmo mar. Escrita fluída. Enredo bonito. Personagens marcantes e sofridos. Saltos temporais entre o passado e o presente. Segredos familiares. Luto. Amor. Culpa. Família. Ressentimentos. Perdão. Relações humanas e como o passado molda o presente. Recomendado (a quem como eu está cada dia mais apaixonada pela literatura brasileira).
“Dizem que quando conhecemos o amor da nossa vida o tempo pára. Quando perdemos também. Às vezes me ponho a imaginar se para você o tempo está passando, ou se os dias são sempre o mesmo. Se aportou em lugar lugar ou se continua à deriva, se tem água suficiente, se tem pescado, se tem comida, se ainda pensa em mim. Pensa?” (pág. 179)
A história de dois irmãos gémeos, Joana e Antonio, cujas férias da infância eram passadas em Dois Rios, um lugar para eles cheio de magia, uma praia onde desaguam dois rios. A primeira parte do livro pareceu-me trivial, a história de um amor vivido por Joana que a leva a revisitar a infância como única forma de poder largar-se num voo maior. Mas depois vem a história de António, como se de um rio paralelo se tratasse. Vemos as duas versões de uma mesma narrativa, as suas subtis diferenças, as vivências espelhadas nos olhos dos dois irmãos. Uma história de ilusão e outra de desilusão, que se encadeiam com mestria como se de um ouroboros se tratasse. Fim e princípio combinados num eterno retorno. Muito bem conseguido este efeito por parte de Tatiana Salem Levy! De notar ainda a boa construção da personagem da mãe com uma patologia obsessivo-compulsiva vincada na tentativa sempre frustrada de ter algum controlo sobre a sua vida, a vida do marido e dos filhos.
Estou um pouco confusa com a lógica do livro, infelizmente, para mim, os factos precisam encaixar, o autor pode abusar na ficção, mas mesmo ficcionado eu preciso de encaixe e ficou ali uma parte que eu não consegui encaixar, na sobreposição do encontro entre os gêmeos e a Marie -Ange , calhando é um TOC meu, como se numa calçada de pedra portuguesa, perfeitinha, lisinha houvesse um linha disforme e mal acabada. Adorei o começo, a segunda parte é bonita, mas achei que alongou demais e aquela espera poderia ser mais resumida. Achei um livro bonito, mas confesso que fiquei confusa e longe de ter entendido completamente.
História bem escrita com uma profundidade leve mas com um crasso erro cronológico que estraga o fim do livro. Como é que o editor deixa passar um pormenor destes? Confuso. Contudo, até lá se chegar, é agradável. Alguns pormenores da história podiam ter sido mais explorados em vez de repetidos pelas duas personagens. Precisamente pelo facto das duas personagens pensarem de forma diferente, a autora podia ter explorado muito mais.
Dois irmãos gémeos que cresceram em Dois Rios e que guardam desse passado um trauma e um segredo. A vida acontece e esses dois rios que vieram de uma só nascente separam-se mas como toda a água procuram um mar onde desaguar. A forma belíssima e sensual como duas vidas são retratadas e a terceira que é o mar selvagem que as faz correr.