Publicado pela primeira vez em 1968, Bolor foi definido por Augusto Abelaira como um romance de desamor, em que o casamento chega a ser comparado ao fascismo pela personagem principal, Humberto. Se o amor no casamento está gasto pela erosão do quotidiano, o amor adúltero apresenta-se como outra face da mesma moeda, em que também não se alcança a realização plena de que as personagens não querem, apesar de tudo, abdicar. A escrita será, assim, o lugar onde a plenitude estará mais próxima de ser conseguida, onde se tenta um diálogo impossível na vida real.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa. Exerceu os cargos de Director de programas da RTP (1977-78), das revistas Vida Mundial (1974-75) e Seara Nova (1968-69) e foi Presidente da Associação Portuguesa de Escritores (1978-79). A sua obra romanesca é marcada pela influência do noveau roman, através do jogo complexo com o tempo e o espaço, a que se acrescenta uma presença, por vezes irónica, do narrador que faz intervir a dúvida sobre a verosimilhança da enunciação ficcional. Publicou A Cidade das Flores (1959), As Boas Intenções (Prémio Ricardo Malheiros, 1963), Enseada Amena (1966), Bolor (1968), Quatro Paredes Nuas (1972), Sem Tecto Entre Ruínas (Prémio Cidade de Lisboa, 1978), O Bosque Harmonioso (1982), Deste Modo ou Daquele (1990), Outrora Agora (Prémio Eça de Queiroz, Grande Prémio do Romance e Novela da APE, 1997). Foi condecorado pela Presidência da República com a Comenda da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1997.
Geralmente não gosto de livros com finais abertos e que deixam o leitor cheio de "?????" depois do final da leitura, mas realmente gostei do jogo que o autor propõe. Quem escreve? Importa quem escreve?
Gostei da leitura. Fez-se levemente mas suscitando algumas dúvidas relativamente aos seus intervenientes,há alturas (ou melhor, dias)em que só nos apercebemos de que personagem se trata já depois de adiantada a leitura. Obriga, de certa forma a estar atento. Não que seja dificil, porque não é. Afinal, dois dias bastaram-me para pôr o livro de volta na estante. É uma escrita em forma de diário, onde nos damos conta do bolor que se vai entranhando na relação de um casal. É um livro escrito a três. Agradável. Recomendo.
Um livro que fala da violência e do altruísmo dos afetos, sendo duro e terno e valorizando a utopia, projete-se ela onde se projetar. Impressionante como o contexto político e social é tão bem integrado no enredo - perfazendo um interessante colar (imagem importante no texto)-, sem dele se separar e sem causar um ruído distrativo. E fala de muitas camadas mais a que só chegarei discutindo com alguém que o tenha lido.