A obra completa da coleção Mar de Histórias, antologia do conto mundial é composta de 10 volumes independentes, contém nada menos que 239 contos escolhidos entre os melhores de 192 autores pertencentes a 41 literaturas. Foi empreendida há mais de quarenta anos por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Paulo Rónai.
O material está disposto por ordem cronológica da publicação dos contos. Cada um deles é precedido de uma introdução que o situa na obra de seu autor e na respectiva literatura. Notas abundantes facilitam a compreensão dos textos.
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira foi um lexicógrafo, professor, tradutor, ensaísta e crítico literário brasileiro. Foi o autor do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa e membro da Academia Brasileira de Letras
a obra merece um 5, mas a minha experiência de leitura foi um 3. na média, 4. *** o começo desse primeiro volume, com pré-contos e contos antigos mais curtos, fluiu muito bem para mim. lá pelo meio do volume, porém, a leitura emperrou e só foi recuperar ritmo mais para o final. como os autores-compiladores-tradutores explicam no (excelente) prefácio, fez-se o possível para preservar o estilo de redação dos originais. eu, que sou meio mobral e leio essencialmente literatura contemporânea ou, quando muito, moderna, empaquei durante meses no Cupido e Psique de Apuleio, cuja história já conhecia de cor. o texto era lindo, até compreensível, mas eu abria o livro e pegava no sono. quando finalmente pulei o dito cujo, a leitura seguiu melhor, embora os contos seguintes não tenham me encantado tanto quanto os iniciais. fui aos trancos e barrancos até o trecho mais final do livro, quando a decadência da Igreja começa a trazer uma lufada de ar fresco e até mesmo os contos moralizantes ficam divertidos. essa é, claro, uma experiência muito pessoal. quem gosta mais de literaturas antigas ou dorme 8 horas de sono por dia não terá grandes dificuldades. pessoalmente, pulei para o último volume da coleção e vou tentar lê-la de trás para frente. ;)
Realmente foi uma ótima ideia ler os primeiros volumes da coleção “Mar de histórias”. Terminei agora o primeiro volume, que pega desde as origens do conto, há milhares de anos, até o final da Idade Média. Em verdade, boa parte dos textos são esboços do que viria a ser conto, mas é uma experiência das mais enriquecedoras conhecer a “genealogia” do gênero.
Tem conto egípcio, tem conto grego, tem conto da Bíblia e do Talmude, tem histórias de tradição hindu e budista. Embora boa parte dos contos não escape do natural “envelhecimento”, não causando mais, hoje, o mesmo efeito que tiveram à época, a leitura é bastante simples e sem grandes problemas de entendimento.
Interessante como muitas das histórias de que se serviam os escritores foram sendo reaproveitadas e adaptadas em diferentes partes do mundo. As notas introdutórias de Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Rónai são essenciais para compreendermos o contexto da publicação dessas histórias.
Um dos contos que mais gostei foi “De um sábio grego que era retido em prisão; como julgou de um corcel”, que faz parte da coletânea italiana “Novellino”, anterior ao próprio Boccaccio. Mas a divertida história deve ser mais antiga, como sugerem os editores.
Interessante também os contos referentes à “vida dos Santos”, do Jacobus a Voragine – que, entretanto, não tinha a intenção de fazer literatura.
Na parte final, há o próprio Boccaccio, com três contos, e depois tem alguns dos seus “seguidores”. Das “Mil e uma noites” há uma história também, que vem a ser a de abertura, isto é, a que explica como foi que a Sherazade principiou a narrar as suas histórias. Bem divertida também é a história que encerra o livro, “Como um defunto, levado vivo ao túmulo, se pôs a falar e provocou riso”, do Poggio Bracciolini.
Quase todos os contos são curtos e se lê rapidamente, com exceção do célebre “Amor e Psique”, de Apuleio.
É um livro muito interessante de ser lido não apenas por aqueles que estão interessados em saber mais sobre as origens do conto, mas da própria arte de se contar histórias.
Esse 1º volume de antologia do conto mundial traz os primórdios: "das origens ao fim da Idade Média". Reconhecemos grande parte dessas histórias, tão presentes em outras obras com outra roupagem e adaptadas para a época e cultura local. Antes de cada conto temos uma apresentação de sua origem e contexto, excelente para quem quer não apenas apreciar a estória, mas também a história por trás de cada um.
Histórico de leitura "24) das Facécias - 3/5" excluir | editar
"23) do Hitopadexa - 2/5"
"22) das Mil e Uma Noites - 3/5"
"21) das Trecentonovelle - 4/5"
"20) do Decameron - 4/5"
"19) de Como Frei Genebro Cortou uma Perna a um Porco, Somente para dá-la a um Enfermo - 2/5"
"18) Do que Aconteceu a um Rei com os Trapeiros que Fizeram o Estofo - 5/5"
"17) A Lenda de são Barlaão e são Josafá; A Lenda de são Julião, o Hospitaleiro - 2/5"
"16) A Rata Transformada em Menina - 5/5"
"15) Aqui se Conta de um Fidalgo que o Imperador mandou Enforcar; De um Sábio Grego que era Retido em Prisão - 3/5"
"14) Amor - 3/5"
"13) Da Cadelinha Lacrimejante; Da Serpente de Ouro - 3"
"12) Eu Quero o Ladrão - 2"
"11) A Mulher Forte; A Conversa dos Espíritos - 3/5"
"10) O Homem de Meia-Idade; Face-de-Espelho - 4/5"
"9) Diálogo de Hermes e Apolo; Diálogo de Trifena e Cármides - 3/5"
"8) Amor e Psique - 4/5"
"7) A Matrona de Éfeso - 4/5"
"6) A Parábola dos Trabalhadores; A Parábola do Semeador - 3/5"
"5) O Rei que Perdeu o Corpo por Haver Pronunciado Palavras Imprudentes - 3/5" 21/09/2024
"3) A Raposa, A Doninha, O Macaco e o Delfim, Os Lobos e os Cordeiros, O Lobo e o Grou, O Lenhador e Hermes - 3/5"
Nem todos os contos são traduzidos direto da fonte original, mas as notas de rodapé deixam entrever o acurado trabalho de pesquisa de Paulo Rónai e Aurélio Buarque de Holanda. Não só foram selecionados contos de idiomas tão distintos como o grego e o aramaico como neste primeiro volume também são indicadas narrativas muito antigas, que vão desde os primeiros textos escritos registrados até o fim da Idade Média.
A introdução do volume traz uma diferenciação bem estruturada entre conto e novela. Outro ponto de que gostei bastante foi o fato de identificar nessa seleção de narrativas quase inaugurais muitos temas e motes que se repetem literatura afora. É uma compilação de histórias que, muitas vezes, já conhecemos de outras fontes