Iniciei "A Terapeuta" após ter adquirido em promoção na Editora Presença - daquelas 3=10€, que no fundo são uma pechincha e a gente precisa destas alegrias para encher mais um bocadinho o armário onde se encontram os tristes livros à espera que os selecionemos como próximos.
Não sei se pela capa, se pelo título, se por precisar de "espairecer" após um denso e maravilhoso "Irmãos Karamázov", Gaspar Hernàndez pareceu-me muito bom como leitura seguinte para as minhas viagens de comboio.
Terminei-o hoje mesmo e não poderia ter ficado mais apático com o seu fim - tanto que, tamanha a rispidez com que termina, fiquei com a sensação de que na verdade eu não percebera nada sobre o assunto real do livro.
Na altura em que o olhei antes de o começar a ler deparei-me com uma capa em que se lia "Sem memórias do crime, ninguém é culpado"! Perante isto senti que iria ler sobre uma terapia em que o traumatizado Hector iria, pela hipnose e demais abordagens necessárias, acabar por se recordar passo a passo de tudo o que aconteceu e, com isso, descobrirmos o que haviam sido as motivações para a morte da jovem e em que moldes a mesma ocorre.
Ao longo das mais de 200 páginas seguimos um fio condutor, com muita, muita, muita repetição das mesmas ideias - sem qualquer necessidade -, muitas vezes com as mesmas palavras que já havíamos lido há 4 páginas. Isto foi tornando a leitura cada vez menos atrativa, ainda que, de fundo, por uma razão ou outra, sempre me pude agarrar ao fio literário de curiosidades que por ali eram colocadas.
A questão é que em toda esta repetição de ideias e o tal fio condutor que supracitei, o livro entra numa terceira parte na perspetiva da terapeuta que me dá a ideia de que afinal tudo isto era sobre ela e não sobre o Hector.
Acredito que foi uma daquelas situações em que a capa mais me iludiu e em que a falta de encadeamento mais prejudicou a experiência de leitura. Há, contudo, muitos momentos de leitura imensamente visuais, sem que para tal sejam precisos muitos pormenores. A escrita é muito leve, fácil de acompanhar.
Pelo fim apanhei uns erros sobre designações de medicamentos que, enquanto profissional de Farmácia, mereceram que mandasse uma crítica construtiva à editora.
Enquanto experiência foi decepcionante, mas vejo neste escritor potencial para muito mais do que este livro foi capaz de me oferecer.